O quinto dia (sexta-feira, 30/04/2010)
Texto de Bento Araújo
Nosso quinto dia de Jazz Fest começou com uma grande decepção: a assessoria de imprensa de Aretha Franklin havia divulgado naquela manhã uma nota à imprensa avisando que a diva do soul não mais se apresentaria no evento. Em 2007, Aretha também cancelou sua aparição no Jazz Fest, porém com três meses de antecedência. Dessa vez sua desistência foi divulgada apenas no mesmo dia do show! Situação extremamente desapontante, principalmente para quem estava indo em direção ao Fair Grounds naquela sexta exclusivamente para assistir Aretha em ação. Pra gente, ficou também uma pontinha de decepção, pois dificilmente ela irá um dia se apresentar no Brasil e essa era a nossa chance…
Nosso primeiro show do quinto dia foi o de Allen Toussaint, que se apresentou de forma magnífica. Trajando seu elegante terno, Toussaint mostrou a razão de ser uma espécie de entidade da música de New Orleans. Destaque também para sua exímia banda de apoio, com metais, três belas backing vocals e um guitarrista de extremo bom gosto. Depois dele, no palco principal tivemos o Earth Wind And Fire, substituindo Aretha Franklin nos 45 minutos do segundo tempo. Esse era um belo motivo para a banda arrasar, no entanto o show foi bem morno, e assim como a Average White Band, o EWF parece uma caricatura do que foi um dia.
Mais “pegada” Las Vegas, show de cassino mesmo, com músicos excepcionais no palco, porém com a emoção de uma boa banda que toca em formaturas e casamentos. Os hits fizeram o pessoal dançar, mas as baladas açucaradas foram a deixa para eu me mandar para a tenda do jazz e lá conferir o baixista Stanley Clarke.
Ao lado da pianista Hiromi, Clarke fez uma ótima apresentação, tirando sons maravilhosos de seu baixo acústico. O clima estava intenso e o virtuosismo da dupla impressionou toda a tenda, que estava lotada. Detalhe: para amenizar o calor, a tenda conta com um sistema de vaporização de água, ou seja, você assiste o show sentado, protegido do sol e ainda se refresca com delicados jatos de vapor de água emitidos de um encanamento que passa por cima de sua cabeça. Coisa fina.
Enquanto isso, Derek Trucks e sua esposa Susan Tedeschi colocavam a tenda do blues literalmente no chão, com uma performance perfeita e emocionante. Para a minha sorte, na noite anterior eu tinha conferido Derek e Susan no House Of Blues, apresentando um show de duas horas e meia de duração (mais detalhes sobre os shows extras adiante).
