Você esperou um ano inteiro, mas agora chegou o momento de arrumar as malas e ir beber na sagrada fonte do rock, blues e jazz da melhor qualidade. A pZ Trips está de volta e dessa vez em dose dupla.
Bento Araújo levará os leitores da pZ novamente para o New Orleans Jazz Festival, que acontece na cidade de New Orleans, entre os dias 29 de abril e 8 de maio de 2011. Serão sete dias de festival, divididos em dois finais de semana.
Para a edição deste ano estão confirmados nomes como Robert Plant & The Band Of Joy, Gregg Allman Band, Jeff Beck, Wilco, Bon Jovi, Sonny Rollins, Arlo Guthrie, Tom Jones, Ahmad Jamal, Dr. John, Robert Randolph, Maceo Parker, Kid Rock, Ron Carter, Robert Cray, The Strokes, Arcade Fire, Sonny Landreth, Charlie Musselwhite, Jimmy Buffett, Lauryn Hill, Willie Nelson, Neville Brothers e muitos outros, que tocarão em nada menos que 12 palcos. São oito horas de música por dia, sem contar as muitas atrações imperdíveis da própria cidade de New Orleans, berço sagrado na música norteamericana. São bares, shows extras, lojas de discos e boa música 24 horas por dia. Para saber como foi a pZ Trip do ano passado, confira a matéria na edição #30 da pZ, e leia nossos posts mais abaixo…
Além do Jazz Fest, a pZ Trips está organizando uma outra viagem para esse primeiro semestre de 2011, com destino ao famoso Wanee Music Festival, que acontece de 14 a 16 de abril em Live Oak, ao norte da Flórida, bem no meio de um grande parque florestal e no coração do southern rock norteamericano, próximo de Jacksonville (cidade do Lynyrd Skynyrd) e de Macon (cidade do Allman Brothers Band, na Georgia). São três dias de som e camping, com muita música e natureza pra curtir.
O cast desse ano do Wanee Music Festival conta com The Allman Brothers Band, Robert Plant & The Band Of Joy, Warren Haynes Band, Derek Trucks & Susan Tedeschi Band, Steve Miller Band, Hot Tuna, Taj Mahal, Sharon Jones & The Dap Kings, Mike Gordon, Widespread Panic, North Mississippi Allstars, Wanda Jackson, Lotus, 7 Walkers (banda de Bill Krautzmann do Grateful Dead e George Porter Jr. dos Meters), Dirty Dozen Brass Band, Jaimoe’s Jasssz Band, Oteil Burbridge and The Lee Boys, Devon’s Allman Honeytribe e muitos outros.
Bento Araújo, editor da pZ e organizador da pZ Trips está empolgado: “Nossa viagem ao New Orleans Jazz Fest do ano passado foi um sucesso! Foi demais levar alguns leitores da pZ pra curtir um dos mais legais, tradicionais e importantes festivais de música do mundo, que acontece há 42 anos. Além disso, fizemos uma verdadeira maratona musical pela cidade, visitando lojas de discos, bares, casas noturnas e assistindo muitos shows extras ali na beira do Rio Mississippi. A interação com o pessoal foi total, todo mundo manjava muito de música e nossos gostos eram bem parecidos. Gravamos até dois podcasts direto de lá, contando tudo sobre a viagem.”
Além do New Orleans Jazz Festival, Bento também comenta sobre a novidade oferecida esse ano pela pZ Trips: “Além do Jazz Fest estamos indo também para o Wanee Music Festival, onde além de curtir 12 horas de música por dia, vamos acampar e aproveitar a natureza ao som de bandas como Allman Brothers e muitas outras. Então a festa está garantida; pode ir arrumando as malas e se prepare para uma experiência musical que vai mudar a sua vida!”
Não perca a chance de assistir as bandas dos seus sonhos no exterior, ao lado de quem entende e respira música. Vale lembrar que ambos os eventos são super família, ou seja, se for de seu interesse você pode levar sua família inteira pra curtir os festivais.
A poeira Zine te oferece toda estrutura e segurança necessária para você aproveitar ao máximo esses eventos. Você não precisa se preocupar com passagens, conexões, hospedagens, ingressos, translados e tudo mais. Está tudo incluído no nosso pacote. Se preocupe somente em arrumar suas malas… E não esqueça o protetor solar!
Para saber mais sobre esses nossos pacotes de viagem, entre em contato conosco pelo e-mail contato@poeirazine.com.br
ATENÇÃO: As atrações musicais e as datas estão sujeitas a alteração/cancelamento pela organização dos eventos. É de suma importância que tanto o seu passaporte, como o seu visto de entrada para os EUA, estejam em dia!
Para ver fotos da pZ Trips 2010 em New Orleans, clique AQUI
Foi divulgado na semana passada o cast deste ano do New Orleans Jazz Festival, que acontece na cidade de New Orleans (USA), entre os dias 29 de abril e 8 de maio de 2011. Serão sete dias de festival, divididos em dois finais de semana.
Para a edição deste ano estão confirmados nomes como:
Robert Plant & The Band Of Joy
Gregg Allman Band
Jeff Beck
Wilco
Bon Jovi
Sonny Rollins
Arlo Guthrie
Tom Jones
Ahmad Jamal
Dr. John
Robert Randolph
Maceo Parker
Kid Rock
Ron Carter
Robert Cray
The Strokes
Arcade Fire
Sonny Landreth
Charlie Musselwhite
John Legend and The Roots
Jimmy Buffett
The Decemberists
Lauryn Hill
Willie Nelson
The Neville Brothers e muitos outros*, que tocarão em nada menos que 12 palcos. São oito horas de música por dia!
A poeira Zine vai levar você para mais essa edição do Jazz Fest!
Para saber mais detalhes sobre o nosso pacote de viagem, entre em contato conosco pelo e-mail contato@poeirazine.com.br
* As atrações musicais e as datas estão sujeitas a alteração/cancelamento pela organização do evento.
Além do Jazz Fest, a pZ Trips está organizando uma outra viagem para esse primeiro semestre de 2011, com destino ao famoso Wanee Music Festival, que acontece de 14 a 16 de abril em Live Oak, ao norte da Flórida, bem no meio de um grande parque florestal. São três dias de som e camping, com muita música e natureza pra curtir.
O cast desse ano conta com:
The Allman Brothers Band
Robert Plant & The Band Of Joy
Warren Haynes Band
Derek Trucks & Susan Tedeschi Band
The Steve Miller Band
Hot Tuna
Taj Mahal
Sharon Jones & The Dap Kings
Mike Gordon
Widespread Panic
North Mississippi Allstars
Wanda Jackson
Lotus
7 Walkers (banda de Bill Krautzmann do Grateful Dead e George Porter Jr. dos Meters)
Dirty Dozen Brass Band
Jaimoe’s Jasssz Band
Oteil Burbridge and The Lee Boys
Devon’s Allman Honeytribe e muitos outros*.
Para saber mais sobre esse nosso pacote de viagem, entre em contato conosco pelo e-mail: contato@poeirazine.com.br
* As atrações musicais e as datas estão sujeitas a alteração/cancelamento pela organização do evento.
Sete dias, dois fins de semana, 60 horas de música rolando ao vivo sem parar, cerca de 400 bandas espalhadas em 12 palcos e um público rotativo estimado em mais de 500 mil pessoas. Essa foi a 41ª edição do maior e mais conceituado festival de música dos Estados Unidos da América…
O começo dessa aventura aconteceu em julho de 2009, quando voltei de Londres trazendo na bagagem muitos shows que sonhava assistir, como Neil Young, Steely Dan, AC/DC, Jeff Beck e outros.
Na edição #25 da pZ, lançada naquele mês, publiquei a matéria especial “As Aventuras do Editor da poeira Zine pelo Reino Unido”, onde durante seis espremidas páginas, relatei a minha aventura pelo velho mundo, em busca de shows arrepiantes, lojas de discos usados e pontos históricos para quem aprecia música.
Foi só a revista sair para começar a chuva de emails: “Da próxima vez que você for, me avise que eu vou junto!”; “Que inveja, o meu sonho é fazer uma viagem desse tipo, vamos armar outra dessa…”; “Quero levar a minha esposa para fazer algo do tipo”; etc.
Isso me deu um estalo: “Por que não armar uma espécie de pZ Rock Tour e levar comigo alguns leitores fanáticos por música assim como eu?”. Foi então exatamente isso que eu fiz, passei a vasculhar no globo algum evento musical, que de preferência reunisse o verdadeiro espírito dos grandes festivais do passado e que contasse com um cast atraente. Nisso me lembrei do New Orleans Jazz & Heritage Festival, que acontece há 40 anos em New Orleans, e que sempre traz nomes de tirar o fôlego em seu cast. Fiz a divulgação via site e versão impressa da pZ… Imediatamente os interessados se manifestaram e pouco tempo depois estávamos com o nosso primeiro grupo formado, de malas prontas e contando os segundos para chegar no berço da música que é New Orleans, e conferir de perto algumas das mais de 400 atrações musicais do mega evento de sete dias inteiros de som.
O mais bacana de tudo é que desde cedo eu coloquei na cabeça que iria cobrir o evento não como um jornalista, de forma catedrática; mas sim como um apreciador de música. Nada de ficar twitando ao invés de assistir um bom show ali na beira do palco. Esse tipo de coisa foi fundamental… Além disso, foi um imenso prazer fazer essa viagem em grupo, pois a sintonia entre os envolvidos era total. Cada integrante veio de uma parte do Brasil e todos vieram sozinhos, pois os amigos geralmente “somem” nessas horas. Muita gente diz que vai, mas na “hora H” desaparece. Todos contavam as mesmas histórias, mas como tínhamos em comum a paixão pela música, parecíamos que éramos todos amigos de longa data. Curtimos pra valer cada instante, cada acorde, cada gole da cerveja ou da limonada. É pra contar pros netos…
A origem do Jazz Fest
Tudo começou em 1970, quando Mahalia Jackson (uma das maiores vozes do gospel) voltou para a sua New Orleans para participar da primeira e modesta edição do evento. Ao lado de Duke Ellington e da Eureka Brass Band, Mahalia cantou e se juntou a “parada de músicos de rua”, uma tradição em New Orleans. Nascia então o espírito do Jazz Fest, a fusão do jazz com a herança cultural das paradas e manifestações de rua de New Orleans.
Quem mais sacou esse espírito foi George Wein, famoso empresário de figuras do jazz dos anos 40, 50 e 60; e também o homem por detrás do Newport Jazz Festival e do Newport Folk Festival. Wein concebeu então a ideia original da Louisiana Heritage Fair, uma grande feira ao ar livre que reuniria ao mesmo tempo diversos palcos com música e bandas se apresentando, comidas tradicionais, artesanato, e tudo mais que envolvesse arte e cultura local da cidade. Esse formato único e peculiar de festival é mantido até hoje e foi exatamente isso que tivemos a honra de vivenciar intensamente na 41ª edição do Jazz Fest.
Desde 1972 o Jazz Fest acontece no Fair Grounds Race Course, a terceira pista de competição mais antiga dos EUA, que funciona desde 1872. O lugar é simplesmente gigantesco e plano, o que facilita a caminhada constante entre os palcos. Para a edição de 2010, 12 palcos foram montados. O mais difícil é optar por qual show assistir, pois eles acontecem simultaneamente.
A Festa
O festival acontece durante dois fins de semana consecutivos, em sete dias no total. Os shows começam sempre no horário marcado e a festa toda começa às 11 horas da manhã e termina sempre pontualmente às 7 da noite. Claro que é humanamente impossível assistir tudo, por isso é bem recomendável ir para o Jazz Fest em grupo, pois daí cada um vai para um lado e depois todos trocam suas experiências do dia, dando uma ideia mais abrangente do panorama do evento como um todo. Nosso grupo inclusive gravou, direto de New Orleans, dois episódios do poeiraCast, o podcast da poeira Zine. Para ouvi-los basta clicar AQUI e AQUI
Chegando em New Orleans, dava pra sentir que a cidade inteira respira o Jazz Fest. Gente do país inteiro viaja anualmente para o evento. Famílias inteiras, desde vovôs de 80 anos até bebês com meses de vida, chegavam ao Fair Grounds para curtir a festa. Curioso como praticamente não encontramos nenhum turista do “resto do mundo”, como eles dizem, no Jazz Fest. É um evento tradicionalíssimo do calendário norte-americano de shows, então podemos garantir que 99% do público é formado por turistas dos Estados Unidos mesmo.
Para conferir fotos dessa edição do Jazz Fest, clique AQUI
Como tudo era novidade para todos nós, saímos cedo do hotel e partimos em direção ao Fair Grounds. Era prudente arrumar um bom local para estacionar e também coletar todos os ingressos via Will Call (ou Box Office, como eles chamam), a famosa “barraquinha” onde se retira os ingressos comprados via internet, uma prática muito usada lá fora.
New Orleans tem um clima muito parecido com o de muitas cidades brasileiras, o clima é bem quente e bastante úmido, especialmente nessa época do ano, já que eles estavam atravessando a primavera na época do evento. Adentramos o local do Jazz Fest e imensas nuvens negras nos saudavam; um céu completamente carregado acima de nossas cabeças, que contrastava com a alegria já contagiante dos primeiros acordes que vinham de todos os lados.
A primeira banda que assistimos foi The Revivalists, que em plenas últimas horas da manhã de uma sexta-feira nublada já estavam colocando o Gentilly Stage (o segundo palco principal) quase no chão. Trata-se de uma jovem banda local (os caras estão na estrada há apenas dois anos), que mistura pop, funk, soul, jams, ska e rock. Dali seguimos para dar nossa primeira volta pelo mega Fair Grounds. Passar pela primeira vez pelo palco Fais Do Do é uma experiência única. Trata-se basicamente do palco mais roots do evento. Com visual de celeiro, o palco traz nomes tradicionais da música local, com inclinação para os estilos cajun, zydeco, bluegrass e country. Na frente do palco, o “baile” rola solto, com casais (geralmente de idade mais avançada) caprichando nos passos de dança; uma autêntica “festa no celeiro”. Tivemos o imenso prazer de ali assistir um trecho da apresentação da Jambalaya Cajun Band.
Nisso, o que era previsto realmente aconteceu, a chuva caiu ferozmente e ficou castigando o público por cerca de três horas seguidas. O jeito foi se amparar nas tendas cobertas, ou melhor, nos palcos enormes cobertos, sempre uma boa opção para se abrigar da chuva forte, do vento e também do sol.
Depois de uma passada rápida pela tenda de imprensa, era hora de conferir Dr. John e George Clinton, que se apresentariam simultaneamente em palcos diferentes. Nessa altura a lama já se tornava uma fiel companheira de todo o restante do festival. Ecos do Rock In Rio pairavam sobre nossas cabeças, e chegava a ser surreal como a chuva, o vento forte, e a lama, realmente não afetavam em nada o público do Jazz Fest. Tudo em nome da festa, da alegria e da música; a chuva acabou se tornando um presente dos deuses para refrescar o dia quente… O astral do Jazz Fest é robusto, peculiar e inabalável, e isso ficou evidente logo nas primeiras horas do Festival.
Dr. John é uma espécie de anfitrião da festa, presença obrigatória no Jazz Fest, então assisti-lo ali, em casa, é mais do que obrigação. Ele está bem envelhecido, mas continua se apresentando de forma elegante e impecável. Fica evidente que ele tem sérias dificuldades de locomoção para chegar até o seu piano. Seu olhar é vago e confuso, mas na frente de seu instrumento ele “se acha” e sai tocando como um demônio.
Tudo o que foi impressionante no show de Dr. John foi decepcionante na apresentação de George Clinton, que insiste em chamar seu embuste atual de Parliament/Funkadelic. Mr. Clinton está completamente “no osso”, é aquele tipo de artista que senta em cima da fama e vive completamente de nostalgia do que foi um dia, assim como Sly Stone. Uma pena. Sua banda (de 19 integrantes) era azeitada, com metais, vocais de apoio, uma atraente cantora de patins, um guitarrista querendo ser o Eddie Hazel e outros malas que ficavam zanzando de um lado para o outro do palco. Mesmo amparado de tanta gente competente, Clinton colocou tudo a perder, saindo do palco constantemente (seria para tomar um oxigênio?) e cantando de forma deprimente, sem voz e sem pegada alguma. A galera encarou a chuva para tentar ter um gostinho da nave mãe do funk, cantou junto e dançou com a clássica “Give Up the Funk (Tear the Roof Off the Sucker)”, porém a Mothership de Clinton não tem mais como sair do chão…
Para os principais shows da noite, nos dividimos para cobrir o maior número possível de eventos. Na tenda do jazz, o saxofonista Joe Lovano impressionou; no Acura Stage (o palco principal), Lionel Richie fez a festa da parcela mais “papai e mamãe” do Jazz Fest; no palco Congo Square, o Steel Pulse emanou os ensinamentos de Jah debaixo de chuva e cheiro de ganja por todo lado; e na tenda do blues, o veterano Elvin Bishop estraçalhou sua tradicional Gibson 335 vermelha.
Mesmo com a concorrência acirrada, o melhor show do primeiro dia foi sem dúvida o do Black Crowes, que aconteceu no Gentilly Stage. A banda dos irmãos Robinson se apresentou de forma impecável e apesar do set list óbvio (talvez devido à curta duração do show, apenas uma hora e meia) o show foi um dos melhores de todo o Jazz Fest. Incrível como o Black Crowes consegue te transportar no tempo. Em questão de segundos você se sente em 1970, e a força e espontaneidade dos caras no palco deixa a plateia hipnotizada.
A abertura foi com as palmas sincopadas de “Sting Me”, seguida por duas pérolas do primeiro álbum deles: “Jealous Again” e “Twice As Hard”, composições que estão completando 20 anos de idade, mas que poderiam ter 40, pois possuem feeling e pegada de sobra. Esse foi o primeiro show do grupo em 2010, pois eles estavam parados desde o final do ano passado. Mesmo assim o entrosamento entre o grupo foi quase que telepático, com destaque total ao guitarrista Luther Dickinson, certamente um dos melhores músicos da atualidade e que também toca no North Mississippi Allstars. Interessante também a configuração de palco do Black Crowes; no fundo estão enfileirados: as duas backing vocals, um percussionista, o batera Steve Gorman e o tecladista Adam MacDougall. Na frente, o guitarrista Luther Dickinson, o baixista Sven Pipien, Chris Robinson e Rich Robinson; cada um deles “separados” por placas de madeira, que ajudam na acústica e na captação e projeção do som do palco para os PAs. Podemos então dizer que o Black Crowes tirou um som único no palco do Jazz Fest, algo parecido com o mais orgânico e rural registrado no último disco deles, gravado ao vivo no estúdio/taverna de Levon Helm. Do excelente último trabalho do grupo, tivemos apenas “Been a Long Time (Waiting on Love)”. As jams rolaram soltas em “Thorn In My Pride” e “Soul Singing” e todo mundo se emocionou com as baladas “She Talks To Angels”, “Oh Josephine” e “Wiser Time”, provas vivas de que Chris Robinson continua como uma das melhores vozes do rock, esbanjando alma, emoção e improviso.
Tivemos ainda no set um cover de Delaney and Bonnie, “Poor Elijah/ Tribute To Johnson”, e as obrigatórias “Hard to Handle” e “Remedy”, essa última o maior sucesso deles, que fechou o set e deixou todo mundo com a sensação de que aquele era o melhor lugar do mundo para se estar. A chuva havia parado, e tínhamos mais seis dias de festival pela frente…
E abaixo, o primeiro brinde dentro do Jazz Fest:
Hugo, Bruno, eu (Bento) e Cristiano…
“Receio”. Essa é a palavra que marcou os nossos sentimentos durante a manhã chuvosa de sábado. Assim que acordamos, ligamos a TV na CNN e uma ameaça de tornado para a região da Louisiana nos enchia de preocupação. Para nós, meros turistas, o fantasma do Katrina ainda causa um certo desconforto e a chuva e os ventos fortes do dia anterior ainda estavam em nossas mentes. Era prudente aguardar um pouco, então acabamos saindo do hotel um pouco mais tarde esse dia. Como a chuva continuava fraca, nos armamos de nossas capas de chuva e partimos para o Fair Grounds. Caso o lance ficasse impraticável, nosso plano seria se abrigar numa das tendas. Amaciados pelo “toró” e lama do dia anterior, tudo era lucro já naquela altura de Jazz Fest. As previsões eram de uma chuva ainda maior e mais intensa do que a que havia despencado na sexta-feira. Para a sorte geral da nação freak, a previsão falhou, e feio. O sol finalmente saiu e o tornado se deslocou mais para o norte e foi parar no Tennessee.
Chegamos a tempo de assistir duas bandas bacanas; a primeira delas foi The Wiseguys, somente com coroas e tocando covers de Rare Earth, Chicago e Sly and The Family Stone. A segunda boa banda da manhã/tarde de sábado foi o Bonerama, conhecidos localmente por fazer um “trombone-rock”. Abriram sua apresentação com uma versão dilacerante de “That’s It for the Other One” do Grateful Dead, contida no álbum Anthem of the Sun, de 1968. Outro ponto alto do show deles foi a homenagem ao recém falecido Alex Chilton, quando executaram um medley com “The Letter” dos Box Tops, com “O My Soul”, do Big Star. Tudo com metais e grooves aos montes.
Falando em grooves, uma das maiores surpresas de todo o Jazz Fest foi a banda que conferimos na sequência, o Papa Grows Funk, grupo de jams local comandado pelo literalmente pesado John “Papa” Gros, e que conta também com a sustentação de uma monstruosa cozinha e o virtuosismo do guitarrista japonês June Yamagishi. A banda fez fama com suas tradicionais jams de “segunda a noite” num bar da cidade, e logo começou a gravar e a excursionar. São imensamente respeitados em New Orleans e merecem cada gota desse respeito.
Falando em respeito e em New Orleans, fomos diretamente em direção ao palco principal para conferir o Funky Meters, que se trata na verdade do lendário The Meters, banda seminal do funk dos anos 60 e 70. Eles estavam na primeira edição do Jazz Fest, em 1970, e são mais do que meros pratas da casa, são uma entidade local, um dos pilares da música de New Orleans. Essa celebração ao groove dos Meters marca presença anualmente no Jazz Fest, e esse alto astral é comandado pelo Hammond de Art Neville e pelas linhas desconcertantes de baixo do fenomenal George Porter Jr. Dançar na lama ao som de “People Say”, “Hey Pocky A-Way”, “Cissy Strut”, “Look-Ka Py Py”, “Chicken Strut” e “Fire on the Bayou”, entre outras, é algo que tem que se fazer pelo menos uma vez na vida. Durante o show deles o sol saiu pela primeira vez. George Porter Jr. apontou para o céu e gritou: “Olha o sol galera!”. Nesse instante, o imenso Fair Grounds era uma pista de dança gigantesca, com todo mundo louvando o sol e a música quase sensual dos Funky Meters. Garotas hippies, com o rosto pintado e tudo mais dançavam juntas, era lama pra todo lado… Na nossa frente, um adolescente oferecia um cigarro de maconha para um casal já na terceira idade, que recusava numa boa, sorrindo, tudo na melhor das vibrações. Na metade do segundo dia, todos nós já estávamos com o sabor único do Jazz Fest na boca, ou melhor, com aquela vibração alucinante cravada nos nossos espíritos para sempre. É por isso que falam sempre que basta você comparecer ao Jazz Fest uma primeira vez para querer voltar todos os anos seguintes.
Com o sol brilhando maravilhosamente, uma verdadeira massa de rostos deslumbrados se aconchegou (com certa dificuldade, é verdade, pois eram milhares e milhares) para curtir a primeira apresentação da dupla Simon & Garfunkel desde 2004. Paul Simon já é um veterano de Jazz Fest, porém Art Garfunkel debutou nesse sábado e a sua reação, assim que entrou no palco e viu a multidão brilhando no sol, entregou o jogo… O cara estava emocionado, antes mesmo de falar qualquer coisa ao microfone. As harmonias vocais da dupla, somadas as letras que embalaram a juventude dos turbulentos e violentos sixties, deram um molho diferente ao Festival. Famílias inteiras cantavam juntas, e em algumas delas, quatro gerações eram vistas cantando. Mesmo que você não seja um grande fã do grupo, chega a ser emocionante presenciar o que “America”, “Bridge Over Troubled Water”, “Mrs. Robinson”, “The Sounds of Silence” e muitas outras, representam para o público norte-americano. A dupla contou com o apoio de uma banda de músicos de primeira, e a voz de Garfunkel está longe de estar em forma. Ele inclusive pediu para a plateia dar uma força nas notas mais altas.
Querendo ou não, o terceiro dia era o mais esperado por todo o nosso grupo, simplesmente pelo fato de ser o dia em que finalmente iríamos concretizar um sonho de nossas vidas: assistir ao Allman Brothers Band ao vivo, e no Sul dos Estados Unidos, ou seja, no território dos caras!
No café da manhã no hotel a animação já era palpável e para melhorar ainda mais, o domingo amanheceu sem nenhuma nuvem no céu. Foi sol forte o dia todo.
Para começar o domingo com o pé direito, fomos direto à missa, que começou às 11 da manhã na tenda gospel. Ali vimos o grupo Gospel Stars e o reverendo Jai Reed, que literalmente enaltecia as palavras do Senhor, dizendo que poderia sair voando a qualquer momento. A tenda gospel do Jazz Fest se assemelha a uma imensa igreja, parecia que estávamos no Harlem, literalmente “worshiping the Lord”. Foi uma injeção de vida e soul, logo pela manhã. Saímos de alma lavada e prontos para nos bronzear ao som de muita boa música. Demos uma conferida também na tenda do blues, onde estava tocando o burocrático Guitar Slim Jr; uma enganação, que só valeu a pena pelo cover mediano de “Pride And Joy” do imortal Stevie Ray Vaughan.
Era hora do pit stop para o almoço, e nos encantamos com os populares Po’Boys, sanduíches suculentos, com salada, picles e diversas opções de recheio, sempre fritos: caranguejo, lagostim, camarão, ostra, pato e até carne de jacaré, ou seja, o tradicional “Gator Po’Boy”. Tudo apimentado pacas, uma delícia!
O plano depois do almoço rápido era conseguir o melhor lugar possível para se assistir ao Allman Brothers Band, que subiria no palco às 17 horas em ponto. Antes deles, fomos agraciados com um show maravilhoso de Levon Helm e sua Midnight Rambles Band, um coletivo country de primeira, regido por ninguém menos que o lendário ex-baterista da The Band. Com músicos fabulosos e simpatia e carisma de sobra, Levon fez um dos melhores shows do Jazz Fest, recheando inclusive o repertório com vários temas de sua antiga banda, como “The Shape I’m In” e “Chest Fever”.
A presença de Howard Johnson no sax barítono e tuba (sim, ele estava na brass section da The Band em Rock Of Ages) e mais canjas especiais de Dr. John, Allen Toussaint (que também participou de Rock Of Ages, arranjando os metais), Ivan Neville e Stanton Moore, temperaram muito bem o show, que se encerrou com “The Weight”, um dos hinos da The Band e dos anos 60. Todos cantamos juntos, arrepiados pela vibração única da canção. A canja de Dr. John também foi histórica, com ele mandando ver numa versão arrasadora de “Such A Night”. Assistir Dr. John e Helm no palco nesse instante teve um gostinho de The Last Waltz, já que ambos estavam ali recriando um pouco da história da The Band e do rock diante de nossos olhos e ouvidos.
Levon está bem velhinho (ele está completando 70 quando você estiver lendo este texto), mas continua um figuraça inveterado. Sua voz está combalida, é verdade, já que superou um terrível câncer de garganta, mas mesmo assim faz sua parte, inclusive colaborando na harmonia de “Tennessee Jed”, clássico do Grateful Dead. Em algumas ocasiões, Helm deixava sua bateria e vinha para a frente do palco tocar mandolim e violão, e também dividir os vocais com as duas belas vocalistas de sua banda, sendo uma delas inclusive sua filha.
Num momento de pura descontração, Levon ficou dançando de forma engraçada e despojada na frente do palco, enquanto sua big band regia tudo com maestria para o delírio geral do Fair Grounds. Incrível como o baterista conseguiu transportar para o Acura Stage do Jazz Fest o clima único das “sessões de fim de semana” que o próprio promove com os Midnight Rambles em seu estúdio/taverna em Woodstock. Allen Toussaint terminou sua canja exaltado; levantou-se do piano, apontou para o baterista/lenda e gritou no microfone: “American treasure, Levon Helm”.
Levon saiu ovacionado e em questão de 20 minutos o ABB entraria no palco…
Ficamos estacionados há uns dois passos da grade de proteção, na cara do palco. O coração começou a bater mais forte quando um praticável veio sendo arrastado pelos roadies, trazendo a percussão de Marc Quinones (no meio), e os kits de Jaimoe e Butch Trucks nas laterais. O kit de Trucks trazia o desenho de um cogumelo no bumbo, com a inscrição “Butch”. Reconheci então o roadie de Warren Haynes, um gordinho que sempre aparece nos vídeos do Gov’t Mule, e ele estava extremamente atarefado, montando o set do guitarrista. Tapetes eram espalhados pelo chão do palco e o Hammond, caixa Leslie e Fender Rhodes de Gregg Allman também foram posicionados bem na nossa frente. Devo confessar que eu havia escolhido aquele lado esquerdo do palco de propósito, pois tinha certeza de que Gregg Allman ali ficaria.
A galera esperava ansiosa. Alguns coroas, casais, mas também muita molecada. Atrás de mim, um garoto ruivinho aparentando uns 10 anos de idade, vestia uma camiseta escrita “Gregg Allman”. Um outro coroa meio bêbado chegou para o garoto e disse algo do tipo: “Se prepare garoto, pois você vai assistir ao Gregg e sua banda em ação!”. O moleque, com cara de saco cheio extremo, chega pro tiozão e resmunga: “Eu já assisti o Allman Brothers Band por três vezes!”, com seu pai fazendo sinal de aprovação do lado. O bebum ficou calado e eu espantado, pois em meus 33 anos de idade, eu nunca tinha visto o grupo ao vivo… e o garoto com apenas 10 anos já tinha visto três shows deles! Aliás esse tipo de “humilhação” é muito comum nos EUA.
Entre uma cerveja e outra, você naturalmente começa a conversar sobre shows e festivais mais antigos com as pessoas, e é muito comum, por exemplo, uma senhora com visual totalmente “careta”, falar algo do tipo: “Eu assisti o Jimi Hendrix tocar na minha Universidade em 1968”, ou “eu segui o Grateful Dead pelo país em 1971”, ou “eu vi o Grand Funk ao vivo na turnê do Survival”, ou “eu estava naquele show em que o Jim Morrison foi preso”, ou “eu estive em Watkins Glenn, Woodstock, Altamont e no Atlanta Pop Festival”…
Humilhações à parte, era a nossa vez de conferir o ABB ao vivo e os gringos parece que sentiam essa nossa emoção e compartilhavam de tudo com a mesma intensidade. Outra cena marcante: um garoto de uns 12 anos de idade fumando maconha atrás da gente, e com o pai! Surreal, aqui não é muito comum ver esse tipo de coisa… Assusta um pouco.
Às 17 horas em ponto, a banda sobe ao palco e timidamente cada integrante toma o seu posto. Derek Trucks entra de muletas, ajudado pelo seu roadie, o que causou um certo espanto na plateia. Derek tocou sentado durante todo o set, mas como ele é sempre bem tímido, paradão e concentrado, isso foi quase que imperceptível em sua performance.
A primeira música do show foi “Don’t Keep Me Wonderin’”, que já fez todo mundo dançar e entrar no clima. O volume era ensurdecedor e a massa sonora que vinha do palco era cristalina e encorpada. Impressionante a qualidade do som durante todo o festival, chega a dar raiva! Tudo redondinho, encorpado, sem nada “sobrando”. O som do ABB ao vivo é único, é possível perceber a camada de percussão vinda do fundo do palco, passando pelas camas de teclados de Gregg e chegando à frente com as guitarras agressivas de Warren e Derek bem “na sua cara”. Do lado direito, um monstro que atende pelo nome de Oteil Burbridge fecha esse arquivo zipado de som sulista com os graves mais envolventes e pesados de todo o Festival. Nos últimos minutos dessa primeira faixa, Oteil tocou virado para seus amplificadores e agitou tanto no groove que ele própria criava, que seus óculos escuros voaram longe. Era o delírio máximo e havia acabado somente a primeira música do show!
Uma viagem a 1969 foi promovida pela banda na segunda faixa da apresentação, “Trouble No More”, contida no disco homônimo de estreia do grupo. Logo depois uma surpresa naquela altura do set, o clássica “Midnight Rider”, geralmente executada “mais adiante” nos sets da banda. Todo mundo cantava junto, emocionante. Warren assumiu a liderança (que geralmente fica com Gregg) para cantar “Woman Across The River”, que ficou famoso na versão de Freddie King. Foi a única faixa “mais recente gravada pela banda” a ser tocada nesse show, já que ela aparece no último disco de estúdio deles, o excelente Hittin’ The Note, lançado em 2003.
“Ain’t Wastin’ Time No More” veio depois, com Gregg migrando para o Fender Rhodes, tocando virado para o palco e de lado para a plateia. Gregg é o pai do Southern Rock, debaixo de seus óculos escuros e suas tatuagens está a pura história do rock norte-americano, com seus vícios, tragédias e herança da música negra. Nessa faixa que abre o álbum Eat A Peach, é impossível não olhar para o céu azul (“Blue Sky”) e lembrar de Duane, o homenageado nesse tema em questão. Essa foi a primeira composição de Gregg após a morte do irmão, e ela fala sobre sua dificuldade em ter que lidar com isso pelo resto de sua vida. Ouvir “Ain’t Wastin’ Time No More” ao vivo e pensar em Duane Allman é uma experiência espiritual, transcende qualquer barreira material. Gregg também faz isso em silenciosa comunhão com os fãs mais ardorosos que ali estão e esse feeling paira no ar do Jazz Fest.
Depois da homenagem a Duane, era hora de Gregg e Warren homenagearem Bob Dylan, com uma versão matadora e dolorosa para sua “Blind Willie McTell”, cuja letra tem tudo a ver com New Orleans, falando de blues, escravidão, plantações de algodão e da vida do próprio Blind Willie McTell, bluesman cujo maior sucesso foi “Statesboro Blues”, não por mera coincidência a próxima canção executada pelo ABB neste show. Nesse instante, tínhamos a nítida impressão de que estávamos vivenciando mais do que música e diversão. Era história pura da América: blues, a harmonia sulista, Dylan, Blind Willie McTell e ABB, um turbilhão que passava pelas nossas cabeças.
Gregg e Warren continuam dividindo os vocais e mantendo a emoção do show em alta, apresentando uma versão maravilhosa de “Soulshine”, talvez a mais famosa e bela composição de Warren Haynes.
Dando continuidade, mais duas faixas do primeiro disco do grupo: “Black Hearted Woman” e “Dreams”. Nessa última, a mais psicodélica da carreira da banda, foi incrível olhar para o lado esquerdo do palco e ver a lua (cheia) surgindo, enquanto que do lado direito o sol ainda brilhava e se preparava para se pôr. Você acredita em perfeição? E em alinhamento dos astros? Só quem estava ali naquele instante para sacar do que eu estou falando… Todo mundo em transe com as notas bem escolhidas de “Dreams”, e com o sol abençoando todos os presentes que se preparavam para mais uma homenagem, dessa vez ao irlandês Van Morrison, já que Warren cantou uma versão de “And It Stoned Me”, faixa que abre o exuberante Moondance. Van se apresentaria no fim de semana seguinte do Jazz Fest, então a homenagem foi mais do que apropriada. “No One To Run With”, do disco Where It All Begins foi a próxima canção do dia, abrindo caminho para a sempre monstruosa “Whipping Post”, o marco zero do rock sulista e a cartilha de qualquer banda que tem pretensão a ser uma jam band. Durante “Whipping Post” é evidente a sensação de que todos no ABB jogam pelo time.
Ninguém quer aparecer mais do que o outro, cada um tem o seu papel. A explosão é coletiva e a massa vai ao delírio com os longos solos de Derek e Warren. Desbunde completo. A música termina. Os caras deixam o palco e está todo mundo em êxtase completo. Basta um giro de 360 graus ao seu redor e todo mundo tem um sorriso estampado no rosto e uma tremenda excitação em seus gestos.
Os caras voltam para encore, mas apenas Gregg (no violão), Oteil e Warren. É hora de “Melissa”, a mais famosa balada da banda. O público feminino canta junto e Gregg pousa de galã.
A banda toda volta e ataca de “One Way Out”, transformando o Fair Grounds numa imensa pista de dança. Sim, pode parecer engraçado, mas os gringos adoram essa música (talvez por ela ter aparecido em tantas trilhas sonoras por lá e ter sido um imenso hit nas rádios) e costumam dançar com ela. Foi uma verdadeira festa e assim o ABB encerrou sua apresentação na 41ª edição do Jazz Fest e também o primeiro fim de semana do evento.
Vai, me belisca, que eu ainda não estou acreditando que vi tudo isso ao vivo!
Confira fotos do terceiro dia do evento clicando AQUI
Depois de três dias livres, onde tivemos a oportunidade de passear pela cidade, conferir alguns shows extras, garimpar pelas lojas de discos e até gravar um episódio do poeiraCast; voltamos ao Fair Grounds numa quinta-feira ensolarada. A organização do evento tinha jogado areia e serragem para amenizar a lama do fim de semana anterior e tudo estava tinindo novamente.
Logo de cara fomos atingidos por um trovão chamado Ivan Neville’s Dumpstaphunk, como o nome diz, um coletivo liderado por Ivan Neville e que conta com seu primo Ian Neville na guitarra (também dos Funky Meters) e dois baixistas monstruosos: Nick Daniels e Tony Hall, que promovem duelos insanos durante o show. Os graves nessa altura do campeonato mandavam no Fair Grounds e eu, sendo baixista e nem bobo nem nada, adorei a banda. Outra grata surpresa dessa edição do Jazz Fest.
Terminado o show, tratei de me mandar pra frente do palco, pois a minha credencial permitia um acesso ao photo pit dos fotógrafos, ali “na cara do gol”. Era hora de conferir todo o peso do Gov’t Mule, a minha banda favorita dos anos 90 pra cá.
Debaixo de um sol forte; Warren Haynes, Matt Abts, Jorgen Carlsson e Danny Louis abriram seu pequeno set daquela tarde com “Blind Man In The Dark”, faixa que também abre o magnífico álbum Dose. Confesso que sentir aquilo tudo ali no peito, na beira do palco, e com os braços apoiados nos muitos dos “woofers” que mandavam os graves para o público foi uma experiência única. Isso sim é som “no peito”. Quem não estava me agradecendo eram os meus pobres tímpanos…
Logo a mula emendou com três sons de By a Thread, o disco mais recente deles: a funkeada e genial “Steppin’ Lightly”, com Louis na guitarra, “Broke Down on The Brazos” e “Railroad Boy”.
O clima pesadíssimo cedeu espaço para duas belíssimas baladas: “Beautifully Broken” e “I’ll Be The One”. No recheio dessa última, Warren e seu tradicional bom gosto marcaram presença mais uma vez, com a inclusão de um trecho de “Blue Sky” do Allman Brothers Band e de pura pegada soul com “I’ll Take You There”, clássico das Staple Singers. Interessante ver a quantidade de seguidores do grupo simplesmente pirando no Jazz Fest e em plena tarde de quinta-feira! Que loucura, todo mundo aqui no Brasil pegando no batente e a gente em New Orleans tomando todas e assistindo ao Gov’t Mule às três da tarde de uma quinta-feira. Tá vendo, se eu fosse você eu não perderia a próxima excursão da pZ ao Jazz Fest por nada deste mundo!
O tempo do Gov’t Mule era curto, então eles encerraram com dois de seus maiores clássicos: “Thorazine Shuffle” e “Soulshine”. Foi curto? Sim. Ficou com gosto de “quero mais”? Claro. Mas foi do cacete, principalmente porque a gente sabia que isso havia sido apenas um aperitivo, já que tínhamos inclusive garantido os ingressos para o show extra deles, que aconteceria no dia seguinte, num luxuoso teatro da cidade (leia a resenha mais adiante).
Para fechar a quinta-feira, cinco grandes apresentações acontecendo simultaneamente. Três delas foram decepções completas, como a banda de banjos de Steve Martin (sim o comediante). Um saco sem tamanho… O Blues Traveler também não se achou na Blues Tent. Repertório mal escolhido, açucarado e pop demais pra gente que tinha acabado de assistir um arregaço como o Gov’t Mule. Outro ponto baixo do dia foi a Average White Band, que hoje em dia não passa de uma banda cover do que eles foram no passado. Músicos extremamente competentes no palco, groove em dia, porém aquele clima Las Vegas no ar, aquela pegada digna de uma banda de formatura… Deprimente.
Já Elvis Costello e sua banda, os Sugarcanes, mandaram muito bem no show de encerramento do Gentilly Stage. Clássicos como “(What’s So Funny ‘Bout) Peace, Love, and Understanding” (de Nick Lowe), “Alysson” e “Oliver’s Army” foram executadas com emoção, assim como a cover para “Happy” dos Stones. Claro que a canja generosa de Allen Toussaint, parceiro e brother de Costello, era inevitável. Um belo show.
Quem realmente surpreendeu, pelo menos para nós brasileiros, foi o Widespread Panic, grupo que fez o show mais longo do Festival, com duas horas e meia de duração. Verdadeiro ícone da cena “jam band” norte-americana, o WP tem uma gigantesca legião de fãs pela América. É aquele pessoal que curte tomar um ácido e ficar ouvindo as longas jams que rolam no palco. A semelhança com o Grateful Dead é assustadora, seja nos longos improvisos, nos vocais a la Jerry Garcia de John Bell, ou nos maravilhosos sons de guitarra do grande Jimmy Herring, uma lenda que já passou por grupos como Jazz Is Dead, Frogwings, Phil Lesh and Friends, Project Z, The Dead e muitos outros. O baixista Dave Schools também tem um estilo peculiar, muito agradável, e toda vez que eu vejo esse cara tocando eu rezo para ele entrar no Gov’t Mule… Resumindo, foi um arraso; principalmente pelo fato dessa mega banda ser totalmente desconhecida aqui na América do Sul.
Eu já curtia o grupo e tinha alguns CDs deles, depois do show então virei fã dos caras. Outro grupo que tem tudo a ver com o clima “hippie” e relaxado do Jazz Fest. Novamente parecia que estávamos em 1969, 1970…
Viagem pura.
Nosso quinto dia de Jazz Fest começou com uma grande decepção: a assessoria de imprensa de Aretha Franklin havia divulgado naquela manhã uma nota à imprensa avisando que a diva do soul não mais se apresentaria no evento. Em 2007, Aretha também cancelou sua aparição no Jazz Fest, porém com três meses de antecedência. Dessa vez sua desistência foi divulgada apenas no mesmo dia do show! Situação extremamente desapontante, principalmente para quem estava indo em direção ao Fair Grounds naquela sexta exclusivamente para assistir Aretha em ação. Pra gente, ficou também uma pontinha de decepção, pois dificilmente ela irá um dia se apresentar no Brasil e essa era a nossa chance…
Nosso primeiro show do quinto dia foi o de Allen Toussaint, que se apresentou de forma magnífica. Trajando seu elegante terno, Toussaint mostrou a razão de ser uma espécie de entidade da música de New Orleans. Destaque também para sua exímia banda de apoio, com metais, três belas backing vocals e um guitarrista de extremo bom gosto. Depois dele, no palco principal tivemos o Earth Wind And Fire, substituindo Aretha Franklin nos 45 minutos do segundo tempo. Esse era um belo motivo para a banda arrasar, no entanto o show foi bem morno, e assim como a Average White Band, o EWF parece uma caricatura do que foi um dia.
Mais “pegada” Las Vegas, show de cassino mesmo, com músicos excepcionais no palco, porém com a emoção de uma boa banda que toca em formaturas e casamentos. Os hits fizeram o pessoal dançar, mas as baladas açucaradas foram a deixa para eu me mandar para a tenda do jazz e lá conferir o baixista Stanley Clarke.
Ao lado da pianista Hiromi, Clarke fez uma ótima apresentação, tirando sons maravilhosos de seu baixo acústico. O clima estava intenso e o virtuosismo da dupla impressionou toda a tenda, que estava lotada. Detalhe: para amenizar o calor, a tenda conta com um sistema de vaporização de água, ou seja, você assiste o show sentado, protegido do sol e ainda se refresca com delicados jatos de vapor de água emitidos de um encanamento que passa por cima de sua cabeça. Coisa fina.
Enquanto isso, Derek Trucks e sua esposa Susan Tedeschi colocavam a tenda do blues literalmente no chão, com uma performance perfeita e emocionante. Para a minha sorte, na noite anterior eu tinha conferido Derek e Susan no House Of Blues, apresentando um show de duas horas e meia de duração (mais detalhes sobre os shows extras adiante).
Esse foi o dia mais cheio de todo o Jazz Fest. Logo nas primeiras horas do Festival era quase impraticável dar uma mera volta geral pelo Fair Grounds. Claro, isso aconteceu pelo fato do Pearl Jam ser a mais famosa atração daquele dia, então milhares de jovens de todos os EUA partiram para New Orleans para conferir essa apresentação da banda de Eddie Veder.
Chegamos cedo, pois eu estava louco para assistir a Dirty Dozen Brass Band, um grupo de metais que faz um som empolgante e animado. Esses já veteranos heróis locais abriram caminho para outro figura local, ou “quase” local: Anders Osborne. Nascido na Suécia, Anders está há 25 anos vivendo e tocando em New Orleans, então sua conexão com a música da Louisiana é absoluta. Guitarrista de alto calibre, Osborne está em todas: você pode vê-lo tocando com diversas bandas, seja no palco principal do Jazz Fest, em shows intimistas nos pubs da cidade, no espremido palco de uma loja de discos, ou até mesmo numa esquina do French Quarter. Osbourne é um talento nato, sua entrega no palco é cativante, e ele sai solando sempre como um louco, isso sem contar seu visual estilo “mendigo”, com barba e cabelo enormes. Para se ter uma ideia, o som da banda do cara é uma espécie de Band Of Gypsys do século 21.
Depois dele veio o Galactic, no Acura Stage, o palco principal. Comandados pelo renomado baterista local Stanton Moore, a banda caprichou no funk e nos duelos de trompete e saxofone. Tudo com uma pegada absurda e muito groove, bem a cara de New Orleans. Ninguém na pista parou por um minuto e o set dos caras foi bem intenso e direto. Mais uma grata surpresa musical pra gente que vinha do Brasil e nunca tinha ouvido falar desse combo.
Depois deles o Pearl Jam tomaria de assalto o palco principal, então foi uma árdua missão simplesmente deixar o nosso lugar na frente do palco. Com o show do Galactic encerrado, rumamos com certa dificuldade até o Gentilly Stage, para assistir a Sonny Landreth, guitarrista de New Orleans que é considerado o melhor slide player do mundo. A técnica apurada de Landreth realmente impressionou e deixou todo mundo grudado no telão de alta definição, que captava a magia que saia de seus dedos.
Depois de Landreth, um extraterreno subiu ao palco. Ninguém sabe de qual planeta, qual sistema solar, ou mesmo de qual dimensão ele pertence… Só deu pra sacar que esse alienígena vestia botas de pugilista e braceletes prateados presos em seu antebraço, e apareceu empunhando uma Stratocaster branca. Claro que estou falando de Jeff Beck, o maior guitarrista vivo e ponto final.
Tive o privilégio de assistir Beck no ano passado, num show impecável realizado no Royal Albert Hall de Londres, que ainda contou com uma canja surpresa de David Gilmour. Fiquei extremamente tenso antes da apresentação de Beck no Jazz Fest: E se o show dele não fosse tão bom quanto o do ano passado? Sempre o show que você assiste por último tende a ser o que mais fica enterrado em sua memória, então o meu medo seria perder aquela lembrança agradabilíssima do show de Londres… Besteira total de minha parte; o show do guitarrista britânico no Jazz Fest não foi somente tão bom quanto o de Londres como foi ainda MELHOR! Inacreditável! O que também pesou para isso acontecer foi a banda de Beck, que está reformulada e o fato dele agora estar promovendo um excelente novo disco de estúdio após sete anos, Emmotion & Commotion. Algumas faixas desse álbum foram os pontos altos do set do guitarrista.
De sua banda do ano passado, Beck manteve apenas o tecladista Jason Rebello. No baixo, ele trocou a bela Tal Wilkenfeld pela mal encarada Rhonda Smith. Claro que uma opinião completamente machista logo diz: “Que besteira que Beck fez…”, mas nada disso; Rhonda é uma excepcional baixista, que colocou Wilkenfeld “no bolso” logo nos primeiros instantes do show desse sábado. Sua pegada maliciosa, seus slaps infernais e o jeito que ela explora seu contra-baixo hipnotiza a todos. Para a bateria, Beck trocou o monstro Vinnie Colaiuta pelo godzilla Narada Michael Walden, que gravou ao lado do guitarrista a seminal obra Wired. Walden simplesmente arregaçou, unindo técnica e agressividade como somente os mestres sabem. Foi sem dúvida o baterista mais pesado do Jazz Fest (e olha que a concorrência era braba), literalmente fazendo o chão tremer com seus dois bumbos.
Antes de Beck subir ao palco para fechar o segundo sábado do Festival, Quint Davis, o produtor do evento há muitos anos, pegou o microfone e não conteve a emoção. O sujeito simplesmente comparou o guitarrista com os grandes gênios da humanidade. Quando Beck abre o volume de sua Fender e a primeira nota emitida pelos seus dedos ecoa no Fair Grounds você já está completamente rendido e concorda plenamente com Davis. O cara no mínimo é um gênio.
É muito difícil ser um “crítico” nesses momentos. As emoções falam mais alto e só te resta fechar os olhos e deixar a guitarra de Beck te levar para os lugares mais inimagináveis.
Foi impressionante conferir ele tocar “Corpus Christi Carol” logo no início do show, e perceber que algo diferente e até então inédito se instaurava no Fair Grounds: todo mundo estava calado, imersamente conectado com os divinos sons da guitarra de Beck. A confusão da garotada entorpecida e alegre provavelmente estava do outro lado da imensa área do Jazz Fest, assistindo ao Pearl Jam. Quem ficou no Gentilly Stage, estava interessado em apenas uma coisa: música; e isso ficou mais que evidente durante todo o set do guitarrista.
Em “How High The Moon”, a banda tocou por cima de um vocal pré gravado de Imelda May e Beck apareceu com sua antiga Les Paul preta, que eu não via em suas mãos por muitos anos. O guitarrista pagou tributo a Sly Stone com uma desconcertante versão de “I Want To Take You Higher”; a Billy Cobham com “Stratus”; e aos Beatles com sua já tradicional versão de “A Day In The Life”. A complexidade e violência de “Led Boots” ganhou ainda mais força ao vivo, mas foi com “People Get Ready” e “Over the Rainbow” que o guitarrista acabou comigo. Pode soar piegas, mas é pura verdade… Foi impossível de conter as lágrimas…
O último tema apresentado foi “Nessun Dorma”, uma ária do último ato da ópera Turandot, de Giacomo Puccini. Foi o golpe de misericórdia, com Beck terminando de joelhos, para o delírio absoluto do Fair Grounds. Saí da frente do palco completamente desnorteado e atordoado, andando em zigue-zague pela grama… O que havia sido aquilo? Tive um exemplo de divindade em forma de música… Algo espiritual, transcendental e todos os outros “tals” que você quiser. Confesso que nunca havia sentido isso antes… Beck acabou comigo, literalmente, blow by blow.
Trechos do show do mestre Jeff Beck no Jazz Fest, dia 02/05/2010
Parti para o último dia de Jazz Fest ainda meio atordoado pelo show de Jeff Beck que encerrou o dia anterior… Foi difícil. Além do cansaço, e da chuva (que voltava a dar as caras) nada na Terra poderia se equiparar ao show de Beck. Dito e feito, o último domingo foi bem bacana, mas morno se comparado ao outro domingo ou principalmente ao dia anterior.
Mesmo assim eu estava muito animado, pois pela primeira vez eu iria estar ali cara a cara com Van Morrison. O irlandês começou seu set no piano, com “Nothern Muse (Solid Ground)” e logo na sequência emendou com um de seus maiores hits, “Brown Eyed Girl”, com todo o Jazz Fest cantando e dançando junto; o momento mais quente do show para o grande público. Para os conhecedores do imenso repertório do vocalista, os próximos temas apresentados naquela tarde chuvosa foram um deleite: “Fair Play”, “The Mystery” e “St James Infirmary”. A banda de apoio de Van era também sensacional, todos trajando ternos negros e óculos escuros, muito cool. “Moondance” foi estendida, com belas improvisações e “Have I Told You Lately” e “Ballerina”, a última de seu set, também causaram arrepios. Morrison não é de muito papo, sua comunicação com a plateia é nula e geralmente seus fãs sabem disso, mas não provavelmente a maioria do público do Jazz Fest, talvez por isso muita gente tenha saído do show alegando que assistiu uma apresentação “morna”.
Nada disso, o show foi excelente, bom gosto a toda prova e Van em forma, tanto na voz como no piano, sax e gaita. Enquanto isso, Jack White e seu Dead Weather fizeram um show impressionante no Gentilly Stage. As nuvens negras que cobriam o Fair Grounds colaboraram para o clima único da apresentação. White é um dos gênios da nova geração do rock, e ver o cara detonando ao vivo é também praticamente uma benção.
Depois de Van Morrison e Jack White, os Neville Brothers assumiram o encerramento da festa no palco principal. Belo show, com muito groove e astral desses heróis locais; segundo os organizadores, uma das famílias musicais mais antigas do pedaço. Na tenda do jazz, catarse absoluta, com Wayne Shorter, Brian Blade, John Patitucci e Danilo Perez.
Segundo Aristóteles, para suscitar a catarse era preciso que o herói passasse da dita para a desdita, ou seja, da graça para a desgraça. E mais ainda: não pode ser por acaso, e sim por uma desmedida, ou seja, por uma ação ou escolha mal feita do herói. A escolha mal feita de Shorter foi querer arrasar com os pobres espectadores que se espremiam na tenda do jazz justamente no encerramento do festival. Como voltar pra casa (no nosso caso, pro hotel) com a sanidade em dia depois daquilo?
O jeito foi conferir o final do show de B.B. King na tenda do blues, abarrotada e concorrida como nunca antes visto no evento. Aos 84 anos, o nativo do Mississippi mais uma vez encantou com sua simplicidade e carisma. Rei nunca perde a majestade e é sempre um prazer assisti-lo em ação. Com a festa acabando e sentindo um aperto no coração (passou tão rápido aqueles 11 dias em New Orleans – sete deles no Fair Grounds), rumei sozinho e debaixo de chuva para assistir um show intimista no modesto palco Fais Do Do, aquele parecido com um velho celeiro.
Ali avistei um velho companheiro, de bata indiana e barba branca. Sua voz era como o trovão que vinha do céu nublado e ele bradava um de seus hinos: “Freedom”. Sim, eu estava diante de Richie Havens, o homem que há 41 anos atrás estava abrindo o Festival de Woodstock com essa mesma canção. Essa foi a 41ª edição do Jazz Fest então os números se alinhavam, assim como o sol e a lua no show do Allman Brothers, uma semana antes.
Havens se despediu e fez uma breve oração, abençoando os presentes, as crianças e o futuro. Tudo fazia sentido, estava encerrada mais uma edição do Jazz Fest, a primeira que nós da poeira Zine estivemos presentes. Nossa única certeza, no emocionado encontro do grupo na saída era a de que teremos que voltar em 2011.
Já separe a data, pois a próxima edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival acontece de 29 de abril a 8 de maio de 2011, e você precisa viver essa experiência junto da poeira Zine. Fique atento no site (www.poeirazine.com.br) para informações futuras.
New Orleans é constantemente eleita pelos guias de viagem mais conceituados do mundo como a cidade #1 no quesito boemia e vida noturna. A quantidade de bares (a grande maioria com música ao vivo), casas noturnas, inferninhos, lanchonetes e juke joints é impressionante. Sabendo exatamente disso, os organizadores do Jazz Fest tomaram uma sábia decisão, encerrar cada dia do Festival às sete horas da noite.
Tempo do pessoal ir para casa, ou para o hotel, tomar um banho e sair para curtir a noite, geralmente no French Quarter, o centro histórico da cidade, onde se situam a Bourbon Street e muitas outras ruas badaladíssimas.
O som é sempre de primeira, as tradicionais bandas locais são geralmente um arraso, a comida tradicional é ótima e extremamente apimentada (frutos do mar são o forte da cidade), e todo boteco tem uma diversidade de (ótimas) cervejas simplesmente incrível. Para deixar tudo perfeito, o preço ainda é convidativo, principalmente se comparado a uma das cidades mais caras pra se viver (e comer) do mundo: São Paulo.
Com o Jazz Fest bombando durante o dia, à noite nos reservava ótimas surpresas, inclusive com muitos shows extras, tanto de artistas que estavam também se apresentando no Jazz Fest, como de outros que apenas passavam com suas tours por New Orleans.
Um pouco de New York em plena New Orleans? Posso garantir que o bar/casa de shows Tiptinas se transformou no CBGB nessa noite quente e abafada de abril. A musa do punk estava presente na cidade do Voodoo e Smith exorcizou todos os seus demônios no palco, para o deleite geral da galera que compareceu em peso ao Tiptinas, um dos points mais bacanas da cidade, criado em homenagem a um herói local, Professor Longhair.
O show começou com “Be My Baby” de Phil Spector e suas Ronettes e logo deu pra sacar que seria mais uma daquelas noites inesquecíveis. Patti Smith é um capítulo inteiro da história do rock. O carisma, e a verdade com que se apresenta é algo inexplicável. É como se ela trouxesse toda sua bagagem de vida e a colocasse no palco, como um imenso baú de emoções e verdades escancaradas que vão sendo abertas e exibidas a cada canção. Sua vida é passada a limpo diante dos puros mortais… Smith saiu de New Jersey, abandonando seu emprego numa fábrica e deixando um filho para adoção, e partiu para New York para viver se sua arte e poesia. Lá conheceu e viveu com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, morto de Aids nos anos 80. Outro ex-marido de Smith que morreu foi Fred “Sonic” Smith (ex-MC5) e recentemente ela perdeu outro grande companheiro; o poeta, escritor, músico e punk Jim Carroll. Quando Smith tocou “People Who Died”, do primeiro disco de Carroll, tudo fazia sentido, com ela pedindo para as plateia gritar nomes de pessoas que morreram e que eram queridas. Patti gritou o nome de todos esses acima e com isso o show ganhava ares de surreal.
Clique AQUI para ouvir a primeira música desse show, “Be My Baby”.
“Redondo Beach”, “Ghost Dance”, “Dancing Barefoot”, “Black Leaves”, “My Blakean Year”, “Beneath the Southern Cross”, “We Three” e “Pissing in a River” foram algumas das canções tocadas essa noite.
Um dos pontos altos foi quando Smith deixou o palco e o guitarrista Lenny Kaye assumiu os vocais para uma versão absolutamente imunda e maravilhosa de “Pushin’ Too Hard”, dos Seeds. Antes da pancadaria garageira começar a jorrar pelos falantes, Kaye chamou Peter Buck do REM para um duelo de puro fuzz e apresentou Buck de zoeira como “the guitar player from The Seeds”. Levando-se em conta que foi Kaye quem compilou e escreveu o texto da primeira edição do álbum Nuggets (em 1972), e consequentemente é graças a ele que todas as gerações pós 1970 conheceram esses compactos perdidos de bandas de garagem dos anos 60; ouvir “Pushin’ Too Hard” das mãos e voz do mestre garimpeiro que deu origem a série é algo indescritível.
Mais um daqueles capítulos da história do rock diante de nossos olhos, ouvidos e sentimentos. Kaye é parceiro de Smith desde 1971, quando recitaram suas primeiras poesias juntos em NY. Monstro do rock e do jornalismo rock.
Durante as canções, Patti escarrava no palco e ao mesmo tempo em que era extremamente rude e punk, encantava a todos com a sensualidade feminina de sua performance. Seus papos entre as canções eram muito divertidos e inteligentes, e como é gostoso ouvir uma artista que tem o que dizer, seja falando de amor, de morte, do Café Du Monde (outro point obrigatório de New Orleans), de música, ou atacando o sistema. A verdade transborda de seus poros e nisso um cara que está do meu lado simplesmente não se contém e grita: “Thank You For Being So Real!”.
Acho que nada mais precisa ser dito, apenas que a encore foi também de matar. Primeiro veio “Wichita Lineman”, o belo tema original de Jimmy Webb gravado primeiramente por Glen Campbell e depois imortalizado por diversos outros artistas (como o próprio REM). Para praticamente recitar a canção para Patti, subiu ao palco Michael Stipe do REM. A galera foi ao delírio e deu pra sacar que Patti realmente se emocionou com a interpretação de Stipe. Isso também se deve talvez à longa amizade entre ambos, pois foi Stipe quem trouxe Smith de volta às paradas nos anos 90 com a canção “E-Bow The Letter”.
Na sequência, Stipe e Buck continuaram no palco para “People Have the Power”, um dos maiores hits de Patti Smith. “Perfect Day”, de Lou Reed, veio depois, simplesmente bela e tocante, assim como “Because the Night”, que claro, não poderia faltar. O final, apoteótico, foi com “Gloria”, com o Tiptinas vindo abaixo… No meio do Jazz Fest eu tinha assistido talvez o melhor show punk da minha vida. Por essa eu não esperava MESMO! Patti Smith é atitude e verdade.
Quando se fala em The “Funky” Meters, leia-se The Meters, os patronos supremos do funk-rock dos anos 70 liderados por George Porter Jr. e Art Neville. Por questões empresariais o nome precisou ser mudado, mas Porter e Neville continuam firmes e fortes, levando a linguagem do funk para os mais diversos caminhos.
O show aconteceu no House Of Blues, ponto obrigatório se você estiver em New Orleans. A decoração do bar é impressionante, a comida é maravilhosa e o som é perfeito. O HOB é na verdade um pequeno complexo de boa música, com um belo restaurante, um bar completo e um palco bem bacana. Existe um bar na parte inferior e outro na parte superior e de qualquer lugar que você esteja, a visibilidade é perfeita, literalmente “na cara” da banda.
Quem abriu o show foi Anders Osbourne, que nos conquistou de imediato. Bastou para alguns integrantes de nosso grupo passar a seguir o sujeito por onde quer que ele tocasse em New Orleans e trazer a coleção completa dos discos do cara na bagagem. Já falamos mais de Anders acima, na resenha do Jazz Fest, onde ele também se apresentou.
Os Meters entraram na sequência e mandaram ver numa jam que de cara durou mais ou menos uma meia hora! O HOB virou uma pista de dança e o calor que vinha do palco e dos grooves inacreditáveis dos caras colaborou para uma espécie de êxtase coletivo. A intensidade era tamanha que uma corda quebrada no contra-baixo de George Porter Jr. não o impediu de esmerilhar e continuar tocando até o fim da música que estava sendo apresentada.
Destaque total também para a malandragem de Art Neville no Hammond e caixa Leslie e no suingue do batera Russell Batiste Jr. O show ainda contou com canja do guitarrista Eric Krasno (outra figura carimbada, que toca em diversas bandas como Soulive, Chapter 2, etc.).
De se lamentar somente a curta duração do show (1:15 mais ou menos) e o final totalmente anti-climático. Tudo bem que George Porter Jr. se desculpou no microfone, dizendo que havia dormido apenas seis horas naquele fim de semana, pois além do Jazz Fest ele estava tocando em diversos outros locais da cidade quase que ininterruptamente e com várias outras bandas. Mas o que os Meters fizeram com a galera não se faz. A banda saiu do palco e voltou para o bis, começaram a brincar com o público, fazendo a contagem com aquele famoso “crescendo vocal” da imortal “Cissy Strut”. No ápice da noite, e com a plateia completamente enlouquecida nas mãos, os Meters executaram duas frases de “Cissy Strut” e foram embora, sem mais explicações! É isso mesmo que você leu… Imagine o Deep Purple, fechando o show com “Smoke On The Water”, com Ritchie Blackmore fazendo somente as duas primeiras frases e depois saindo fora. Foi essa a sensação, os caras tiraram o doce da boca da criançada, na maior cara de pau…
Texto de Bento Araújo / Foto de Hugo Pedra Almeida
Outro grande show que assisti no ano passado, durante a minha viagem para o Reino Unido, então é claro que fiz a maior propaganda para o restante do grupo da pZ que partiu para New Orleans.
O show aconteceu no One Eyed Jacks, lugar extremamente agradável, aconchegante e kitsch localizado ali no agito do French Quarter. Assim que entramos e chegamos mais próximos do palco, percebemos que apenas algumas guitarras e um amplificador estavam “montados”, ou seja, seria uma apresentação solo de Reid, sem banda de apoio.
O cara é uma lenda esquecida do rock n’ roll, injustamente (mais) reconhecido por ter “negado” um convite para ser o vocalista do Led Zeppelin quando esse sequer existia e não tanto pela sua música, seus discos geniais, e sua voz, que é uma das melhores do rock inglês dos anos 60, o que definitivamente não é pouca coisa.
O show foi de certa forma decepcionante, pois Reid estava meio sem jeito de estar ali sozinho na frente do público, que era bem pequeno inclusive. Se ele estivesse com sua banda certamente teria sido diferente.
Além da dificuldade de manter suas guitarras afinadas, Reid também esbarrou em alguns problemas técnicos, como o volume e o drive inconstante de seu amplificador… De ponto positivo a simpatia do cara, mandando ver tudo num clima “storyteller” total, contando detalhes interessantes das composições e de toda a sua carreira. Isso sem contar a sua voz, que continua maravilhosa como sempre.
Graças ao bom Deus eu me preparei melhor para essa viagem e garanti meus ingressos com uma maior antecedência. Foi isso que me garantiu de assistir a esse show, que estava completamente Sold Out.
Derek e Susan são muito queridos na América e isso ficou claro quando a enorme fila se formou na frente do House Of Blues na caça por algum ticket.
A abertura da noite ficou por conta de Eric Krasno & Chapter 2, onde chamou muita atenção o jovem baixista do grupo, exemplo típico de talento nato. O show deles contou também com uma canja especial de Oteil Burbridge (que também toca no Allman Brothers e com outras bandas) no baixo e nos scats, dobrando sua voz com suas linhas de baixo pra lá de complexas. A musicalidade de Oteil é tão impressionante que os próprios músicos que estão no palco ficam extremamente embasbacados com o que o cara faz…
Foi a deixa para Krasno alertar a galera: se preparem pois depois da gente vocês terão aquela que na minha opinião é a melhor banda da atualidade.
Posso garantir que Derek e Susan corresponderam a todas as mais altas expectativas. O show teve duas horas e meia de duração e uma série de pontos altos. A começar pela banda, uma fusão da banda de Derek com a de Susan na verdade, com dois bateristas (Tyler “Falcon” Greenwell e JJ Johnson), Oteil Burbridge no baixo, seu irmão Kofi Burbridge nos teclados e flauta, e dois backing vocals de arrepiar: Javier Colon (que também detona no Fender Rhodes) e o grande Mike Mattison, que é o vocalista “oficial” da Derek Trucks Band.
No repertório, maravilhas como “Love Has Something Else To Say”, “Midnight In Harlem”, “Come And See About Me”, “Corinna”, “Look Around”, “Too Late”, “Serve It Up”, “I Believe In Music”, “Space Captain” e outras.
Outro lance que eu desconfiava: Susan Tedeschi é mesmo um fenômeno e forma um casal perfeito com o tímido Derek Trucks. A garota canta pacas, esbanja simpatia e ainda toca guitarra pra caramba. Quando ela executou a dobradinha “I’ve Got a Feeling” (sim, a dos Beatles) e “Woman’s Gotta Have It” (de Bobby Womack) a plateia que abarrotava todas as dependências do HOB foi ao delírio completo. Os homens gamaram e as mulheres sentiram mais orgulho ainda de serem mulheres naquele singelo instante…
O som estava altíssimo e a banda estava azeitada, “tight” como os gringos dizem. É resultado não só de muito ensaio, mas principalmente também de muita estrada. Derek, com o pé machucado e tocando sentado, assim como no show do ABB no domingo anterior, mostrou que é um músico abençoado. Sua inspiração é latente em cada nota, em cada demonstração de sua técnica peculiar. Um show nota 10!
Já estou rezando pra ele e Susan tocarem aqui no Brasil. Façam suas orações também, pois vai valer cada “Pai Nosso”…
O show extra dos shows extras. Confesso que não pude conter a euforia assim que tomei conhecimento do fato que o Gov’t Mule iria se apresentar num teatro durante o Jazz Fest. Além que assistir a banda no Festival eu ainda teria a possibilidade de conferir o (longo) show completo dos caras, com as tradicionais jams, covers, canjas e tudo mais… Além disso, o show extra da banda durante o Jazz Fest em New Orleans é uma tradição que já dura cerca de dez anos, e foi exatamente numa dessas ocasiões que o grupo registrou seu CD/DVD The Deepest End, com diversos baixistas convidados, em 2003. Como todo bom fã eu costumo acessar com bastante frequência o excelente site da banda, então esse foi outro show que garanti com antecedência.
O Mahalia Jackson Theater foi o primeiro teatro da cidade a reabrir após a devastação do furacão Katrina e é considerado pela banda e pelos die hard fans como um dos três locais preferidos para os longos shows promovidos por eles pelo país.
Chegando no local, passamos na inevitável banca de merchandising, para adquirir camisetas e principalmente o pôster oficial (e psicodélico) do evento daquela noite, numerado e assinado pelo autor (agora ele está na sala de casa, é claro). Enquanto isso, corremos para os nossos assentos, pois no palco estavam os 7 Walkers, banda que conta com Bill Kreutzmann (ex-Grateful Dead) e Papa Mali, além de apresentar letras fresquinhas de Robert Hunter (o letrista oficial do Dead). Para essa “perna” da tour deles, um convidado muito especial no baixo: George Porter Jr. (The Funky Meters).
Depois de um breve intervalo o Gov’t Mule subiu ao palco e ouvimos os primeiros acordes de “Railroad Boy”, uma das faixas mais legais do disco novo da banda. Em seguida, tivemos uma versão irretocável de “Gameface”, do álbum Dose. Foram mais de dez minutos de arregaço, pra já ir deixando todo mundo no clima e a par do que estaria por vir… A terceira faixa da noite foi o que podemos dizer como algo surpreendente: “Since I’ve Been Loving You”, do Led Zeppelin, o melhor blues branco já cunhado nesse planeta chamado Terra. O cover do Led foi seguido por “No Need To Suffer”, do injustiçado grande álbum Life Before Insanity.
Três do disco novo (“Frozen Fear”, “Steppin’ Lightly”, “Any Open Window”), a belíssima “Banks of The Deep End” e “Kind of Bird” encerraram a primeira parte do show. Essa última é um original de Warren Haynes e Dickey Betts que apareceu pela primeira vez no álbum Shades Of Two Worlds, do ABB. Ela também está no Live at Roseland Ballroom do Mule e nessa noite recebeu uma de suas mais inspiradas versões, com 14 minutos de muito improviso.
O som estava perfeito, com Warren Haynes e Matt Abts brilhando como de costume, assim como Danny Louis nos teclados e até guitarra base e Jorgen Carlsson no baixo, que claro, não é nem uma fagulha do que foi Allen Woody, mas segura a onda numa boa. Depois daquela intensidade toda, Warren avisou que teríamos um intervalo antes da “segunda entrada” da banda, tempo de ir ao banheiro e pegar mais uma cerveja…
Para a segunda parte, fizemos uma pequena loucura (principalmente em se tratando de um show no primeiro mundo). Descemos pelo corredor do teatro até encostar a mão no palco e ali permanecemos na maior cara de pau, porém sem atrapalhar ninguém, há apenas alguns metros de Warren e Abts. Logo o pessoal mais freak começou a se juntar ali também, para dançar e curtir o show mais intensamente. Para nossa sorte, nenhum segurança veio nos tirar daquele posto privilegiado. Era uma loucura, drogas por todo lado e uma garota que estava “ficando” com pelo menos três caras diferentes ao mesmo tempo! Free love total, sixties a beça…
Nesse pique levamos uma bordoada nos sentidos, uma versão de 17 minutos para “When The Music’s Over” dos Doors. Quando Warren gritou “We want the world and we want it…Noooooowwww” parecia que mais um Katrina estava passando pelo Mahalia Jackson Theater… Tinha um coroa que estava tão stoned, que enquanto o som rolava ele deitava e abraçava o palco! Surreal!
A agitada e animada “Slackjaw Jezebel” foi a segunda faixa da segunda entrada, logo emendada na grande balada “Fallen Down”. Em “The Other One Jam”, Warren ecoou versos de “Gimme Shelter” dos Stones, antes de partir para uma versão com um novo e agradável arranjo para “The Shape I’m In”, clássico da The Band.
Foi a deixa para o fabuloso solo de bateria de Matt Abts, bem na pegada Bonham, com ele abusando de viradas clássicas do mestre, “trocando os braços” no ar e abandonando as baquetas para tocar com as mãos. A noção de ritmo de Abts é algo de outro mundo e ele ainda teve a manha de começar seu solo com uma levada jazz que muitos poucos bateristas de rock sabem fazer e terminou tudo detonando no djembê, instrumento de percussão africano.
A próxima da noite foi a instrumental “Sco-Mule” com canja de Eric Krasno (olha ele aí de novo!) na guitarra. Brian Stoltz (ex-guitarrista dos Meters) subiu ao palco para “Feel Like Breaking Up Somebodies Home”. Ali ele permaneceu para a canção seguinte, “32/20 Blues”, que também contou com Ivan Neville nos teclados. A última da noite foi “Broke Down On The Brazos”, a primeira do disco mais recente deles, e que em sua versão de estúdio conta com a guitarra de Billy Gibbons do ZZ Top.
Estava terminado, foram exatas três horas de show! Um exemplo perfeito do que é um tradicional show do Gov’t Mule… Deu vontade de largar tudo e virar roadie dos caras, apenas pra assistir mais shows desses pelos EUA. Será que eles estão precisando de um roadie? Alguém aí quer assumir a pZ?
Agradecimetos especiais a Mandy Brecker e Matthew Goldman, a organização do Jazz Fest, e a todos os queridos leitores que partiram com a gente nessa aventura, tanto os que lá estiveram, como os que ficaram por aqui acompanhando pelo site. Ano que vem tem mais, vá se preparando!
Já pensou sair um dia para comemorar “o dia da loja de disco?” Sim, sabe aquela loja que você tanto adora, que fica perto (ou não) da sua casa, ou do seu trabalho; aquela que sempre te salva num dia triste, quando você brigou com a namorada ou com a sua mãe? Então já pensou em dedicar um dia a essa loja e a tantas outras que bravamente seguram as pontas em plena era da pirataria e dos downloads desenfreados? É isso que tem acontecido lá fora, desde a criação de um grande evento chamado Record Store Day. Tive o prazer de passar o Record Store Day deste ano numa cidade que é sinônimo de lojas independentes sensacionais de LPs, New York, e abaixo irei descrever um pouco o feeling do lance todo…
O RSD foi criado por um sujeito chamado Chris Brown, há três anos. Brown e mais alguns amigos resolveram fundar um site (recordstoreday.com) e celebrar uma vez por ano a cultura que envolve as cerca de 700 lojas independentes de discos dos EUA. O lance cresceu tão rapidamente que lojas inglesas, e também de toda a Europa, aderiram à comemoração, e hoje a data é festejada por colecionadores e lojistas do mundo todo, sempre no terceiro sábado do mês de abril. A primeira edição aconteceu em 2008 e foi oficialmente aberta pelo Metallica, dentro da Rasputin Records, uma loja de discos de São Francisco.
Lojistas, clientes, músicos e selos se unem para celebrar a arte de comprar e vender discos, tudo de forma independente. Shows intimistas acontecem gratuitamente dentro das lojas, promoções relâmpago são promovidas, DJs assumem suas pick-ups, e ainda rolam meet and greet com artistas, tardes de autógrafos, performances acústicas, body painting, paradas, concursos, e muito mais. Os próprios músicos incentivam totalmente o RSD e a cereja do bolo da festa são os lançamentos exclusivos, lançados de forma limitada para serem comercializados somente no RSD e nas lojas independentes participantes do evento. Segundo o site oficial do RSD, só são aceitas na festividade, lojas independentes, reais e “vivas”. Sites, grandes cadeias, livrarias e demais “gigantes corporativos” não são aceitos e muito menos bem vindos.
Os itens exclusivos do RSD movimentam uma quantia considerável nas lojas, e são geralmente compactos e EPs em vinil, numerados e exclusivos para o dia festivo. No sábado, as bolachinhas são disputadas a tapa nas lojas, e no domingo, muitos deles já estão no eBay a preços exorbitantes, sendo leiloados por colecionadores do mundo todo. Detalhe: cada cliente só pode comprar uma unidade de cada item, justamente para “evitar o inevitável”, ou seja, esse tipo de superfaturamento no eBay.
Dentre os lançamentos exclusivos desse ano (veja lista mais abaixo) o do John Lennon foi o mais disputado, sendo que por volta do meio dia do sábado o item já havia se esgotado em todas as lojas de Manhattan. Consegui uma cópia com muito sufoco…
Para conseguir meu Singles Bag do Lennon, cheguei cedo, às 10 horas da manhã numa loja do Village, a Rebel Rebel, que ficava próximo do meu hotel (o legendário Chelsea). Cheguei em frente a vitrine da Rebel Rebel e o proprietário estava abrindo seu estabelecimento. Seu funcionário colocava na calçada as caixas de plástico repletas de LPs de um dólar; enquanto isso um grupo de cerca de seis pessoas se acotovelava na frente da vitrine para tentar pescar algum peixinho exclusivo do RSD. Com a luz da loja ainda apagada, com tudo escuro lá dentro, o pessoal começou a entrar e o dono avisou que os discos exclusivos do RSD estavam em duas caixas de papelão, bem no meio do corredor. Consegui colocar debaixo do braço um EP do Jimi Hendrix ao vivo e estava buscando principalmente o Singles Bag do Lennon e o compacto de 7” do Them Crooked Vultures. Os itens iam evaporando na escuridão: Springsteen, Morrissey, REM, Lennon, Neil Young e Lady Gaga eram os mais disputados. Nisso, avisto um Singles Bag num mostruário atrás do balcão, e parto em direção a ele; faltava poucos segundos para a minha comemoração, quando, simplesmente do nada, chega uma moça falando no celular e com um carrinho de bebê… Ela esbarrou no meu pé, me deu um tranco de leve, um sorrisinho amarelo e pediu para o lojista a última cópia do bag do Beatle… “Amor, acabei de achar aquele do Lennon que você me pediu hoje no café da manhã!”, era o que ela falava com o sortudo do marido pilantra… Cheguei a desconfiar: “Será que aquela garota estava carregando um boneco no carrinho, só para ter preferência na hora de fisgar os discos nas pequenas e apertadas lojas?” Você sabe do que estou falando, nessas horas o racional nos abandona por completo…
Paguei o meu Hendrix e rumei para a próxima loja, caminhando pelo agradável West Village (e pensando que ali andavam Hendrix, Dylan, Al Kooper e muitos outros). A próxima parada foi na excelente Generation Records. Maior e bem mais organizada do que a Rebel Rebel, ali eles tinham um quadro de avisos branco com todos os lançamentos exclusivos do dia. Para meu desespero, muitos já estavam “riscados,” ou seja, já haviam esgotado, e olha que era ainda antes do meio dia. Mesmo assim consegui pegar alguns itens pra minha coleção, como o compacto dos Stones com “Plundered My Soul” (uma inédita das sessões de Exile On Main Street!); e um compacto picture do Coheed and Cambria. A loja é sensacional; maior moçada descolada conversando dentro e fora da loja; no primeiro andar, CDs e DVDs; no andar subterrâneo, vinil, compactos e camisetas transadíssimas. Ali embaixo também iriam começar a rolar shows exclusivos de músicos “habituês” do local. Pra melhorar ainda mais, a loja tinha dois caixas, um na parte inferior e outro na parte superior. O da parte superior era infinitamente melhor, com uma garota maravilhosa toda tatuada e mal encarada, trajando uma shirt vintage do Nuclear Assault e ouvindo Celtic Frost no volume 11! A beldade atente pelo nome de “Rusty” e no site da loja ela dá umas dicas dentro do menu “Staff Picks”. Acabei de olhar lá e a dica dela pra essa semana é Doom, Kreator e Witchcraft, sem contar que o avatar dela no site é a “Moranguinho”. Eu amo NY…
Várias lojas bacanas estão no Village, algumas delas na Bleecker Street. A própria Bleecker Records é parada obrigatória, com uma vitrine que já faz você arrancar seus cabelos. Mesmo esquema da Generation: CDs e DVDs na parte de cima e LPs e compactos na de baixo. Tudo impecável, organizado e limpo. Mais aquisições do RSD: compactos dos Doors, Neil Young, Elvis e um duplo do Rodriguez, compositor cult de Detroit que recentemente foi redescoberto. Mas faltava ainda o maldito Singles Bag do Lennon…
Rodei por mais algumas lojas: Village Music World, Record Runner, Rock and Soul Records, Bleeckerbobs, Gimme Gimme Records e Other Music. Várias aquisições bacanas: Spirit, Beacon Street Union, Sly And The Family Stone, Idris Muhammad, Savoy Brown, Holy Moses, The Fugs, etc. Tudo num preço excelente.
O evento bizarro do dia aconteceu na loja Kim’s Video & Music. Lá estava eu comprando algumas revistas (Shindig, Waxpoetics, o livro/compilação sensacional da Bomp) e alguns CDs (a nova edição de luxo do Raw Power, Iggy and the Stooges) quando de repente acontece algo cinematográfico: o dono do estabelecimento sai do balcão e começa a quebrar boa parte de sua própria loja, e na frente dos clientes! Protegi tudo debaixo do braço (como todo bom “bolha”, vai que ele quebra o que eu estou querendo comprar…), e só fiquei sacando… O cara teve um acesso de fúria e jogou tudo o que estava no balcão no chão. O barulho foi alto e todo mundo parou e ficou olhando para o cara, sem entender o que estava acontecendo. O clima ficou péssimo, aguardei um pouco e fui pagar. O cara estava resmungando, olhando pro chão e xingando sem parar um de seus funcionários. O carinha do caixa, suava em bicas e fazia de tudo para cobrar os meus itens o mais rápido possível. Saí dando risada, pois tinha participado, ao vivo e a cores, de um episodio “alta fidelidade” total! Coisa de louco.
Saí da loja e com várias sacolas debaixo do braço parti para outro point obrigatório de NY, o antigo prédio na St. Marks Place onde foi clicada a foto que ilustra Phisical Graffitti do Led Zeppelin. O prédio está mal cuidado, mas continua idêntico ao da foto, e tem até um brechó com o nome do disco na parte de baixo… Ficar alguns minutos olhando o prédio do outro lado da rua é um programa bem interessante. Parece que você está olhando para a capa do elepê.
Minha aventura terminou na J&R, um complexo de várias lojas que toma conta de um quarteirão inteiro na parte Sul da ilha de Manhattan. Por incrível que pareça, a loja (que também vendia discos) fazia parte do RSD, e adivinhe o que eu achei lá? Meu tão procurado Singles Bag do John Lennon…
Você pode dizer que eu sou um bolha, mas como Lennon dizia: “I’m not the only one”…
Principais lançamentos do RSD (18/04/2010)
Jimi Hendrix – Live At Clark University (cinco faixas gravadas ao vivo em 1968, vinil colorido de 12”). 5000 cópias.
The Rolling Stones – Plundered My Soul (compacto de 7” numerado, contend no Lado A um tema inédito das sessões de gravação de Exile On Main Street). 10.000 cópias.
John Lennon – Singles Bag (o item mais cobiçado do RSD deste ano: três compactos, três postais, um pôster e um adaptador de vitrola exclusivo para tocar 45 rotações, tudo acondicionado num bag de papelão numerado). 5000 unidades foram prensadas.
Elvis Presley – That’s Alright Mama/Blue Moon Of Kentucky (réplica do primeiro compacto do mestre pela Sun Records, inclui download gratuito). 2000 cópias.
Flaming Lips – Dark Side Of The Moon (a banda recriando o clássico do Floyd, num vinil verde de 12”). 5000 cópias.
The Doors – People Are Strange/Crystal Ship (compacto de 7” em comemoração ao lançamento do novo filme da banda). 2500 cópias.
Moby Grape – Rounder/Sitting By The Window (compacto de 7” com duas faixas ao vivo registradas em 1967 e 1969). 2000 cópias.
Roky Erickson – True Love Cast Out All Evil (um advanced em elepê de 12” do novo disco do mestre). 1000 cópias.
E mais: Ramones, Blur, The Rationals, Sonic Youth, REM, Mastodon, Jeff Beck, Muse, Pantera, Neil Young, Fela Kuti, Weezer, Buddy Guy, Wilco, Drive By Truckers, etc.
Localizado entre a sétima e a oitava avenida, o Chelsea é um pedaço da história do rock, da arte e da poesia. A lista de moradores temporários do hotel é imensa: Bob Dylan, Janis Joplin, Patti Smith, Leonard Cohen, Arthur C. Clarke, Dylan Thomas, Sid Vicious, Alice Cooper, Jimi Hendrix, Jobriath, John Cale, Madonna, Dee Dee Ramone, Tom Waits, Joni Mitchel, Janis Joplin, Robert Mapplethorpe e boa parte do staff da Factory de Andy Warhol.
O hotel foi construído em 1884, e ali muita coisa aconteceu, desde orgias com o pessoal do Grateful Dead e Canned Heat, até mortes como a de Dylan Thomas e de Nancy Spungen, assassinada por Sid Vicious num dos quartos. Sobreviventes do Titanic também moraram ali por um tempo, assim como marinheiros que voltaram da Primeira Guerra Mundial. Muitos artistas e pintores também viveram, ou vivem no Chelsea; muitos deles pagavam suas hospedagens com obras de arte, que hoje ilustram o magnífico hall de entrada e corredores.
A escadaria, toda trabalhada, é um caso a parte. Vários livros já foram escritos sobre o local, como Legends of the Chelsea Hotel: Living with the Artists and Outlaws at New York’s Rebel Mecca de Ed Hamilton e Chelsea Horror Hotel: A Novel, de Dee Dee Ramone. Turistas do mundo todo passam pra dar um alô, e o clima decadente/despojado/fantasmagórico do Chelsea ainda causa arrepios…
Para quem curte música e arte, New York é fenomenal. Obrigatória uma passagem pelo topo do Empire State Building, mesmo se tiver fila vale a pena. Dei sorte, pois o dia que eu fui estava bem vazio. A visão lá de cima é impactante, com todos os arranha céus parecendo uma maquete. Essa foto à sua esquerda foi tirada por mim lá de cima.
Outros pontos obrigatórios são o Central Park, o parque mais lindo que já vi na vida, batendo inclusive o Hyde Park de Londres. Separe um dia inteiro para o parque… Dali, dê uma passada pelo Strawberry Fields e depois pelo Dakota. No Strawberry Fields, flores, fãs e oportunistas vendendo quinquilharias de Lennon. Em frente ao Dakota, o clima pesa e bate uma tristeza daquelas, é bom ir preparado emocionalmente…
O Harlem é muito bacana também, o ideal é ir num domingo bem cedo e pegar uma missa Gospel numa das igrejas locais. Pela hora do almoço a dica é passar pela fachada do Apollo, templo sagrado da música negra que continua bombando, inteiramente restaurado.
Outro passeio extremamente agradável é dar uma passeada pelo High Line. Imagine algo como o “Michocão” paulista, transformado num fabuloso jardim suspenso, com muito verde, cadeiras para ler e descansar, e muito mais… O High Line é isso, um pouco de verde e tranquilidade bem no meio do agito de Manhattan. Indo até o fim do High Line você cai no Meat Packing District, zona da cidade que era bem degradada, cheia de galpões, frigoríficos e armazéns. Hoje é uma região super valorizada, com hotéis de luxo, excelentes restaurantes, lojas de grife e galerias de arte. O destaque é a exposição Icons, de um artista independente chamado Mr. Brainwash. Num galpão gigantesco (mais subsolo), Mr. Brainwash criou esculturas de pneu, pinturas e grafites com spray e gravuras montadas com milhares de pedaços de discos de vinil, montando imagens bacanas de bandas como AC/DC, Stones, Velvet, Floyd, Kiss; e artistas como Marvin Gaye, James Brown, Louis Armstrong e muitos outros. Total rock e total NY, imperdível! Outras maravilhas da cidade: o belíssimo e pomposo Grand Central Terminal (ou “Station”), que funciona desde 1871; o Metropolitan Museum of Art (o andar do Egito é de tirar o fôlego); o Lincoln Center for the Performing Arts (obrigatório conferir concertos eruditos na luxuosa sala e também nomes consagrados do jazz, tudo por um preço ok); os clubes noturnos de jazz e blues do Village; as lojas de instrumentos musicais vintage, e as livrarias gigantes (com uma seleção inimaginável de livros e revistas sobre música).
Confesso que o Times Square me decepcionou… Mico total, um baita monte de gente (claro, todos turistas) se trombando e tirando foto de um monte de letreiros luminosos e neon por todo lado. A Broadway também é esquisita, muita gente e empurra empurra.
Ali no meio do agito desagradável, um point obrigatório, o B.B. King Blues Club & Grill, com dois palcos excelentes, boa música e comida acima da média. Na parte gastronômica, o macarrão com molho picante e camarão é a melhor pedida. Na noite que visitei o bar do mestre, num palco estava tocando uma banda local de blues, e no outro, Gary Wright, ex-integrante do Spooky Tooth. No sábado anterior, o Cactus havia se apresentado ali, e no dia anterior o Good Rats. Na programação, Uriah Heep e Three Friends (com alguns ex-integrantes do Gentle Giant), que tocariam nos próximos dias.
Falando em próximos dias, uma grande animação estava rolando comigo, pois eu iria assistir um cara que adoro, Mr. Ian Hunter, ex-líder do Mott The Hoople e responsável também por uma sensacional carreira solo.
O City Winery é uma das casas de shows mais agradáveis de NY, oferecendo ótima localização, acústica e carta de vinhos produzidos no próprio local (no porão). Ian Hunter, que recentemente esteve em Londres fazendo cinco noites sold out com seu Mott The Hoople, voltou a Manhattan por quatro noites no City Winery, e eu tive a sorte de conseguir um disputado ticket para a primeira noite.
Hunter está com uma banda de apoio fenomenal, entrosada e muito competente. Com isso sobra tempo pra ele, que está com 71 anos, deitar e rolar em seu extenso repertório: “Once Bitten Twice Shy,” “Cleveland Rocks,” “Saturday Gigs,” “Death of a Nation,” (baseada no september eleven) “Man Overboard,” “Roll Away The Stone,” “All The Way From Memphis,” “Sweet Jane” do Velvet, e “Central Park ‘N’ West/New York, New York,” (faz todo o sentido ouvir essas duas últimas em plena NY. De arrepiar). Talvez o mais novaiorquino singer/songwritter britânico, pois morou vários anos em Manhattan e sempre declarou sua paixão pela cidade, Hunter está em plena forma; cantando e brincando com a plateia o tempo todo, tocando gaita, violão, piano e guitarra.
O final foi apoteótico, com Hunter recrutando todos os presentes: “Hey you! I wanna hear ya!” Sim, era “All The Young Dudes” o hino glam de Bowie imortalizado pra sempre pelo Mott The Hoople. Hunter ainda atendeu a pZ para um papo rápido, veja no post mais abaixo…
E aqui alguns vídeos dessa noite histórica com Mr. Hunter em NYC…
poeira Zine – É difícil ser Ian Hunter em 2010?
Ian Hunter – Que nada, é a maior moleza!
pZ – Qual a coisa mais maluca que Guy Stevens fez quando estava produzindo vocês?
IH – Ele tacou fogo no estúdio com a gente dentro…
pZ – O Queen abriu pro Mott em 1974. Lembranças?
IH – Caras bacanas… Freddie ficava andando de cima pra baixo nos bastidores dizendo: “Por que esses bastardos estúpidos nunca sacam o que gente está fazendo?” Pelos EUA foi mais devagar… Foi ok, mas não foi maravilhoso.
pZ – Qual a melhor lembrança de tocar novamente com Mick Ronson e David Bowie no tributo ao Freddie Mercury?
IH – Nos ensaios os outros músicos somente aplaudiram efusivamente em duas ocasiões; uma foi com o George Michael, e outra foi quando a gente tocou “All The Young Dudes.”
pZ – Se Mick Ronson voltasse pra Terra por alguns instantes, o que vocês tocariam antes dele sumir no horizonte novamente?
IH – Não tocaríamos nada… Iríamos tomar algumas cervejas e dar boas risadas, isso sim. pZ – No seu livro Diary of A Rock’n’Roll Star você compilou os altos e baixos da vida na estrada. O que aconteceu naquela caótica tour de cinco semanas do Mott pelos EUA em 1972?
IH – Tudo o que eu queria dizer sobre isso já foi dito…
pZ – Tem dia que falta inspiração?
IH – Tem anos que faltam inspiração. É a vida.
pZ – O que fez seu álbum solo You’re Never Alone With A Schizophrenic ser tão bacana?
IH – Uma combinação de boas músicas, bons músicos, bons engenheiros de som e um bom estúdio.
pZ – Se você tivesse a chance de passar um tempo com alguém que não está mais entre a gente, mas que foi uma grande inspiração pra você, quem você escolheria? E o que você perguntaria para essa pessoa?
IH – Todos os caras que eu gosto ainda estão conosco…
pZ – Como anda o seu público atualmente?
IH – Um pouco de tudo, mas a maioria é composta por um pessoal de idade mais avançada.
pZ – Qual foi o primeiro astro que você assistiu ao vivo?
IH – Buddy Holly.
pZ – E o último?
IH – Amy Space.
pZ – O Mott The Hoople teve um ilustre fã que quase nenhuma outra banda teve, David Bowie. Ele realmente ajudou a banda ou acabou com ela?
IH – Toda banda recebe ajuda pelo caminho… Guy Stevens, e depois Bowie, apareceram numa época crucial pra gente. Bowie ajudou, mas “All The Young Dudes” acabou de vez com a banda, pois todo mundo só queria ouví-la.
pZ – O que mantém você compondo e atuando ao vivo?
IH – Os jovens pensam que os velhos são irrelevantes, e eu gosto de provar que eles estão errados.
Muita gente sempre me dizia: “Quando você conhecer Londres, sua decepção vai ser imensa! O rock acabou por lá, o que pega agora é só música eletrônica…”. Claro que eu sabia que isso era o maior papo furado e finalmente conheci a “terra prometida” do rock n’ roll. Claro que muitos anos se passaram do auge do estilo, mas a cidade ainda respira rock n’ roll. As opções são muitas: shows todos os dias, clubes e bares roqueiros pela cidade, mega-festivais, lojas e sebos de discos que vão se segurando, etc.
Foram 20 dias pela Inglaterra, Escócia e Irlanda, onde assisti muitas bandas e artistas, alguns dentre os famigerados “preferidos da casa”. O marco zero desse roteiro foi o dia 4 de julho, data em que Jeff Beck se apresentaria no Royal Albert Hall.
Mapa aberto por cima da mesa, passei a traçar a minha “invasão britânica”. Sites das bandas, agendas dos shows publicadas nas revistas inglesas e pesquisas na internet foram fundamentais.
Bem vindo a bordo, e na sequência você confere as resenhas dos principais shows que peguei por lá…
Voltei para Londres para conferir o último show da minha tour particular e esse seria muito especial. Talvez o melhor guitarrista vivo tocando num dos mais lendários templos da música mundial. Nesse dia 4 de julho eu já acordei com um frio na barriga.
O Royal Albert Hall foi inaugurado em 1871, para suprir uma vontade do príncipe Albert, marido da rainha Victoria, que pretendia num único local reunir e promover o entendimento e a apreciação das artes e ciências. Por ali passaram gênios da nossa história; tocando, encenando, regendo, fazendo discursos ou estudando: Wagner, Verdi, Elgar, Rachmaninov, Winston Churchill, Nelson Mandela, Dalai Lama, Frank Sinatra, Liza Minnelli, Jimi Hendrix, The Beatles, Oscar Peterson, The Who, Miles Davis, Led Zeppelin, Cream e muitos outros. Quando se avista o RAH e vai-se chegando mais perto de sua arquitetura única, o peso de toda essa história parece que vai mexendo com você, uma experiência inesquecível.
Na entrada, fãs de todas as idades iam se preparando para assistir Beck, a estrela principal, muito bem acompanhado do sensacional baterista Vinnie Colaiuta, da baixista Tal Wilkenfeld e do tecladista Jason Rebello. Para o próprio Jeff Beck foi uma honra encerrar sua tour britânica no RAH, como ele mesmo confessou em seu blog. Um convidado especial estava para dar as caras naquela noite; nas revistas especializadas e na internet, fãs do mundo todo apostavam nas possíveis canjas: Clapton, Page e Rod Stewart eram os mais cotados, mas para a surpresa de todos nenhum desses apareceu e sim uma outra lenda do rock inglês…
Ao entrar no RAH me impressionou o tamanho do lugar, bem menor do que eu esperava. Nos vídeos o interior do teatro parece enorme, mas na verdade ele é bem aconchegante e pequeno por dentro. Sentei na minha cadeira e fiquei uns bons minutos só apreciando a arquitetura imponente do lugar e pensando em quem já tinha pisado naquele palco. Torres de PA e iluminação são presas por cabos de aço no teto do teatro, não agredindo sua arquitetura original e isso é impressionante.
Depois de um show de abertura da cantora Imelda May (que também participou do show do guitarrista), Beck (todo de branco, pra combinar com a sua Strato) e sua banda entraram no palco e foram ovacionados de pé por um RAH completamente lotado. Na sequência Beck apenas olhou para Colaiuta, que deu um golpe em sua caixa e começou a introdução de “Beck’ Bolero”. O que eu poderia querer mais? “Deus, pode me levar agora que eu sou o cara mais feliz do mundo!”. O já tradicional “arrepio” se fez presente novamente e vamos para o show…
O set-list foi bem parecido com o do show no Ronnie Scott’s (que virou CD e DVD no ano passado): “Beck’s Bolero”, “Eternity’s Breath” (de John McLaughlin), “Stratus” (de Billy Cobham), “Cause We’ve Ended as Lovers”, “Behind the Veil”, “Nadia”, “Led Boots”, “Scatterbrain”, “Goodbye Pork Pie Hat/Brush with the Blues” e outras. Nada mais apropriado do que a versão de Beck para “A Day in the Life” dos Beatles para encerrar o show. Estava decidido: essa era a música oficial da minha “tour”, tocada por Neil Young e Paul McCartney e agora pelo Jeff Beck…
Para o bis, todo o RAH de pé aguardando o convidado especial da noite e para a surpresa geral surge no palco David Gilmour, todo de preto (também combinando com sua Strato e contrastando com o branco de Beck). A dupla tocou primeiro uma versão de “Jerusalem”, para muitos ingleses e para o Rei George V o verdadeiro “hino” da Inglaterra, originalmente um poema de William Blake musicado pelo compositor Hubert Parry, em 1916. A interação de Beck e Gilmour com suas Stratos no delicado tema levou todos às lágrimas. Assim como o RAH, aquilo já era parte da história do rock, feita ali diante de meus olhos e ouvidos…fica realmente difícil de descrever a grandiosidade desses dois guitarristas e do tema em si. Logo depois a dupla ainda executou “Hi Ho Silver Lining”, o primeiro compacto da carreira solo de Beck, onde ele “canta”. E foi exatamente isso que ele fez nessa noite incrível, cantou a música, alternando os versos com Gilmour e com a alucinada platéia do RAH. Tudo terminado, a dupla se abraça e sai do palco para o êxtase generalizado do público.
Beck ainda voltou para mais um encore, dessa vez somente acompanhado pelas teclas de Jason Rebello em “Where Were You”. Sem trocar uma palavra com o público, Beck foi regendo seu instrumento como nenhum outro mortal sequer imagina fazer, levando a platéia quase a um estado de transe coletivo. Em alguns instantes era possivel ouvir a respiração do público. Nunca presenciei algo parecido em toda a minha vida!
Só me resta terminar com uma frase do próprio Beck se referindo a esse show em seu blog oficial: “The crowd were amazing that night and I loved every minute of it”.
Claro que Londres é mesmo o local onde tudo acontece. É impressionante a agenda da cidade; as exposições, os museus, as livrarias e bibliotecas, as feiras, os sebos, as casas de show, os parques, os pubs e tudo mais. Em poucos dias você tem a sensação de ter vivido anos, tamanha a intensidade de coisas acontecendo ao mesmo tempo. O mais difícil é voltar para o nosso Brasil, onde o rock sempre custa a rolar… Mas como dizia Eddie Cochran: “Sometimes I wonder / What I’m-a gonna do / But there ain’t no cure for the summertime blues…”.
Depois de cinco noites londrinas seguidas de muitos shows, parti para a Escócia de trem, numa belíssima e bucólica viagem que durou quatro horas. Cheguei na belíssima e medieval Edimburgo, a capital da Escócia, e logo fui me preparando para assistir uma das minhas bandas favoritas, o Steely Dan.
O Playhouse de Edimburgo era originalmente um cinema, construído com base no Roxy Theatre de Nova Iorque, em 1929. Nos anos 70 deixou de ser um cinema e quase foi demolido. Chegando nas mãos do proprietário certo, o magnífico e charmoso Playhouse se tornou uma das casas mais conceituadas de toda a Grã-Bretanha. A acústica do lugar é perfeita e ninguém melhor do que o Steely Dan para tirar o melhor proveito disso. Antes deles, tivemos um aquecimento com o jazz do Toon Roos Quartet.
Hoje em dia é um privilégio poder assistir uma banda com 37 anos de estrada que ainda conta com seus protagonistas, neste caso Donald Fagen e Walter Becker, “o” Steely Dan propriamente dito. Além da dupla, o Playhouse recebeu uma banda de apoio de dez integrantes, com naipe de metais, backing vocals, o tecladista Jim Beard, o baixista Freddie Washington, o espetacular batera Keith Carlock e o genial guitarrista Jon Herington. Essa turma subiu no palco e fez um apropriado aquecimento bem jazzy e cool, que serviu como pano de fundo para a estrondosa entrada de Fagen e Becker no palco.
Assistir Donald Fagen reger essa imensa banda e Walter Becker tocar sua guitarra com uma seriedade e concentração absurda foi apenas um pequeno detalhe dentro das exatas duas horas de um show impecável em todos os sentidos.
A escolha do repertório foi perfeita: “Josie”, “Two Against Nature”, “I Got The News”, “Daddy Don’t Live In that New York City No More”, “Aja”, “Black Cow”, “Kid Charlemagne”, “Hey Nineteen”, “Green Earrings”, “My Old School”, “Black Friday”, “Bad Sneakers”, “Show Biz Kids”, “Peg”, “Babylon Sisters”, “Kid Charlemagne”, “Boston Rag” e outras. Até o calado Walter Becker entrou no clima despojado da apresentação e disse pra platéia num certo ponto do concerto: “O que pode ser mais legal do que tocar um domingo a noite aqui na bela Edimburgo?”.
Um ou outro fã pode ter saído do Playhouse com reclamações do tipo: “Eles não tocaram ‘Do It Again’ e ‘Rikki Don’t Lose That Number’…”, mas eu realmente não estava nem aí pra isso. O show foi perfeito, seguindo a risca todas as minuciosas e prováveis exigências dos perfeccionistas Fagen e Becker. Numa única noite você tem um pouco de tudo do que é bom na vida: free jazz, be-bop, ritmos latinos, pop e virtuosismo na medida, temas de trilhas sonoras e funk pesado. Literalmente um desbunde.
Essa foi a terceira apresentação (também sold out) da Left Bank Holiday’ 09, uma tour européia de 12 datas que além do Reino Unido passou pela Itália, Holanda, Bélgica, Suíça e França. Como diz um amigo inglês: “How Cool Is That”…
Esse festival rola todo ano em Londres, sempre num fim de semana do verão. São três dias e nessa edição os headliners foram a banda Killers, Bruce Springsteen e Neil Young. No sábado, ao lado de Young, tocaram Pretenders, Seasick Steve, Ben Harper e Fleet Foxes.
O que é muito bacana nesses festivais de verão pela Europa é clima “enjoy” do evento. Sem brincadeira, deu pra se sentir em São Francisco em 1967: famílias inteiras curtindo, criançada por todo lado, todo mundo chapadão numa boa… Enquanto o Fleet Foxes estava no palco então o clima foi sixties total, inesquecível. O show deles foi ótimo e os caras estão detonando em todos os festivais europeus, além de serem a capa da revista Mojo enquanto esse show estava rolando.
Depois do neo-folk e dos Fleet Foxes veio Neil Young, que no dia anterior tinha encerrado a primeira noite do festival de Glastonbury. Aos 63 anos de idade, chega a ser impressionante ver Young com a energia de um garoto, fazendo shows gigantescos e geralmente sem nenhum dia de intervalo entre eles. Surreal! Eu tinha visto Neil em Dublin, cinco dias antes, e nesse meio tempo ele tocou em Nottingham, Aberdeen (Escócia) e em Glastonbury!
Esse show do Hyde Park era o último da tour européia dele e claro que surpresas poderiam acontecer, mas juro que eu não estava sequer pensando nisso… Assistir Young mais uma vez, no belo e imenso Hyde Park, e naquele clima agradável de festival, estava sendo também uma experiência única na minha vida. Nem as nuvens carregadas e até mesmo a chuva que caiu por alguns minutos durante o show atrapalhou a festa.
Pra minha sorte o show foi bem diferente do que o da Irlanda, já que no Hyde Park Young trocou algumas músicas e executou demais clássicos de seu repertório como “Heart Of Gold”, “The Needle And The Damage Done”, “Comes A Time”, “Old Man”, “Unknow Legend” e “Fuckin` Up”, essas que não deram o ar da graça em Dublin.
Depois de “Rockin`In The Free World”, Young se despediu e voltou com “A Day In The Life”, emocionante como sempre, ainda mais pelo fato de estar sendo cantada simplesmente por todo mundo, desde o guarda até o sujeito que vendia hot dog… Quando pinta aquele segundo trecho da canção, a surpresa maior: entra no palco ninguém menos que Paul McCartney! Sim, o próprio, que já entrou abraçando Young e cantando com ele o trecho da música que é de sua autoria (as outras estrofes são de Lennon).
A simples presença de Paul no palco causou uma espécie de tremor no solo sagrado do Hyde Park, foi realmente insano o feedback da galera. Maca estava realmente empolgado e ficou abraçando e saudando Young a todo instante, parecia um adolescente vibrando com o rock n` roll, como vocês podem conferir no vídeo que está no You Tube. Nessa altura eu já não sabia se eu estava na Terra ou no paraíso.
Cantar junto com duas das maiores lendas do rock n`roll e ao lado de milhares de ingleses não tem preço. Vou contar para os meus netos, resta saber se eles vão acreditar aqui no vovô…
Esse era um dos shows que eu estava aguardando com mais ansiedade e posso garantir que Londres quase parou nessa sexta-feira. E olha que não era pela noticia da morte do Michael Jackson.
No hotel onde eu estava hospedado, logo no café da manha deu pra sacar que aquele seria um dia especial. Fãs de toda as idades e nacionalidades trajavam camisetas da atual tour do grupo e, em silêncio, faziam uma espécie de saudação entre eles. No metrô, durante todo aquele dia foi a mesma coisa, impressionante. Quando me dirigi em direção à longínqua estação Wembley Park do metrô, meu coração batia mais forte, depois de 13 anos eu estaria vendo o AC/DC novamente e dessa vez com a abertura do Thin Lizzy…
É muito difícil comparar esse show com o que assisti em 1996, no estádio do Pacaembú, em São Paulo. São outros tempos… Naquela ocasião vi o show das cadeiras numeradas e posso garantir que não existe ver show do AC/DC sentado. Então claro que agora eu iria me redimir perante os deuses do rock e iria partir pra guerra, lá no meio da galera. E essa guerra começou da forma mais bem sadia do mundo, com copos de cerveja voando por todo lado. Parecia que São Pedro estava mandando tonéis de Heiniken para todos nós, hilário! Outro ponto a favor desse show em função daquele de 1996: o disco que a banda estava promovendo em cada ocasião. Ballbreaker é muito legal, claro, mas Black Ice é um arraso e isso ficou claro quando milhares e milhares de pessoas cantaram letra por letra da faixa de abertura do show (“Rock n`Roll Train”) e de outras do mesmo disco apresentadas essa noite: “Anything Goes”, “Big Jack”, “Black Ice” e “War Machine”. Os minutos iam passando e infelizmente fiquei sabendo ali na hora que o Thin Lizzy havia cancelado sua apresentação. Claro, não existe Lizzy sem Lynott, mas seria uma “boa banda cover de luxo” para esquentar a festa. No lugar do Lizzy veio uma banda nova chamada The Subways. Meia boca…
A abertura do show do AC/DC merece ser descrita… No imenso telão que toma conta de todo o fundo do palco, uma animação totalmente sacana mostra o capeta Angus Young se deleitando com duas garotas numa locomotiva. Com a temperatura crescendo dentro da locomotiva, sons esmagadores da mesma ecoam nos PAs e deixam a moçada completamente insana, até que o telão racha no meio e a própria locomotiva invade o palco trazendo Angus em carne e osso, já mandando ver no riff de “Rock n` Roll Train”. Esmagador!
Logo depois temos “Hell Ain`t A Bad Place To Be” e sim, o inferno tão sonhado por Bon Scott era instaurado no Wembley, com várias garotas mostrando tudo o que tinham direito para aparecer no telão. Na sequência o grupo emenda “Back In Black” e “Big Jack”, outra do novo álbum.
Na pista, gente do mundo todo se abraçava e cantava junto, todos nós batizados pela cerveja que “o Pedrão jogava lá de cima”, sério, parecia cena de filme. “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” tem sabor especial, pois foi com ela (e com um disco de mesmo nome) que o AC/DC chegou da Austrália e bombardeou Londres em 1976. “Shot Down In Flames”, “Thunderstruck”, “Black Ice” e “The Jack” também surgiram, essa última com o tradicional strip tease de Angus.
Na dobradinha “Hells Bells” e “Shoot To Thrill” brilha a figura tímida do maior guitarrista base da história do rock, Malcolm Young, o braço direito mais firmeza desse troço todo que a gente chama de rock. Com ele, Phil Rudd e Cliff Williams montam uma espécie de fortaleza sonora, por onde Angus e Brian Johnson passeiam com maestria.
Depois de mais duas do novo álbum (a pop “Anything Goes” e a pesadona “War Machine”) vem “You Shook Me All Night Long”, com a mulherada indo ao delírio.
“T.N.T.” contou com o coro afiado da galera e em “Whole Lotta Rosie” (com a “gordona inflável” sentada na locomotiva), o que já estava sendo apresentado de forma empolgante ganhou ares de violência pura. Impressionante!
Depois de toda aquela catarse sonora, Angus e os rapazes ainda tiveram gás de emendar os quase vinte minutos de “Let There Be Rock”, o hino. Durante a canção, cheguei à conclusão de que todos estávamos sendo batizados e de que um show do AC/DC só pode ser algo espiritual. A energia que Angus Young emana de seu minúsculo corpo envolve as milhares de pessoas do estádio de forma assustadora. No meio do gramado ele ressurge do nada e sola sua SG como se tivesse novamente 18 anos de idade. Se joga no chão e uma chuva de papéis picados explode pra cima da galera. Contra a luz, é possível ver a cachoeira de suor que pula do corpo do guitarrista. Como pode um cara de 54 anos de idade fazer isso? Pois é, isso eu estou me perguntando até agora…
Não é a toa que os ingressos para esse show estavam esgotados desde janeiro. Foi uma loucura conseguir um ticket, mesmo com certa antecedência.
Pelo que vi no Wembley, e em Londres nesse dia, posso garantir sem medo que em pleno ano de 2009 o AC/DC é a maior banda de rock do mundo.
Depois de uma breve pausa a banda ressurge com “Highway To Hell” e “For Those About To Rock (We Salute You)”, com a tradicional salva de tiros de canhão homenageando todos nós que estávamos ali celebrando na verdade um estilo de vida.
High Voltage Rock n` Roll!
No dia seguinte ao show do UFO lá estava eu novamente no SBE, dessa vez pra conferir um dos shows mais concorridos do verão britânico, a estréia do Chickenfoot nos palcos ingleses. Completamente sold out, o show estava agendado para as oito da noite e sem banda de abertura. Cheguei meio em cima da hora nas redondezas do local e parei para um lanche rápido.
Enquanto estou praticamente engolindo meu sanduba, entram dois caras pra “dar uma mijada e sair fora”, eram os caras do Thunder. Banda completamente desconhecida aqui no Brasil, mas idolatrada na Inglaterra… foi divertido. Parti para o SBE e para o meu espanto o lugar estava completamente abarrotado de gente. Chegar na pista e, consequentemente, mais perto do palco foi uma árdua batalha, mas consegui, e minutos depois a banda entrava no palco.
Faziam cerca de 14 anos que Sammy Hagar e Michael Anthony não pisavam na Inglaterra; a última vez tinha sido quando o Van Halen abriu para o Bon Jovi no Wembley Stadium, em 1995, então os caras estavam com sede de vingança. A banda literalmente deu o sangue nessa estréia pela Inglaterra.
Sammy Hagar parece um moleque de 25 anos de idade, agitando, gritando e entretendo a galera durante todo o set. Quando ele e Michael dividem o microfone é impossível não se lembrar do Van Halen e assim o show vai seguindo com muita energia. Foi legal ver e ouvir Satriani “jogando pro time”, ou seja, acompanhando a banda mesmo, segurando várias bases pesadas e cheias de groove. Claro que nos solos ele deitava e rolava, mas sem aquela coisa mais maçante que rolam em seus shows solo, aqueles solos individuais intermináveis. O palco dos caras também merece destaque, com o símbolo da banda no fundo e no chão do palco, além de torres de iluminação que mudavam de cor e acompanhavam as batidas da música, como num medidor VU dos aparelhos de som mais antigos.
A platéia inglesa ficou na mão de Sammy desde o início e agitava sem parar, seja pirando com a guitarra altíssima de Satriani, com o baixo Jack Daniels de Michael Anthony ou com as porradas do gigantesco Chad Smith, esse o malucão de carteirinha da noite. Quando Sammy o apresentou, o batera subiu no banquinho da bateria e ficou pedindo pra galera gritar mais e mais alto com os braços. De repente o cara perde o equilíbrio e despenca lá de cima, fazendo com que não só a platéia mais a própria banda rachasse o bico. O tombo foi feio, mas logo Chad voltou para seu posto e mostrou o cotovelo, completamente ensaguentado!
Logo um roadie levou o microfone pra ele, que gritou: “I bleed for you London!”. O êxtase e as gargalhadas foram gerais. Dias depois desse show fiquei sabendo que parte da tour européia precisou ser adiada porque Chad se machucou feio num dos shows seguintes a esse de Londres… pudera, o cara é completamente insano e feroz!
O Chickenfoot tocou seu único e recente álbum na íntegra, com a galera cantando várias das letras. Rolaram também alguns improvisos e duas surpresas para o bis. Voltando para o palco, Hagar pegou o microfone e soltou: “Pessoal, a primeira vez que eu toquei aqui em Londres foi em 1973, quando eu cantava numa banda chamada Montrose e abrimos o show do Who, junto com o Humble Pie…”.
Uma facção da galera delirou e logo Hagar pegou uma guitarra e passou a debulhar no slide. Claro que era “Bad Motor Scooter”, clássico do primeiro álbum do Montrose! Rolou ainda um dueto de Hagar e Satriani nas guitas e depois veio a última canção da noite, “Highway Star”, do Deep Purple. Pra minha surpresa, os ingleses agitaram mais no som do Montrose do que no do Deep Purple. Será que a moçada inglesa não é tão ligada em Purple como nós aqui no Brasil somos? Sei lá, confesso que fiquei com a pulga atrás da orelha… Não curto esse tipo de conclusão, mas talvez se a banda tivesse mantido “Rock n’ Roll” do Zeppelin como tema de encerramento (como vinha fazendo na tour) o resultado ali com a platéia londrina talvez tivesse sido um pouco mais caloroso no encerramento da apresentação. Mas isso é apenas um detalhe, e claro que o Chickenfoot saiu totalmente ovacionado pelo teatro lotado.
Quando estavam terminando a execução de “Highway Star”, o batera Chad Smith enlouqueceu mais uma vez e saiu chutando sua bateria. Peças de seu kit voaram por todo o lado enquanto na frente do palco a banda toda agradecia… Do nada, o cara pega seu imenso surdo e arremessa para o alto, com direção ao meio do palco. Nisso vem passando o Sammy Hagar, acenando e sorrindo pro pessoal e nem dando conta do que acontecia ali atrás dele. Subtamente o surdo vem e acerta Sammy em cheio, fazendo inclusive com que seus óculos escuros voassem longe! Não sei como ele ainda está vivo depois dessa, mas foi assustador, todo mundo ficou em silêncio por alguns instantes. Tudo só voltou ao normal quando um preocupado Smith foi ajudar Hagar a se recompor do baque…
Logo eles estavam sorrindo e agradecendo a platéia novamente, com Hagar saindo do palco montado nas costas do baterista e dando socos nos ombros dele… O Chickenfoot literalmente botou a casa no chão!
O que também é muito bacana de assistir shows em Londres é ter a oportunidade de conhecer casas de shows históricas, como o caso do Shepherd`s Bush Empire. A casa tem um clima propositalmente decadente; trata-se de um teatro bem antigo, com balcões, colunas decoradas e tudo mais; ela fica um pouco distante do centro de Londres, mas como o metrô local possui uma “teia” impressionante de linhas e estações, o acesso é extremamente facilitado.
No caminho, já próximo do local do show, cruzei com o guitarrista Vinnie Moore. Ele estava com uma camiseta do Johnny Cash e eu com uma do Hendrix. Claro que ficamos olhando um para a camiseta do outro por alguns instantes enquanto andávamos… Foi engraçado, pois certamente ele tinha passado o som e tinha ido comer alguma coisa antes do show.
Cheguei no local e fiquei sacando o movimento dos fãs do UFO, aliás uma galera muito semelhante com o público deles daqui do Brasil, mais “em casa” impossível. A abertura ficou por conta dos novatos Raven Vandelle, que não me impressionaram. Depois de um breve intervalo lá estava eu na cara do palco, com o comecinho denso e pesado de “Faith Healer”, da Sensational Alex Harvey Band, tocando a todo volume nos PAs; e essa era o tema introdutório do show do UFO! Demais!
Logo surgem o batera Andy Parker, o guitarrista Vinnie Moore, o tecladista/guitarrista Paul Raymond e Phil Mogg (de kilt escocês camuflado) pra detonarem duas horas do mais puro hard rock inglês. Infelizmente Pete Way ainda está de molho, então infelizmente o baixo ficou a cargo de um cara sem um pingo de pegada. Mas esse foi o único ponto baixo do show.
Curiosa a postura do público inglês perante a banda: adolescentes, jovens e senhores juntos, cantando letra por letra e praticamente reverenciando os antigos sons do grupo. Lançando um novo álbum, The Visitor, o UFO veio com tudo e desfilou poucas músicas do novo trabalho, mas muitos de seus clássicos como “Doctor Doctor”, “Love To Love”, “This Kids”, “Only You Can Rock Me”, “Too Hot To Handle”, “I`m A Loser”, “Cherry”, “Rock Botton”, “Mother Mary”, “Ain’t No Baby” e “Shoot Shoot”. Em “Lights Out” foi muito legal cantar junto da galera o trecho “Lights Out, Lights Out In London” estando lá na própria Londres, coisa “de bolha”, é claro…
Foi bem legal também ver que Mogg continua em plena forma, que Andy Parker tem carisma e pegada de sobra (o bumbo do cara é poderoso), que Paul Raymond é mesmo uma lenda do rock inglês e que Vinnie Moore, apesar de não ser muito o meu estilo, encanta a molecada mais ligada em malabarismos guitarrísticos.
O som estava perfeito, como em todos os outros shows que assisti nessa viagem, e foi bem legal ver Mogg e Parker detonando como dois garotos.
Saí de Dublin e depois de um curto vôo de uma hora e dez minutos cheguei em Londres, já na parte da tarde. Peguei o metrô no aeroporto de Heathrow e desci na estação mais próxima do hotel, que ficava em Euston. Foi tempo suficiente para um banho e uma soneca de uma hora e meia… Eu tinha que correr, pois naquela noite rolaria o meu primeiro show em solo londrino.
Peguei novamente o metrô e sem ter visto praticamente nada da cidade desci no bairro do Soho, por volta de umas sete e meia da noite. Foi um choque e de muitos volts… Parecia que algo estava “transbordando”. Muita gente na rua: músicos, artistas e atores, pessoas jogando papo fora, casais de homens e mulheres pra todo lado… Pubs, teatros, bares, cafés, etc. O verão acabara de chegar e assim como em toda Europa os ingleses estavam na rua e nos pubs pra comemorar a chegada da estação.
Passei rapidamente por todo esse turbilhão e cheguei ao meu destino, o tradicionalíssimo bar Ronnie Scott’s, que está completando 50 anos de atividade esse ano. Deu pra sacar rapidamente que o respeitado local é freqüentado por um público selecionado: senhores aficionados por jazz, jazzheads, e até mesmo uma garotada antenada com rock clássico. Na entrada, uma lousa típica, escrita com giz e avisando: “Tonight: Terry Reid”. A banda de apoio também estava descrita, e logo me chamou atenção o pianista, Max Middleton, uma lenda do piano elétrico (Fender Rhodes) e do minimoog, que já tocou ao lado de Jeff Beck, Hummingbird, Streetwalkers, Kate Bush, John Martyn e Nazareth, entre outros. Além dele, Reid estava acompanhado de um jovem e excelente guitarrista chamado Eddie Rainey e também de uma cozinha fenomenal.
Devo confessar que apesar de ser um grande apreciador de Reid e de seus discos mais antigos, esse show não estava me causando tanta expectativa. Na minha cabeça seria algo mais burocrático e como reza o figurino, algo como “um coroa tocando num canto enfumaçado do bar para alguns senhores de blaser jantarem com suas esposas”. Ainda bem que eu estava completamente enganado. O Ronnie Scott’s é minúsculo, intimista e despojado, com mesas charmosamente decoradas que cercam o palco. Depois de uma abertura jazz acústica com o Tom Cawley trio, a banda de Reid entrou no palco e preparou o terreno para a entrada do vocalista.
Para quem não sabe, Terry Reid é o sujeito que em 1967/1968 fazia a cabeça de Jimmy Page. O então guitarrista dos Yardbirds estava montando uma nova banda ao lado do baixista John Paul Jones e em sua cabeça, o vocalista ideal seria Terry Reid e o baterista perfeito era B. J. Wilson do Procol Harum. Reid estava emplacando uma carreira solo e acabou recusando o convite de Page, mas indicou um jovem amigo chamado Robert Plant para o cargo, esse último que trouxe inclusive o baterista John Bonham e daí estava formada uma das maiores bandas da história, o Led Zeppelin. Reid continuou gravando como solista e fazendo shows pelos festivais, apesar de nunca gozar do estrelato. Mais recentemente voltou às páginas das revistas especializadas graças ao relançamento em CD de seu disco River (de 1973), considerado como um dos melhores da década e segundo os críticos britânicos, repleto de “samba influenced blues rock”…
Voltando ao show, é claro que o clima único do Ronnie Scott’s influenciou a performance de Reid, que se apresentou três dias seguidos no local, sendo esse que eu assisti a segunda data dele lá. O show começou muito bem, com Reid indo devagar, sentindo o feeling da galera. Quando ele abriu de vez o vozeirão ficou nítido… simplesmente eu estava diante talvez do melhor vocalista vivo da história do rock. O show foi rolando com clima “storyteller”, ou seja, antes de cada canção Reid descrevia sobre a mesma, contando fatos curiosos e divertidos de sua longa carreira.
Por exemplo, confessou em tom intimista que atualmente mora em Los Angeles e que ouve no carro sempre uma canção dos Beach Boys, “Don`t Worry Baby”, e mandou ver uma versão inesquecível dessa musica de Brian Wilson. Outros destaques foram “Rich Kid Blues”, que Reid dedicou a Jack White (que andou tocando essa canção ao vivo), “Faith To Arise”, “Dean”, “River” e “Seed of Memory”. Outro ponto alto foi a canja de Mick Taylor, amigo de Reid e que estava numa mesa animada tomando o bom vinho “da casa” do Ronnie Scott’s.
Morando na Califórnia desde 1970, Reid disse que por lá as pessoas sempre pintam em seus shows e pedem para ele tocar uma música genuinamente britânica, algo que fale de seu país natal, e ele sempre toca “Waterloo Sunset” dos Kinks, que foi de uma beleza única. Foi ao ouvir a voz poderosa de Reid cantando a bela canção de Ray Davies que a ficha caiu: “pronto, cheguei, estou em Londres!”. Talvez pelo fato de ter se retirado do show business por um bom tempo e levar uma vida bem família em L.A., Reid permanece com a voz intacta. Seu alto astral, sua performance e sua paixão pela música são literalmente emocionantes, isso tudo aliado a suas composições matadoras. Foi uma noite perfeita, clima família total, inclusive sua esposa e seus filhos também estavam presentes.
No final do show fui conversar e parabenizar o guitarrista (e olha que eu não sou muito disso, de ficar no pé de músico depois de show). Logo depois Reid saiu do camarim e veio conversar com o Mick Taylor. Foi o tempo exato de puxar um papo rápido com ele, dizer que eu era do Brasil e que tinha adorado o show. Ele, gente boa ao extremo, me abraçou e disse que tem um carinho especial pelo país e que é amigo do Gilberto Gil (que morou um tempo na casa de Reid, em Londres, em 1969). Enquanto isso a Carol, a minha esposa, batia uma foto para a posteridade.
Seria injusto com os demais shows dizer que esse foi o melhor de toda a viagem? Se ele não tivesse sido claro que seria…
Esse seria meu segundo show do Neil Young, o primeiro foi na terceira edição do Rock In Rio, em 2001, fácil fácil o melhor show que assisti em toda minha vida… Isso certamente colaborou para a minha excitação em vê-lo novamente, oito anos depois e dessa vez sem o matador Crazy Horse como banda de apoio. Confesso que esse show não estava na minha agenda, mas sim o do Hyde Park em Londres, que aconteceria alguns dias depois. Como era num parque imenso, num festival e com várias outras bandas, achei bacana assistir o mestre também numa arena fechada, com som de primeira e uma visibilidade superior. Claro que não me decepcionei, já que os shows foram diferentes, tanto em feeling como no repertório.
Tive sorte de encontrar ingresso na bilheteria do O2 Arena, que é uma ótima casa de show, talvez a maior e melhor da Irlanda. O prédio, moderníssimo e com boa acústica, fica escondido atrás de uma fachada de fábrica antiga. Imagine algo como o Credicard Hall “hospedado” dentro do Sesc Pompéia. Esse era o clima do lugar… Lá dentro, casa cheia. Tratei de já ir garantindo a minha camiseta oficial da tour, pegar uma cerveja (Guiness, é claro) e buscar o melhor lugar possível para assistir meu velho camarada Neil. Bacana também foi sacar o exército de fãs com camisas de flanela e belas garotas da produção distribuindo panfletos com a inscrição “Enjoy the Show!”. Atrás desse flyer, a propaganda do novo e tão prometido box-set de Young, Archives Vol.1.
Fiquei bem perto do palco (assim como no Rock in Rio), e de cara me chamou atenção a beleza do mesmo. Tudo tem pinta de garagem antiga, talvez semelhante a que Neil tem em seu rancho, repleto também de carcaças de seus carros antigos. Amplificadores gigantes e vintages, válvulas e estátuas de índios por todo canto, o antigo piano de Young (que mais parece uma peça cara de decoração), holofotes dignos de um estúdio cinematográfico, e um letreiro luminoso no fundo do palco repleto de números e letras aleatórias, que em certos momentos do show mostravam a palavra “NEIL”. Tudo perfeito, coisa de filme mesmo, parecia que eu estava sentando na minha sala para ver um DVD, e não ali, vivenciando tudo em tempo real.
Depois de uma pequena espera, Mr. Young adentra o palco seguido de sua banda e milhares de irlandeses vão a loucura. Neil se aproxima do centro do palco, pega sua velha guitarra, fecha os olhos e começa a tocar o riff de “Hey Hey My My (Into The Black)”, com aquele timbre imundo e maravilhoso que só ele sabe tirar; uma massa de distorção e emoção. Pronto, as primeiras lágrimas do bolha aqui já pulavam dos meus olhos, e olha que isso não foi tão difícil de acontecer nos shows dessa viagem…
A segunda música da noite foi “Mansion On The Hill” do álbum Ragged Glory, seguida de “Are You Ready For The Country?”. A coisa esquenta de vez com “Everybody Knows This Is Nowhere”, “Words” e “Cinnamon Girl”. Nessa hora Neil faz uma saudação aos irlandeses, dizendo que pra ele era um imenso prazer estar de voltas aos “campos verdes” da Irlanda. Enquanto isso ele se ajeita em seu piano, e sozinho, amparado apenas pela luz de um dos holofotes, executa uma versão emocionante de “Mother Earth”, um hino ecológico.
O que mais me agradou nessa apresentação de Young foi exatamente o que eu não tinha presenciado no Rock In Rio, a faceta acústica de Neil, ele ali na gaita e no violão, uma imagem que me arrepiou por completo e nunca mais sairá da minha mente. Nessa pegada acústica foram tocadas pérolas do cancioneiro do mestre e algumas surpresas como “Don`t Let It Bring You Down” (essa a melhor da noite, cantada em uníssono pela galera), “Pocahontas”, “Harvest Moon” e “Burned”. Depois veio a versão avassaladora e gigantesca de “Down By The River”, “Get Behind The Wheel” (a única faixa de seu álbum mais recente, Fork In The Road) e “Rockin` In The Free World”, com a galera levando o próprio Young à loucura, já que ele se recusava em terminar a canção e toda hora voltava com o refrão a mil por hora, para o delírio geral do pessoal.
Depois dessa avalanche intensa de distorção e puro rock n` roll, Young se despediu e saiu do palco sem muita cerimônia. É bom também ressaltar a competência da banda de apoio de NY, principalmente seu amigo de longa data Ben Keith na guitarra, violão e lap steel. Para o bis tivemos “A Day In The Life” dos Beatles, o que me deixou sem palavras por algumas horas depois do show…
Abaixo, alguns vídeos do show de Neil Young em Dublin:
Abaixo, Bento Araújo e a estátua de Phil Lynott em Dublin:
As aventuras do editor da poeira Zine pelo Reino Unido…
por Bento Araújo (www.poeirazine.com.br)
Zappa Plays Zappa (Vicar Street – Dublin) 19/06
O Vicar Street é uma bela e aconchegante casa de show. O agradável hall de entrada com um bar bacanudo (e muito bem montado) já deu a enteder que a arena onde aconteceria o show era melhor ainda… e não deu outra. O Vicar conta com uma “pista” com mesas fixas presas no chão, com quatro bancos em cada mesa. De qualquer lugar você tem uma visão perfeita do palco. De quebra, uma decoração de extremo bom gosto e uma acústica digna de elogio. Se o local do show ganhou nota 10, o mesmo não se pode dizer da apresentação de Dweezil Zappa e sua banda.
A banda é corretíssima, formada por excelentes músicos e estudiosos da sonoridade complexa do mestre Frank Zappa, mas algo que não estava no menu acabou sendo servido como prato principal e isso me incomodou bastante. A maioria das pessoas ali parecia não se importar e não ouvi ninguém nas mesas ao lado da minha comentar algo, mas fiquei constrangido com a situação.
Explico melhor: a atual banda de Dweezil Zappa, filho do mestre, sempre traz um convidado especial que tocou com Frank em uma de suas incríveis bandas de décadas passadas. Já rolaram canjas de Steve Vai, Terry Bozzio e outros, e como vocalista principal, o projeto ZPZ (Zappa Plays Zappa) contava com o malucão de carteirinha Napoleon Murphy Brock. Depois da primeira temporada de shows e um CD e um DVD lançado, o ZPZ substituiu Brock por Ray White, outro figuraça que tocou com Zappa em discos importantíssimos como Zappa In New York, You Are What You Is, Tinseltown Rebellion, etc.
Quando vi que White estava nessa nova formação fiquei empolgado, apesar de gostar mais do Napoleon e do Ike Willis, esse último inclusive que aportou aqui no Brasil recentemente e quebrou tudo ao lado da The Central Scrutinizer Band. Voltando a minha frustração, quando comprei o ingresso do show de Dublin pela Ticketmaster, ainda aqui do Brasil, o release da apresentação trazia o nome de Ray White como special guest, e adivinhe? White não deu as caras! Em seu lugar apareceu um garoto chamado Ben Thomas, que depois de um tempo foi conquistando os irlandeses com seu bom humor e sua voz soul, apesar da presença de palco tímida e quase nula. E eu continuava puto, “cadê o Ray White?” O que mais me deixava intrigado era o fato de ninguém comentar nada: nem a banda, muito menos os fãs.
De qualquer forma, tenho que ressaltar a competência de todos os envolvidos no projeto ZPL, principalmente Scheila Gonzales, nos sopros, teclados e vocais; Billy Hulting nas marimbas e percussão; e o batera monstro Joe Travers, ”vaultmeister” e garimpeiro de honra inclusive da Zappa Family Trust. O show começou com “Purple Lagoon”, “Imaginary Diseases” e “Montana”’, depois vieram coisas como “Inca Roads”, “Outside Now”, “Carolina Hardcore Ecstasy”; e algumas surpresas como “Wind Up Working In The Gas Station”, “Lucille Has Messed My Mind Up”, “Magic Fingers”, “Bamboozled By Love” e “Don`t Eat The Yellow Snow”.
A última da noite foi “Willie The Pimp”, com Dweezil promovendo o tradicional “dance contest” assim como seu pai fazia. Alguns membros da animadíssima platéia irlandesa, com muitas cervejas na cabeça, subiram no palco e instauraram a parte freak do espetáculo. Terminado o show, Dweezil e o resto do pessoal permaneceu no palco, dando autógrafos, distribuindo palhetas e conversando com os fãs. Apesar da pontinha de decepção, valeu a pena, principalmente pelo fato do som e da execução estarem impecáveis.
Jeff Beck, o melhor guitarrista vivo, fechou a noite de sábado ontem no Jazz Fest. O guitarrista tocou no Gentilly Stage, pois no palco principal o Pearl Jam estava levando a moçada ao delírio, aliás a banda de Eddie Vedder levou o maior público ao Fairgrounds…
Só que essa grande parcela de público perdeu talvez o melhor show de todo o evento, pois o guitarrista inglês fez um show impecável; agressivo e delicado ao mesmo tempo; tirando sons que nenhum outro ser humano seria capaz de recriar. Gênio, gênio, gênio…
Na quinta, a boa surpresa ficou por conta do Dumpstaphunk, banda de Ivan Neville e seu primo Ian Neville. Quebradreira total, com dois baixistas insanos duelando nos graves. Surpreendeu todo mundo no Fairgrounds…
O Gov’t Mule fez um show curto, mas emocionante. Tocaram os maiores clássicos, já que se tratava de um festival: “Blindman in the Dark”, “Thorazine Shuffle”, “Soulshine” e outras. Matt Abts é um monstro na bateria…
O Widespread Panic fez o show mais longo e psicodélico do evento. A herança do Grateful Dead é enorme no som e performance deles, então a legião de seguidores do grupo é imensa. Ótimo show, captando o clima do Jazz Fest…
Elvis Costello foi bacana também, bela banda de apoio, canja de Allen Toussaint e participação efetiva da galera.
Decepção do dia: Average White Band. Parecia uma banda de formatura no palco, e não a velha AWB.
Já está no ar a edição #35 do poeiraCast, gravada em New Orleans, após o primeiro fim de semana do New Orleans Jazz & Heritage Festival.
Bento Araújo recebe os convidados especiais Cristiano Caputi, Bruno Braga e Hugo Almeida para falar sobre os shows, a cidade de New Orleans, as lojas de discos, as comidas típicas e muito mais…
Ouça o programa no player abaixo, ou baixe agora mesmo clicando AQUI
e AQUI
Já pintaram no You Tube alguns vídeos do primeiro fim de semana do Jazz Fest. Os pontos altos até agora foram o Black Crowes, Papa Grows Funk, The Funky Meters, The Levon Helm Band e Allman Brothers Band.
O show do Allman Brothers, debaixo de um sol maravilhoso, foi fenomenal. Ficamos todos emocionados com o que presenciamos ali, a poucos metros de distância. A força, a massa sonora que vem do palco; a parede percussiva, o baixo poderoso, as guitarras de Warren e Derek (que entrou de muletas e tocou sentado, pois está com o pé quebrado) e a presença e a voz do capitão Gregg Allman… aula pura… Assistir a talvez melhor banda da América em plena ação é pra se contar aos netos.
Mais detalhes sobre esse show na próxima pZ… Enquanto isso, curtam os vídeos abaixo…
Confira fotos do terceiro dia do evento clicando AQUI
Chegamos bem cedo no primeiro dia, para pegar um bom lugar para deixar o carro e também para retirar os nossos ingressos.
Adentrando o imenso Fairgrounds, fomos sentindo o clima do evento e demos uma passada por todos os palcos, como numa espécie de “reconhecimento de terreno”. Já dava pra sacar que o lance seria muito intenso…
O que não contávamos era com a chuva, e ela veio, furiosa, com vento e força assustadora. O jeito foi se abrigar na tenda da imprensa, e ali postar algumas coisas na net e também aproveitar para conferir pela TV o que era transmitido direto dos palcos…
Legal também encontrar jornalistas brasileiros na press tent e sacar os gringos trabalhando, principalmente os fotógrafos, extremamente profissionais. Com a tarde avançando, não tínhamos outra alternativa a não ser encarar a chuva forte, a lama (que se formou rapidamente e continuou presente por todo o fim de semana) e os shows do Dr. John e de George Clinton.
O Dr. John foi bem legal, pois o cara é uma espécie de anfitrião do evento, então acaba se tornando quase que obrigatório assisti-lo aqui em NO. Apesar da chuva, John mandou ver em muitos clássicos de sua respeitada carreira, e a galera aqui adora… George Clinton foi decepcionante. Apesar de contar com uma banda de apoio de primeira, sua performance está longe de ser empolgante atualmente. Ele mais enrolou do que cantou, e quando o fez, era melhor ter ficado calado, pois sua voz está simplesmente “no osso”. O som que vinha do palco era bem legal, com groove e pegada de sobra, mas Clinton em si não acompanhou o clima…
Claro que o show mais aguardado era o do Black Crowes, e eles realmente arrasaram.
A banda está muito entrosada e o guitarrista Luther Dickinson impressionou todo mundo no Fairgrounds. O som estava perfeito e o repertório também foi bem escolhido pra caramba, com destaque para uma versão extendida de “Thorn In My Pride”.
A resenha completa desse primeiro dia você confere na próxima edição impressa da pZ…
Abaixo, um vídeo amador do Black Crowes tocando “She Talks To Angels” no Jazz Fest de 2010:
Veja abaixo uma reportagem exibida num noticiário aqui de New Orleans sobre a chuva forte e a lama do primeiro dia do Jezz Fest de 2010…
Três dias de festival. Muitas novidades, muitas emoções e muito cansaço. Este evento não se trata apenas de música, é uma celebração a um estilo de vida. Ao passar pelos portões do Jazz Fest parece que passamos para uma outra dimensão. Uma dimesão onde a palavra chave é curtir, ENJOY!
Curtir a vida, o dia, os amigos, a família, a música! Este clima íncrivel do festival aos poucos vai te enfeitiçando e conquistando. Quando você se dá conta, já está lá no meio dançando com o pé na lama!
O público – familias inteiras, crianças, idosos, molecada, hippies velhos e novos, rockers e claro muitos “bolhas” – parece não se importar com chuva, sol e calor.
Muitas são as maneiras de curtir o festival: nos palcos ao ar livre, nas tendas protegidas do sol; por estilo musical – blues, gospel, jazz, rock e etc.; nas tendas de arte e nas diversas opções de comidas típicas.
A grande maioria do público é do próprio EUA, de diversos estados, mas há um salpicado de outras nacionalidades. O que mais impressiona essa brasileira aqui é o modo livre de ser dos americanos. Fica muito evidente no festival o “lado bom” dessa liberdade, independência e individualidade.
Cada um se expressa da maneira que quer: na roupa, no cabelo, na dança… E niguém tem nada com isso. Doidões, freaks, divertidos; cada uma na sua e sem perturbar ninguém.
O Brasil se torna careta, antiquado e provinciano demais perto disso tudo.
Ontem a tarde, sentada na grama, cansada, com o sol se pondo e assistindo ao show do Allman Brothers Band, eu percebi que esses dias foram um privilégio.
Manhã de sabadão e estamos aqui dando um tempo no hotel para ver se o tempo melhora… Mais chuva prevista pra hoje, mas a festa está um barato e ninguém realmente se importa com a chuva por aqui…
O clima do festival é único. Parece uma volta no tempo. Essa “cultura de Festival ao ar livre” que eles tem é algo fenomenal. Desde os grande festivais que rolaram nos anos 60 e 70 por aqui essa coisa toda está enraizada por esses lados. São casais de senhores e senhoras de mais de 70 anos de idade dançando na lama, com criançada brincando por todo lado, casais com bebês “pendurados na mochila”, etc. Algo muito bonito de se ver e presenciar.
Aqui todo mundo parece que tem a liberdade de ser freak por alguns dias. A sensação de liberdade é total. O sujeito pode ser careta ao extremo no seu dia a dia, mas no Jazz Fest ele tipo “freak out”…é hilário e as fotos da festa comprovam isso…
Nesse primeiro dia de muito som, lama, alto astral e good vibrations, isso ficou mais do que claro pra gente aqui do grupo da pZ. Ao olhar para esses old/new friends, eu vejo o sorriso estampado na cara deles o tempo todo. É díficil de explicar, só estando aqui mesmo pra captar o lance, que é muito forte e envolve todo mundo no Jazz Fest.
“Happy Jazz Fest!”
Quando você por um momento pode pensar em se aborrecer pela lama e chuva torrencial, do nada chega uma linda garota de olhos azuis e te diz sorrindo: “Happy Jazz Fest”.
Esse é o clima…
Direto da sala de imprensa do Jazz Fest…
E usando um teclado ianque “sem acentos” e todo o resto…sorry…
Sao duas e vinte da tarde aqui, muita gente legal nos palcos e a chuva esta castigando…
Esta chovendo forte a cerca de duas horas, roadies estao tirando o excesso de agua do palco com rodos e tentando cobrir o equipamento na medida do possivel.
Incrivel como os norte americanos sao organizados para deixar um festival deste porte “redondo”. Tudo esta escrito, desde informacoes sobre as bandas, sobre os pratos tipicos, etc, etc…
No Flickr voce pode conferir algumas fotos tiradas antes da tempestade: http://www.flickr.com/photos/poeirazine/
Fotos de Carol Penna
E abaixo, o primeiro brinde dentro do Jazz Fest:
Hugo, Bruno, eu (Bento) e Cristiano…
Chegamos hoje, nos encontramos todos no hotel, e acabamos de voltar de nosso primeiro jantar…Spice pacas, Ribs, cajun na cabeça…o pessoal do nosso grupo mostrou que está preparado pra guerra de 11 dias aqui no berço da música norte americana…
Passeamos rapidamente pela cidade e já deu pra sentir o clima… Todo mundo respira o Jazz Fest. Tem gente do mundo todo aqui e todos estão num baita astral. O clima é otimo, 100% música.
O grupo da pZ chegou direto do Brasil e eu vim de Nova York, no mesmo voo com o David Frickle da Rolling Stone USA, que sentou perto de mim no avião. Claro que deu um friozinho na barriga…
No jantar, eu e o pessoal do grupo batemos um bom papo: Guiness e cervejas belgas na mesa. No som do carro: The Who, Fleetwood Mac, Beatles, Mott The Hoople, Thin Lizzy, etc… Tudo cortesia das excelentes rádios via satélite, uma mania aqui nos EUA, e que deixa a gente maravilhado com a diversidade, qualidade de sinal digital e tudo mais… Tem até uma estação cuja especialidade é Hair Metal, e tava rolando Cinderella…(rs)
A partir de amanhã, mais novidades exclusivas sobre o Jazz Fest e nossas aventuras por aqui. O pessoal já topou me ajudar em alguns episódios especiais do poeiraCast, gravados daqui de New Orleans e com as nossas impressões da festa, sempre em primeira mão.
Acima, uma foto tirada hoje durante o pôr do Sol no French Quarter, captando um pouco da arquitetura única da cidade…
No Allison Miner Music Heritage Stage, você poderá conferir entrevistas com alguns dos artistas e músicos que também tocarão no Festival.
Estão confirmadas as presenças de:
George Clinton (dia 23/04 – 14:00h)
Butch Trucks & Jaimoe (Allman Brothers Band) (dia 25/04 – 14:00h)
Marcus Miller (dia 1/05 – 13:30h)
Richie Havens (dia 1/05 – 16:30h)
Clarence Carter (dia 2/05 – 13:30h)
e muitos outros…
Mais artistas confirmaram shows em New Orleans durante o Jazz Fest:
North Mississippi All Stars
Les Claypool
Toots and the Maytals
Allen Toussaint
Rodrigo y Gabriela
Dr John
Julian Casablancas
Neville Brothers
Dirty Dozen Brass Band
The Radiators
Para saber tudo o que vai rolar de shows pela cidade, acesse o Jam Base
Um bom programa para o primeiro “dia livre” de Jazz Fest é esse Gospel Alive Concert, que acontece na New Hope Baptist Church de New Orleans, na segunda feira, dia 26/04.
Com ínício às 10 da manhã, o show conta com a ilustre presença do grupo vocal Blind Boys of Alabama. Depois deles o evento apresenta o coral Mahalia Jackson Gospel Youth Choir.
O evento é gratuito e aberto ao público…
Como já é tradição durante o Jazz Fest, o Gov’t Mule marcou um show extra na cidade de New Orleans, que dessa vez acontecerá no luxuoso Mahalia Jackson Theatre, no dia 30/04 (sexta feira).
Veja mais sobre o evento AQUI
A banda de Warren Haynes (que está fazendo aniversário hoje) promete fazer um show arrasador, como de costume, e irão contar com o special guest de 7 Walkers, featuring Bill Kreutzmann and Papa Mali. Lembrando que Bill é baterista/fundador do Grateful Dead.
Outra atração que não está escalada para o cast oficial do Festival, mas que toca na cidade durante o evento.
O show de Patti Smith acontece no dia 24/04 (sábado), no Tiptinas, e tem o nome de “An Evening with Patti Smith and Her Band”.
Quem quiser saber mais sobre esse show, clique AQUI e AQUI
Patti Smith continua mais na ativa do que nunca, tendo em sua banda inclusive o lendário comparsa/guitarrista Lenny Kaye e o batera Jay Dee Daugherty. O site dela também é bem interessante, veja mais AQUI
O grande vocalista/guitarrista inglês não está escalado para o “Jazz Fest”, mas está escalado para se apresentar (com sua sempre competente banda de apoio) num bar chamado One Eyed Jacks, no dia 28/04 (quarta feira).
É bom lembrar que no ano passado (2009), assistimos Reid ao vivo em Londres, e ficamos extremamente impressionados com a performance do lendário vocalista, portanto esse show é absolutamente imperdível!
Apesar de ter vários discos maravilhosos em seu currículo, Reid ficou mais conhecido por ter sido o sujeito que “recusou” ser o vocalista do Led Zeppelin nos anos 60. Ao ser convidado por Jimmy Page, Reid preferiu se manter como artista solo e indicou um amigo para o cargo, um tal de Robert Plant…
Mais um show extra que acontece após o término do “horário normal’ do Jazz Fest, e que também contará com convidados especiais, além da abertura de Eric Krasno & Chapter 2.
O show, assim como o dos Funky Meters, acontece no famoso e exótico House Of Blues de New Orleans.
Para saber mais sobre esse show, que acontece no dia 29/04 (quinta feira, às 21:00h), clique AQUI
E aproveite também para passear pelo site oficial do Derek AQUI
Para entrar no clima, assista Derek, Susan e banda detonando no Crossroads de Eric Clapton, tocando um clássico do Derek and the Dominos:
Já era de se esperar.
Com tantos músicos concentrados na mesma cidade, com os shows do “Jazz Fest” terminando sempre às 19:00h e com centenas de bares, teatros e casas noturnas no French Quarter, ficou claro que o som e as jams iriam rolar noite adentro…
Um dos primeiros grupos a marcar um show extra, e com convidados especiais, foi o funky Meters, banda do grande baixista George Porter Jr. que “bate cartão” nas edições anuais do “Jazz Fest”. Claro que num lugar pequeno e aconchegante o som funkeado e improvisado do grupo fica ainda mais impressionante, então esse show, que acontece no famoso House Of Blues de New Orleans, é altamente recomendável…
Para saber mais sobre esse show, que acontece no dia 25/04 (domingo, às 21:00h), clique AQUI
E aproveite também para passear pelo site oficial da banda AQUI
Para entrar no clima, assista a banda em 1974, mandando ver um de seus grandes grooves:
Um dos maiores sonhos de quem curte rock ‘n’ roll dos anos 60 e 70 é assistir ao The Allman Brothers Band nos EUA, a terra natal do grupo. Esse sonho se tornará realidade para o nosso grupo no dia 25/04, um domingo.
O ex baterista da The Band, Levon Helm, toca com sua banda às 15:10h, no Acura Stage.
No mesmo palco, o principal do evento, às 17:00h entra o Allman Brothers, que com certeza deve arrasar num set de pelo menos duas horas de duração…
No mesmo dia, às 14:00h, rola uma entrevista com a “ala percussiva” do ABB: Butch Trucks e Jaimoe no Allison Miner Music Heritage Stage. Também imperdível…
Detalhe: Warren Haynes toca também no Festival com seu Gov’t Mule (dia 29/04) e Derek Trucks com sua banda e sua esposa Susan Tedeschi (dia 30/04). Ambos irão também fazer shows extras na cidade, mais detalhes em breve…
Um dos pontos altos do último dia do Jazz Fest deste ano certamente será o show do irlandês. A voz e a pegada soul de Van Morrison tem tudo a ver com o clima de New Orleans, então não precisa nem dizer que ele irá se sentir praticamente em casa nessa apresentação. Lembrando que um dos grandes álbuns ao vivo dos anos 70 é exatamente esse acima, lançado originalmente em 1973 com o nome de It’s Too Late To Stop Now
Morrison se apresenta às 15:35h no Acura Stage, e depois dele tem Neville Brother.
Nos demais palcos esse dia:
BB King
Richie Havens
Wayne Shorter
Nesse dia teremos o Gov’t Mule, às 14:50h no Acura Stage. Na sequência, entra o Widespread Panic, que está prometendo fazer um show de duas horas e meia de duração!
Nos demais palcos ainda rolam:
Average White Band
Elvis Costello
Blues Traveller
Before the Frost…Until the Freeze foi sem dúvida nenhuma um dos melhores álbuns lançados no ano passado, e não é errado dizer que o disco está também entre o que o Black Crowes fez de melhor nos 20 anos de estrada que eles estão completando. O recém lançado DVD, Cabin Fever, mostra também exatamente isso, a genial fase repleta de grandes composições que eles vem atravessando.
O show do Black Crowes acontece no primeiro dia do Festival (23/04 – sexta feira), às 17:30h no Gentilly Stage.
O show de Jeff Beck tem tudo para se um dos pontos altos do Festival deste ano.
Beck acabou de lançar um excelente disco, Emotion And Commotion, seu primeiro disco de estúdio em sete anos, onde apresenta covers e sons próprios com o acompanhamento de uma orquestra de 64 integrantes e das melhores cantoras da atualidade (Joss Stone, Imelda May, etc.).
O show rola no sábado, dia 01/05, às 17:40h, no Gentilly Stage. Antes do Beck, no mesmo palco teremos outro fera da guitarra (e principalmente do slide – Sonny Landreth).
Lembrando que a banda de Beck sofreu algumas alterações recentemente, mas continua impecável como sempre, como o próprio guitarrista escreveu em seu blog oficial:
“Last week I went to LA to rehearse with a new band line up for my 2010 World Tour.
I am thrilled to introduce the mighty Narada Michael Walden on drums.
The astonishing Rhonda Smith on bass and with Jason Rebello on keyboards the sound is electrifying.
2010 looks set to be a good year and I can’t wait to get on the road.
Although the jetlag sucks!” J.B
- 21/abr: Embarque com destino a New Orleans
- 22/abr: Chegada em New Orleans e translado para o hotel
- 23/abr: Primeiro dia de Festival
- 24/abr: Segundo dia de Festival
- 25/abr: Terceiro dia de Festival
- 26/abr: Dia Livre em New Orleans
- 27/abr: Dia Livre em New Orleans
- 28/abr: Dia Livre em New Orleans
- 29/abr: Quarto dia de Festival
- 30/abr: Quinto dia de Festival
- 01/mai: Sexto dia de Festival
- 02/mai: Sétimo dia de Festival
- 03/mai: Embarque com destino ao Brasil
Incluso na programação:
- Passagem aérea – São Paulo / Miami / New Orleans / Miami / São Paulo
- Taxas de embarque
- 11 Noites de hotel em New Orleans, apartamento duplo (com café da manhã incluído)
- Ingressos para os sete dias de Festival
- Seguro viagem
- Acompanhamento e assistência durante toda a viagem
Preços:
Para saber mais detalhes sobre preços e condições de pagamento, entre em contato conosco pelo contato@poeirazine.com.br
É um super-festival que rola há 40 anos nessa cidade que é o berço do jazz e palco da mais pura raiz da música norte-americana.
Na edição de 2010, que acontece no final de abril, o cast está matador, com nomes como:
The Allman Brothers Band
Gov’t Mule
Black Crowes
Jeff Beck
Van Morrison
B.B. King
Pearl Jam
Derek Trucks and Susan Tedeschi Band
Jonny Lang
Kenny Wayne Shepherd
The Levon Helm Band
The Dead Weather (banda atual de Jack White)
George Clinton & Parliament/Funkadelic
Stanley Clarke Band
The funky Meters
Widespread Panic
Wayne Shorter
Aretha Franklin
Simon & Garfunkel
Lionel Richie
Dr. John
Allen Toussaint
My Morning Jacket
Elvis Costello & the Sugarcanes
Sonny Landreth
The Neville Brothers
Richie Havens
Clarence Carter
Maze
Average White Band e muito mais…
Serão sete dias inteiros de festa e curtição às margens do Rio Mississippi…
Que tal a gente assistir isso tudo juntos?
Quem se interessar, basta responder este e-mail que eu mando mais detalhes; mas corra, pois falta muito pouco pra festa começar…
Nele você confere a programação dos sete dias do evento, e pode montar (através de uma associação com o Facebook) o seu cronograma particular para não perder nada do mega evento…
Ah, e neste fim de semana ainda tem o Billy Cobham no Sesc Pinheiros! 19 hours ago
Focus, BOC, Mark Farner, CSN, Suzy Quatro, Opeth, Roger Waters, Joe Cocker... Todos ao vivo por aqui neste primeiro semestre. Nada mal hein! 19 hours ago