pZ Trips
As aventuras promovidas pela poeira Zine ao redor do mundo…

New Orleans Jazz Fest 2010

Texto de Bento Araújo

Sete dias, dois fins de semana, 60 horas de música rolando ao vivo sem parar, cerca de 400 bandas espalhadas em 12 palcos e um público rotativo estimado em mais de 500 mil pessoas. Essa foi a 41ª edição do maior e mais conceituado festival de música dos Estados Unidos da América…

O começo dessa aventura aconteceu em julho de 2009, quando voltei de Londres trazendo na bagagem muitos shows que sonhava assistir, como Neil Young, Steely Dan, AC/DC, Jeff Beck e outros.
Na edição #25 da pZ, lançada naquele mês, publiquei a matéria especial “As Aventuras do Editor da poeira Zine pelo Reino Unido”, onde durante seis espremidas páginas, relatei a minha aventura pelo velho mundo, em busca de shows arrepiantes, lojas de discos usados e pontos históricos para quem aprecia música.
Foi só a revista sair para começar a chuva de emails: “Da próxima vez que você for, me avise que eu vou junto!”; “Que inveja, o meu sonho é fazer uma viagem desse tipo, vamos armar outra dessa…”; “Quero levar a minha esposa para fazer algo do tipo”; etc.

Isso me deu um estalo: “Por que não armar uma espécie de pZ Rock Tour e levar comigo alguns leitores fanáticos por música assim como eu?”. Foi então exatamente isso que eu fiz, passei a vasculhar no globo algum evento musical, que de preferência reunisse o verdadeiro espírito dos grandes festivais do passado e que contasse com um cast atraente. Nisso me lembrei do New Orleans Jazz & Heritage Festival, que acontece há 40 anos em New Orleans, e que sempre traz nomes de tirar o fôlego em seu cast. Fiz a divulgação via site e versão impressa da pZ… Imediatamente os interessados se manifestaram e pouco tempo depois estávamos com o nosso primeiro grupo formado, de malas prontas e contando os segundos para chegar no berço da música que é New Orleans, e conferir de perto algumas das mais de 400 atrações musicais do mega evento de sete dias inteiros de som.

O mais bacana de tudo é que desde cedo eu coloquei na cabeça que iria cobrir o evento não como um jornalista, de forma catedrática; mas sim como um apreciador de música. Nada de ficar twitando ao invés de assistir um bom show ali na beira do palco. Esse tipo de coisa foi fundamental… Além disso, foi um imenso prazer fazer essa viagem em grupo, pois a sintonia entre os envolvidos era total. Cada integrante veio de uma parte do Brasil e todos vieram sozinhos, pois os amigos geralmente “somem” nessas horas. Muita gente diz que vai, mas na “hora H” desaparece. Todos contavam as mesmas histórias, mas como tínhamos em comum a paixão pela música, parecíamos que éramos todos amigos de longa data. Curtimos pra valer cada instante, cada acorde, cada gole da cerveja ou da limonada. É pra contar pros netos…

A origem do Jazz Fest

Tudo começou em 1970, quando Mahalia Jackson (uma das maiores vozes do gospel) voltou para a sua New Orleans para participar da primeira e modesta edição do evento. Ao lado de Duke Ellington e da Eureka Brass Band, Mahalia cantou e se juntou a “parada de músicos de rua”, uma tradição em New Orleans. Nascia então o espírito do Jazz Fest, a fusão do jazz com a herança cultural das paradas e manifestações de rua de New Orleans.

Quem mais sacou esse espírito foi George Wein, famoso empresário de figuras do jazz dos anos 40, 50 e 60; e também o homem por detrás do Newport Jazz Festival e do Newport Folk Festival. Wein concebeu então a ideia original da Louisiana Heritage Fair, uma grande feira ao ar livre que reuniria ao mesmo tempo diversos palcos com música e bandas se apresentando, comidas tradicionais, artesanato, e tudo mais que envolvesse arte e cultura local da cidade. Esse formato único e peculiar de festival é mantido até hoje e foi exatamente isso que tivemos a honra de vivenciar intensamente na 41ª edição do Jazz Fest.

Desde 1972 o Jazz Fest acontece no Fair Grounds Race Course, a terceira pista de competição mais antiga dos EUA, que funciona desde 1872. O lugar é simplesmente gigantesco e plano, o que facilita a caminhada constante entre os palcos. Para a edição de 2010, 12 palcos foram montados. O mais difícil é optar por qual show assistir, pois eles acontecem simultaneamente.

A Festa

O festival acontece durante dois fins de semana consecutivos, em sete dias no total. Os shows começam sempre no horário marcado e a festa toda começa às 11 horas da manhã e termina sempre pontualmente às 7 da noite. Claro que é humanamente impossível assistir tudo, por isso é bem recomendável ir para o Jazz Fest em grupo, pois daí cada um vai para um lado e depois todos trocam suas experiências do dia, dando uma ideia mais abrangente do panorama do evento como um todo. Nosso grupo inclusive gravou, direto de New Orleans, dois episódios do poeiraCast, o podcast da poeira Zine. Para ouvi-los basta clicar AQUI e AQUI

Chegando em New Orleans, dava pra sentir que a cidade inteira respira o Jazz Fest. Gente do país inteiro viaja anualmente para o evento. Famílias inteiras, desde vovôs de 80 anos até bebês com meses de vida, chegavam ao Fair Grounds para curtir a festa. Curioso como praticamente não encontramos nenhum turista do “resto do mundo”, como eles dizem, no Jazz Fest. É um evento tradicionalíssimo do calendário norte-americano de shows, então podemos garantir que 99% do público é formado por turistas dos Estados Unidos mesmo.

Para conferir fotos dessa edição do Jazz Fest, clique AQUI

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