pZ Trips
As aventuras promovidas pela poeira Zine ao redor do mundo…

mar
26

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A poeira Zine tem o prazer de anunciar a pZ Trip 2013, que acontece de 30 de abril a 6 de maio, aproveitando o recesso do Dia Internacional do Trabalho.

Este ano iremos para Memphis, Tennessee, USA – templo sagrado do rock ‘n’ roll, do blues e da soul music.

Um dos destaques do nosso roteiro será o Beale Street Music Festival, onde durante três dias, assistiremos a shows de bandas e artistas como ZZ Top, Gov’t Mule, Black Crowes, Patti Smith, Jerry Lee Lewis, Charles Bradley, Black Keys, Gary Clark Jr., Dary Hall & John Oates, Royal Southern Brotherhood, Flaming Lips, Mavis Staples, Vintage Trouble, Alice In Chains, Sheryl Crow, Smashing Pumpkins, Yngwie Malmsteen, Coco Montoya e mais 50 outros nomes, em cinco palcos diferentes. Tudo na margem do lendário Rio Mississippi.

Além do festival, visitaremos os estúdios da Sun Records, o museu da Stax, Graceland, a fábrica da Gibson e algumas das melhores lojas de discos dos EUA, além de terminar a noite no agito da famosa Beale Street – ponto de passagem obrigatório de todo músico norte-americano de respeito, desde o início do século passado. Se dermos sorte, poderemos até presenciar uma missa gospel com ninguém menos que o Reverendo Al Green.

Lembrando que o pacote inclui também a sua participação na gravação de um episódio especial do poeiraCast, o nosso podcast semanal, que será gravado diretamente de Memphis e irá trazer a sua opinião sobre os shows, os passeios e a aventura toda.

Não perca essa oportunidade! É a sua chance de conhecer as raízes do rock ‘n’ roll, assistir a shows incríveis, conhecer lugares sagrados da música negra norte-americana, comprar discos e se divertir ao máximo ao lado do editor Bento Araujo e de outros leitores que compartilham da mesma paixão que a sua: música, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Para saber todos os detalhes sobre o pacote pZ Trip 2013 (preços e condições de pagamento), entre em contato conosco pelo e-mail contato@poeirazine.com.br

A poeira Zine esteve em Memphis no ano passado. Cobrimos os três dias do Beale Street Music Festival e passamos por Graceland, Sun Records, Stax Museum etc. Veja mais nos links abaixo:

https://pztrips.wordpress.com/2012/07/30/beale-street-music-festival/

https://pztrips.wordpress.com/2013/03/26/memphis-a-terra-prometida/

Anúncios
mar
26

Texto de Bento Araujo

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Memphis foi uma das cidades mais incríveis que já tive o prazer de conhecer. Algo de muito especial continua no ar de Memphis. Basta chegar na cidade para sentir sua vibração. Não é a toa que o autêntico rock ‘n’ roll foi ali gerado e boa parte da soul music norte-americana também. Se você gosta de música, certamente vai ficar maluco nessa cidade do estado do Tennessee.

Alguns passeios são obrigatórios em Memphis. A Beale Street, bem no centro da cidade, continua efervescente como sempre. Foi parada obrigatória para os gigantes do blues que seguiam do Sul para o Norte, rumo a Chicago. Todos os mestres do gênero ali se apresentaram para o mundo. Hoje ela é tão famosa e visitada como a Bourbon Street de New Orleans.

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O estúdio da Sun Records é parada obrigatória em Memphis. Você pode fazer uma tour e visitar a sala original construída por Sam Philips, a mesma onde gravaram nomes como Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins, Johnny Cash, B.B. King, Roy Orbison, U2 e tantos outros. Alguns instrumentos e equipamentos originais ainda estão lá e o pessoal que trabalha no estúdio é bem atencioso, simpático e por dentro do que ali aconteceu.

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O museu da Stax é outro grande atrativo da cidade. Funcionando no mesmo local onde a gravadora atuou por todos esses anos, funciona como uma celebração a uma era genial e específica da música negra norte-americana. Memorabilia, objetos pessoais de Otis Redding, o Cadillac de Isaac Hayes, a sala original de gravação com os instrumentos de Booker T. e os MGs, e uma coleção com todos os LPs e compactos já lançados pelo selo são os destaques. Dá pra passar um dia inteiro ali dentro.

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Já Graceland é um daqueles micos que você tem que pagar, pelo menos uma vez na vida. Infelizmente funciona mais como uma homenagem aos excessos indulgentes da década de 70 do que à obra e legado de seu antigo proprietário, Elvis Presley. A propriedade em si não tem nada demais. Tudo é brega e cafona ao extremo. A parte superior, onde Elvis vivia e passava a maior parte de seu tempo, permanece fechada à visitação. No fundo da casa estão sepultados os corpos de Elvis, seus pais e sua avó. O museu contendo seus carros e motos é mais bacana e vale uma visita. É possível também entrar nos dois aviões particulares de Elvis, assim como visitar exibições de seu “comeback special” de 1968 e de sua carreira cinematográfica.

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Outras boas pedidas de Memphis são o Rock ‘n’ Soul Museum, bem informativo e interativo, e a fábrica da Gibson, onde você pode visitar a linha de produção de famosos modelos da Gibson, como Les Paul, SG, Explorer, Flying V e outros.

O reverendo Al Green

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Al Green é sem dúvida uma das maiores vozes da soul music, e nos anos 70 chegou às paradas com sucessos com “You Oughta Be With Me”, “I’m Still In Love With You”, “Love and Happiness”, “Let’s Stay Together” e “Tired of Being Alone”. O que pouca gente sabe, pelo menos por aqui, é que desde 1976 ele se tornou pastor da Full Gospel Tabernacle, uma igreja localizada num bairro residencial de Memphis. Se você estiver na cidade num domingo, não pense em perder a missa regida por esse ícone da música soul.

Além de ser um programa nada turístico, pois se trata de uma missa frequentada geralmente por pessoas do bairro, eu lhe garanto que será uma experiência única em sua vida, independente de suas crenças religiosas.

A entrega de Al Green e o que a música representa para ele para os demais pastores de sua igreja é algo indescritível. Além de Green, sua irmã e sobrinhas, e um coral, uma banda completa atua na missa. Enquanto Green prega a palavra do Senhor, um músico solta frases de Hammond nos intervalos da voz do pastor. Emocionante, aquela típica missa gospel que eu sempre sonhei em presenciar.

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Green faz questão de ressaltar que aquele que está ali não é o Al Green artista, mas sim o Al Green que tem como missão levar adiante a palavra de Deus. Em certos momentos a coisa explode e se manifesta de uma maneira incrível. Todo mundo fica em pé, batendo palmas, cantando, dançando e chorando ao mesmo tempo. Em termos de música e entrega, foi umas das coisas mais impressionantes que presenciei. Foram três intensas e inesquecíveis horas ali dentro.

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Este ano a poeira Zine vai levar você para Memphis. Não perca essa oportunidade! É a sua chance de conhecer as raízes do rock ‘n’ roll, assistir a shows incríveis do Beale Street Music Festival, conhecer lugares sagrados da música negra norte-americana, comprar discos e se divertir ao máximo ao lado do editor Bento Araujo e de outros leitores que compartilham da mesma paixão que a sua: música, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Para saber todos os detalhes sobre o pacote pZ Trip 2013 (preços e condições de pagamento), entre em contato conosco pelo e-mail contato@poeirazine.com.br

fev
19

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Esta semana a poeira Zine parte para mais uma missão internacional.

Vamos cobrir, em primeira mão, o show do THE WHO em Nova York, que acontece nessa próxima quinta-feira.

Fique ligado e siga a pZ pelas redes sociais para saber mais sobre esse grande show que deve pintar pelo Brasil no segundo semestre.

Além do The Who, a poeira Zine cobre também o início da temporada anual do Allman Brothers Band no Beacon Theater, também em Nova York.

Mais notícias em breve…

out
05

Stevie Wonder – Outside Lands Festival, São Francisco, Califórnia (12/8/2012)

por Bento Araujo

Quando o assunto é música negra, Stevie é um dos favoritos da casa. Eu nunca tinha assistido seu show e foi uma ótima experiência. Esse ícone da música pop esteve presente na edição mais recente do Rock In Rio e fez um show memorável. Assisti pela TV e fiquei me martirizando por não ter ido.

Pra minha sorte o show de Stevie no Outside Lands foi quase o mesmo do Rock In Rio, com aquela banda de apoio competente e seu carisma de sempre. Wonder se entrega de tal forma, e seu dom divino fica tão abundante, que sua apresentação se torna uma verdadeira festa.

O Golden Gate Park virou uma pista de dança em clássicos como “Signed, Sealed, Delivered”, “Superstition” e “Higher Ground”.

Stevie não deixou de falar de amor, de Deus, das crianças e de sua predileção e militância em prol de Barack Obama. Sua voz brilhou em “My Cherrie Amour”, “Isn’t She Lovely”, “Master Blaster (Jammin’)”, “Happy Birthday” e “Living For The City”.

“I Just Called To Say I Love You” não poderia faltar e a encore foi com “She’s Love You” e “My Girl”. Sublime, encantador.

out
05

Metallica – Outside Lands Festival, São Francisco, Califórnia (11/8/2012)

por Bento Araujo

Além da cena psicodelia dos anos 60, a Bay Area de São Francisco ficou famosa por ser palco da explosão do thrash metal nos anos 80. O Metallica na verdade nasceu em Los Angeles, porém tomou forma em SF, quando o grupo para lá se mudou para compor e ensaiar seu primeiro álbum e ficar mais perto do então novo baixista, Cliff Burton, que era da cidade.

James Hetfield falou sobre isso no show e sobre o fato de estar tocando no quintal de casa. Comentou os 30 anos da banda e relembrou detalhes sobre a cidade que acolheu e apoiou o conjunto. Hetfield foi o mestre de cerimônias e comandou o espetáculo. Como manda o figurino do metal, o palco era avassalador, com rampas, um telão gigantesco, o tradicional snake-pit, explosões, fogo e pirotecnia por todo lado, e um show de lasers que eu nunca tinha visto igual.

Você deve estar se perguntando: “tudo bem, legal, mas e a música?”. Bom, eu já tinha assistido a banda ao vivo no Brasil, em outras ocasiões e épocas. Hetfield continua ótimo, em forma e num visual mais old school impossível – com cinto de balas e um colete jeans recheado de patches. Kirk Hammet continua fazendo sua parte e Robert Trujillo está plenamente integrado ao grupo – conferir “Orion” ao vivo é muito legal.

O problema do Metallica atual se chama Lars Ulrich. A pegada de antigamente faz falta. Se comparado a caras como Dave Lombardo, Gene Hoglan e Charlie Benante, Ulrich nunca foi um monstro da percussão thrash, porém fazia sua parte. Agora ele parece um pouco cansado além da conta e um show longo, agressivo e energético como o do Metallica, exige muito de seu baterista, obviamente.

O começo foi com “Hit The Lights”, a primeira faixa do primeiro álbum do grupo. Escutar aquilo com o vento da Bay Area no rosto foi emblemático, ainda mais quando a segunda da noite foi “Master Of Puppets”. “Ride The Lightning” veio na sequência e o grupo parecia festejar o fato de estar se apresentando em casa ao concentrar seu set nos três primeiros álbuns.

“Welcome Home (Sanitarium)”, “Fade To Black”, “For Whom The Bell Tolls”, “Creeping Death” vieram depois, junto de “Blackned”, “Sad But True”, “Nothing Else Matters”, “One” e outras mais “recentes” como “Fuel” e “The Memory Remains”.

jul
30

(Memphis, Tennessee – 4, 5, 6/5)

por Bento Araujo

Este festival acontece anualmente numa das cidades mais incríveis do mundo, Memphis. A Beale St. por si só já tem uma importância incrível dentro do blues e do rock, isso sem contar outras atrações da cidade, como o estúdio da Sun, a sede da Stax, Graceland, etc. Não é a toa que o rock nasceu em Memphis, a cidade tem algo muito, muito especial. E com o grande festival anual de música da cidade não poderia ser diferente. Cinco palcos montados às margens do rio Mississippi. Um visual incrível.

No primeiro dia o North Mississippi Allstars fez uma apresentação especial. Os irmãos Luther e Cody Dickinson são espertos. Tem bagagem suficiente para tanto, pois são filhos do falecido Jim Dickinson, um dos principais produtores do pedaço. Praticam um blues moderno, mas com os dois pés fincados nas referências do passado. Uma mistura infalível, que agrada ao público de todas as idades. “Shimmy She Wobble”, “Station Blues”, “Let It Roll”, “My Babe”, “Chevrolet”, “Snake Drive” e “Drinking Muddy Water” foram alguns dos temas executados naquela tarde. Luther é um dos bambas da guitarra atualmente, pode apostar.

Na tenda blues, uma revelação, um jovem guitarrista chamado Will Tucker, que eu desconhecia completamente. Aliás, um grande barato da pZ Trip é exatamente isso, conhecer novos músicos, novas bandas que estão detonando no exterior, mas que acabam não repercutindo por aqui. Tucker foi um exemplo disso. Cheio de garra e pegada, o garoto fez aquele tipo de apresentação “como se não houvesse amanhã”. Mais um nome para se juntar ao de caras como Johnny Lang e Kenny Wayne Shepherd.

Bernard Allison veio em seguida, ele que é filho de Luther Allison. Com muita influência de Hendrix o garoto mandou bem, abrindo caminho para a estrela da noite, Johnny Winter.

Johnny está muito bem acompanhado com essa sua consistente e pesada banda de apoio, a mesma que veio com ele ao Brasil recentemente. O guitarrista continua mandando ver, apesar de tocar sentado e caminhar com dificuldade. Tocou uma música inteira em pé e foi tratado como um herói, um sobrevivente dos anos de ouro do rock. Presenciar Johnny solando, com seu olhar estrábico por debaixo do chapéu, concentrado, foi um momento especial. Ele parece estar possuído por algo enquanto toca, impressionante.

Depois de uma pequena jam introdutória de sua banda, Winter começa com “Hideaway” de Freddie King, seguida de “She Likes To Boogie Real Low”. O que dizer de uma sequência com “Good Morning Little School Girl”, “Got My Mojo Working”, “Johnny B. Goode” e “Black Jack”? É de arrepiar meu chapa, tudo isso com a brisa do Mississippi soprando na sua orelha. Tem que ser forte pra aguentar.

“Tore Down” foi outra homenagem a Freddie King, seguida de uma homenagem aos Stones com “Gimme Shelter”. “Boney Moroney” e “It’s All Over Now” encerraram o agito. Na encore Johnny voltou e mandou “Dust My Broom” e “Highway 61 Revisited”.

No segundo dia de festival, um sábado, alguns shows excelentes e outros fraquíssimos. Kenny Wayne Shepherd detonou. Com uma banda afiadíssima, que contava com o ex-Double Trouble e Arc Angels, Chris Layton na bateria, KWS passeou pelas seis cordas com uma pegada e um volume impressionante. Suas execuções, na sequência, de “Voodoo Chile” e “Voodoo Child (Slight Return)” foi uma sacada simples, porém pra lá de eficiente. Ele vem sendo uma grande atração nas turnês da Experience Hendrix, organizadas pela família do mestre, então é bem natural o cara estar numa fase mais Hendrix que nunca. Sorte a nossa. Além disso o show contou com a bela “Blue On Black”, citações a BB King e Peter Green, e mais um cover para “Yer Blues” dos Beatles.

Buddy Guy veio depois, e pra variar, arrasou. “Hoochie Coochie Man”, “Someone Else Is Steppin’ In”, “74 Years Young”, “(You Give Me) Fever”, “Boom Boom”, “Strange Brew”, “What’d I Say” e “Ain’t That Peculiar”, tudo ganha dose extra de sacanagem nas mãos e na voz de Buddy Guy.

O The Cult fez uma apresentação sofrível, arrastada e sem punch algum. Muitas faixas do disco novo atrapalharam um pouco, principalmente por se tratar de um festival, onde geralmente as bandas não apresentam seu show completo por questões de tempo. Ian Astbury anunciou no final: “Faça um favor a si mesmo, vá para a tenda blues e assista ao Gary Clark Jr. Esse cara é um milagre”.

Thanks Ian, mas eu já tinha visto Gary no Jazz Fest, e não perderia outro show dele por nada. Consegui ficar mais próximo do palco, o que valeu muito a pena. Quando o guitarrista executou seu primeiro e único hit por enquanto, “Bright Lights”, a euforia foi generalizada. O show de Grace Potter foi agradável, mas não empolgou muito, apesar da simpatia e competência da moça. Encerrando a noite, Al Green, que repetiu a boa performance do Jazz Fest, e Jane’s Addiction, que fez uma apresentação bem parecida com a do Lollapalooza brasileiro.

No domingo tivemos Alison Kraus, Kenny Brown, Black Stone Cherry, Primus e Charlie Musselwhite, entre os shows que valeram a pena conferir. Além deles, foi divertido assistir a Little Richard, escalado de última hora para substituir Jerry Lee Lewis, que quebrou a perna. Richard entrou carregado, sentado num trono. Um autêntico rei (ou rainha?) do rock.

O ex-vocalista do Black Crowes também mandou muito bem com sua Chris Robinson Brotherhood. O som segue a cartilha do Grateful Dead, inclusive com o guitarrista Neal Casal lembrando bastante o Jerry Garcia. Casou muito com o clima tranquilo e hippie do evento; som viajante com o Mississippi correndo ao seu lado. Dentre os sons, uma versão a la JJ Cale para “Blue Suede Shoes”, aliás o lado principal de um compacto lançado pela banda para celebrar o Record Store Day deste ano. Devidamente adquirido obviamente.

Herbie Hancock surgiu imponente, já com a noite caindo sobre Memphis. Com uma banda fenomenal, com Vinnie Colaiuta na bateria inclusive, Hancock apresentou temas cruciais de sua longa carreira, como “Watermelon Man”, “Maiden Voyage”, “Speak Like A Child”, “Cantaloupe Island”, “Rock It” e “Chameleon”. Terminado o concerto, todo mundo de queixo caído. Era hora de comer alguma coisa e correr para a tenda blues, onde Robert Randolph encerreria o festival.

Randolph é um garoto prodígio da atual cena norte-americana de blues, funk e soul. Vem tocando nos principais festivais do país, e chamando a atenção de caras como Eric Clapton, que já o chamou para seus Crossroads. A banda é formada por irmãos e primos, por isso o nome de “family band”, e nada melhor que isso para rolar aquela telepatia musical entre os integrantes. Robert é um ás do pedal steel guitar, aquela guitarra tipo “havaiana”, que ele toca sentado na frente do palco. Nas ingrejas pentecostais dos EUA, o instrumento é conhecido como “sacred steel”.

O grupo está promovendo seu novo álbum ao vivo e o repertório foi basicamente o mesmo deste registro. O ápice aconteceu quando Randolph convidou as garotas da plateia para subir ao palco. Cerca de 50 cocotas atenderam prontamente ao seu chamado, aliás esse é um truque sempre usado com muita eficiência por Chuck Berry, por exemplo. Sempre sobe também algum marmanjo, querendo dar uma de espertão, obviamente empurrado pra baixo por algum segurança truculento. Sensacional.

Ali, debaixo de um calor angustiante, um volume ensurdecedor, e as frases letais de Randolph, todas as moças começaram a sacolejar com o riff pecaminoso que Slim Harpo ensinou a todos nós, meros mortais. Quando estávamos todos no céu (ou seria no inferno?), a banda atacou com “Shake Your Hips”, evocando Harpo, Stones e o rock em seu estado mais primitivo, com o blues correndo pelas suas veias.

Um cara da organização sinalizava com uma lanterna, apontando para Randolph, dizendo que o show havia acabado. O rapaz então pegou uma Telecaster, continuou executando o riff, e foi para os camarins, sem desligar sua guitarra. Voltou, para delírio geral, sem falar uma palavra, e sem interromper aquele mantra do blues. O show tinha mesmo que acabar, mas Randolph deixou uma certeza, a de que a “essência” do lance é o que importa. E ela estava ali, soberana.
Foi o final perfeito para a maratona.

jul
30

(Republic, New Orleans, Louisiana – 28/4)

por Bento Araujo

Creio que os Los Lobos ainda são uma banda subestimada no Brasil. Ficaram estigmatizados com o sucesso da trilha do filme La Bamba, então muitos ainda pensam que o grupo “só fez isso” em sua carreira.

O disco mais recente de estúdio deles, Tin Can Trust, é muito bom, então confesso que eu estava animado para este show.

O Republic é outra casa de show muito bacana de New Orleans. Palco pequeno, ótima acústica, decoração e drinks. A banda começou esquentando a animada plateia da melhor maneira possível. Todos empunharam seus violões, e como um afiado bando de mariachis, mandaram ver em “La Pistola y El Corazón”, “Los Ojos De Pancha”, “Canto Veracruz” e “El Cascabél”.

Depois atacaram com um rock elétrico repleto de referências e influências de música mexicana. Claro que para quem não curte essa sonoridade bem típica, o show pode soar maçante, mas esse não foi o caso dos presentes, definitivamente.
A primeira homenagem da noite surgiu com “Burn It Down”, dedicada a Levon Helm, falecido alguns dias antes. Uma ótima surpresa foi a versão para “Forty Thousand Headmen” do Traffic.

No final o grupo chamou alguns integrantes da banda de abertura, The Iguanas, para juntos executarem “She’s About A Mover”, o primeiro sucesso do Sir Douglas Quintet (de 1965), grupo de Doug Sahm, que assim como os Los Lobos, fazia rock com apimentado tempero mexicano. Arriba!

jul
30

(Tipitina’s, New Orleans, Louisiana – 27/4)

por Bento Araujo

Assistir ao show desse talentoso compositor e sua exímia banda de apoio lhe dá aquela sensação indescritível de estar no lugar certo, na hora certa.
Primeiro é preciso falar da casa de show, o Tipitina’s, um bar/casa de show que é obrigatório para quem passa por New Orleans. Dois anos atrás assisti um fulminante show de Patti Smith neste mesmo local, fundado em homenagem ao grande Professor Longhair.

Cheguei ao Tiptina’s, passei a mão na cabeça de um busto de bronze do Professor (uma tradição local) e fui me posicionar à frente do palco para assistir ao “passeio” de JJ Grey.

Sim, “passeio”. O cara fica tão à vontade no palco, cantando suas composições diante da plateia, que tudo soa despojado e natural.

Grey e seu grupo estão promovendo o CD/DVD ao vivo Brighter Days, então o show foi basicamente o mesmo que está registrado neste lançamento. Quem conhece o trabalho dele sabe que sua voz é incrível, que suas baladas são de emocionar e que sua banda esbanja segurança. O batera Anthony Cole dança enquanto toca, mantendo o groove junto do ótimo baixista Todd Smallie, que tocou por muitos anos na banda de Derek Trucks. O guitarrista Andrew Trube é outro figuraça, que alterna solos com Grey. O grupo é devoto daquele rock com tempero soul, típico do sul dos EUA (Grey é de Jacksonville, FL).

Os melhores momentos aconteceram com “Brighter Days”, “Air”, “Lochloosa”, “Orange Blossoms”, “The Sweetest Thing”, “Slow, Hot & Sweaty” e “King Hummingbird”. Muito legal presenciar também uma moçada animada e bonita (muitas garotas no show de Grey) cantando e curtindo cada uma das músicas apresentadas. Showzaço. Estou torcendo para eles se apresentarem por aqui em breve.

jul
30

(New Orleans, Louisiana – 27, 28, 29/4)

por Bento Araujo

Voltar ao Jazz Fest é sempre uma alegria descomunal. Não importa o cast, o que importa é que você vai se divertir, ouvir boa música, vai comer muito bem, vai conhecer gente muito bacana e, claro, vai querer voltar todo ano daqui pra frente. Este ano peguei o primeiro final de semana, onde, graças ao bom Deus, o sol só brilhou.

No primeiro dia de festival o clima começou quente na tenda blues, com dois shows bem agradáveis: Eric Lindell e Chuck Leavell. Nos outros palcos, Gomez, Sean Kuti e Bon Iver faziam suas apresentações. É impossível assistir tudo, mas consegui dar uma boa geral na maioria dos palcos (são 12 no total, é mole?). A maior bola fora do dia foi a escalação da banda canadense de AOR Zebra, que fez um show muito ruim.

A atração principal desse dia foi os Beach Boys, que estão comemorando 50 anos de estrada, com Brian Wilson de volta ao grupo. Ao lado dele estão Al Jardine, Mike Love, Bruce Johnston e David Marks, e mais a banda de apoio inteira de Brian. É aquele lance, os Beach Boys à frente e a banda de apoio segurando a bronca lá atrás. Jardine e Johnston são os ques estão melhores fisicamente e musicalmente. Continuam dando conta perfeitamente de suas partes. Love continua canastrão e picareta como sempre, Marks mandou bem em alguns solos e harmonias vocais. Mas e Brian? Bom, Mr. Brian Wilson é aquilo. Ficou sentado atrás de um piano branco, com o sol forte em seu rosto. Parecia estar em outro mundo, mas quando cantava suas partes, deixava todo mundo ouriçado.

O repertório foi longo e bem escolhido, dando uma bela geral na longa carreira da banda. Hits aos montes: “Little Deuce Coup”, “I Get Around”, “Be True to Your School”, “California Girls”, “Surfin’ Safari”, “Cotton Fields”, “Then I Kissed Her”, “Surfin’ USA”, “Help Me Rhonda”, “Kokomo” e até a nova “That’s Why God Made the Radio” fizeram parte do set. O show começou às cinco horas da tarde, o que foi muito legal, pois assistir aos Beach Boys com sol forte na cachola é muito, muito mais legal e emblemático. Só faltou areia e a brisa marítima, pois o resto tinha tudo lá: animação, garotas, etc.

“Don’t Worry Baby”, “God Only Knows”, “Wouldn’t It Be Nice”, “Good Vibrations” e “Sloop John B” foram de arrepiar, mas a surpresa do show foi “Sail On, Sailor”, faixa do injustiçado álbum Holland; no show; cantada por Brian Wilson.
O ator e fã da banda, John Stamos, quase colocou tudo a perder. Fez um longo e desnecessário discurso para apresentar o grupo e deu canjas sofríveis tocando guitarra, bateria e bongô. Ator que se mete a ser músico já é de doer, imagine ator metido a galã, querendo dar uma de multi-intrumentista então?

Mesmo com as forçadas do ator/almofadinha o show dos Beach Boys foi “Fun Fun Fun” de verdade. Seria muito bom que eles viessem pra cá nessa tour. Se rolar, capriche no bronzeador e se prepare para se divertir à beça e ir às lágrimas com algumas das melhores melodias da música pop.

O sábado foi o dia mais fraco do fim de semana. O projeto Voices of Wetlands encantou mais uma vez, e o principal nome do dia foi Tom Petty e seus Heartbreakers. O Fairgrounds estava lotado e milhares se espremeram para assistir ao show de Petty, que desfilou hits como “American Girl”, “I Won’t Back Down”, “Mary Jane’s Last Dance” e “Handle With Care”, essa última dos Travelling Wilburys. Os Heartbreakers mandaram bem, principalmente o guitarrista Mike Campbell. Interessante a versão deles para “I’m A Man”, mais uma homenagem ao Yardbirds do que a Bo Didley, visto o teor pesado e acelerado da versão.

O domingo começou com um show fulminante de Trombone Shorty e sua banda. Tocando em casa o garoto arrasou, ele que está vindo tocar no Brasil em breve. Um tributo a Alex Chilton soava uma ótima ideia no papel, mas foi meio capenga, mesmo contando com Dave Pirner do Soul Asylum. Papa Grows Funk colocou todo mundo para dançar, como faz com frequência no Jazz Fest, e Dr. John marcou presença no Acura Stage, apresentando material antigo e também novidades de seu último e ótimo trabalho de estúdio. Janelle Monáe fez apresentação divertida, enquanto que Ramsey Lewis realizou um dos melhores shows dessa edição do evento no conforto da tenda jazz. Utilizando-se em alguns momentos do sabor da Bossa Nova, Lewis mostrou que ainda é um gigante. Assim como Al Green, que tocou num dos palcos mais legais, o Congo Square. Com o apoio vocal de sua família (irmã e sobrinhas), o soulman manteve o feeling e a voz durante uma hora e meia de show. Claro que não faltaram “Let’s Stay Together”, “I’m Still In Love With You” e “Tired of Being Alone”.

No palco Fais Do-Do, sempre excelente, com ótimas bandas e um visual de “celeiro”, o melhor show do dia foi do Iron & Wine. Brass bands típicas de New Orleans são sempre outra ótima pedida no Jazz Fest, uma mais bacana que a outra. Na tenda blues o agito aconteceu com Sonny Landreth (o melhor slide guitar da atualidade ao lado de Derek Trucks), Tab Benoit e o jovem Gary Clark Jr, que colocou a tenda abaixo com seu blues pesado, seus boogies acelerados e seu som único de guitarra.

No palco principal, Bruce Springsteen e sua E Street Band encerraram o domingo de muito sol e animação. Bruce abriu com “Badlands” e focou seu show mais em suas duas últimas décadas de carreira, além é claro em seu novo trabalho, Wrecking Ball. Dr. John subiu ao palco para uma canja em “Something You Got” e o destaque vai também para as guitarras de Nils Lofgren e “Little” Steven Van Zandt. Para quem assiste a toda turnê de Bruce o repertório foi ok, mas para quem veio de fora (o meu caso) e assiste o cara esporadicamente, faltaram muitos hits. No final, dois deles apareceram: “Born to Run” e “Dancing in the Dark”. Depois o boss saudou New Orleans com uma versão acústica de “When the Saints Go Marching In”, ele que é um herói local, pois teve papel fundamental na reconstrução da cidade, pois foi o primeiro grande nome a tocar no Jazz Fest pós-Katrina. Tudo acabou com “Tenth Avenue Freeze-Out”, quase três horas de suor, energia e lágrimas.

jul
30

(Tipitina’s, New Orleans, Louisiana – 26/4)

por Bento Araujo

Esse grupo, como o nome dá a entender, traz alguns ex-integrantes da banda que acompanhava Frank Zappa nos anos 60 e 70. Atualmente estão na banda Napoleon Murphy Brock, Don Preston e Tom Fowler, esse último substituindo Ray Estrada, que foi em cana por abusar de uma garota menor de idade.

Só de ver esses três figuras em ação já valeu, mas pena que poucos pensaram assim como eu, pois o Tiptina’s estava completamente vazio, com cerca de 30 pagantes, isso num local onde cabem cerca de 800 pessoas.

Claro que um público desse pode arruinar qualquer apresentação, mas felizmente não foi o caso. Os senhores subiram ao palco e mandaram ver num repertório que privilegiou o álbum Roxy & Elsewhere, um dos discos ao vivo mais bacanas da extensa discografia de Zappa.

Napoleon continua figuraça, cantando, dançando pra caramba e soprando seu sax pelo palco. Muito bem humorado ele divertiu os presentes e ainda relembrou com afeto alguns momentos com Zappa e com os demais integrantes dos Mothers. Tom Fowler, que foi baixista de Ray Charles por muitos anos, também continua em cima com suas levadas. Don Preston pareceu cansado e menos inspirado. Apesar de utilizar alguns “devices” sonoros interessantes, insistiu num timbre de piano muito cafona em algumas ocasiões. Aquele típico som de “teclado de churrascaria”, o que destoou bastante evidentemente. Outro ponto baixo foi o guitarrista Miroslav Tadic, muito fraco, ainda mais tendo que executar encrencas criadas por Zappa em algumas de suas fases mais criativas.

Compensando, o batera Christopher Garcia é excelente, tocou com precisão, técnica e pegada de sobra. Sua homenagem a Beefheart, ao cantar “Debra Kadabra”, foi muito bacana. Outros bons momentos aconteceram em “Don’t You Ever Wash That Thing?”, “Sofa”, “Village of the Sun”, “Trouble Every Day”, “Pygmy Twylyte”, “King Kong” e “Peaches En Regalia”.

Depois de ter assistido ao Zappa Plays Zappa (com Dweezil) e o Grandmothers of Invention, sou obrigado a reafirmar: “ninguém toca Zappa como a banda paulistana The Central Scrutinizer”. Meu amigo Rainer Pappon coloca esse tal de Miroslav Tadic no bolso.

jul
30

(Spirit of the Suwannee Music Park, Live Oak, Flórida – 19, 20 e 21/4)

por Bento Araujo

Há três anos que eu ensaio uma ida a este incrível festival, que acontece anualmente no meio de uma reserva florestal ao norte da Flórida. São três dias de música, ótimas vibrações e vida no campo.

O primeiro dia começou a pegar com Ray Manzarek e a Roy Rogers Band. Foi um ótimo show de aquecimento, com o tecladista dos Doors se mostrando muito à vontade. O Devon Allman’s Honeytribe agitou ainda mais, mostrando uma sonoridade típica de power-trio, com o filho de Gregg mostrando mais maturidade e segurança que tempos atrás. A cozinha era consistente, o que ajudou bastante.

A chuva, uma espécie de tradição no Wanee, já apareceu e deixou todo mundo no clima. Um pessoal aproveitou para tirar uma com Devon: prenderam num suporte, uma reprodução em tamanho natural de uma foto de Gregg Allman, com seus braços cruzados. Quando Demon saia para solar na frente do palco o pessoal levantava o Gregg de papelão. Bem divertido, e que rendeu até comentários de Devon: “É difícil tocar aqui com o meu pai me olhando com essa cara, estou com medo!”

O melhor show do primeiro dia foi do Hot Tuna, que está promevendo seu bacana novo disco, Steady As She Goes. Jorma Kaukonen e Jack Casady estão acompanhados do baterista Skoota Warner e do guitarrista Barry Mitterhoff, esse último em total sintonia com as frases ácidas de Kaukonen, que já passou dos 70, mas continua tocando muito. A banda vem alternado sets elétricos e acústicos, e no Wanee apostaram tudo da eletricidade, que emanou principalmente no blues pesado com toques psicodélicos da banda. Escutar o baixo distorcido do lendário Jack Casady ao vivo chega a ser uma benção. A nota triste da noite foi dada por Kaukonen, que comunicou a todos que Levon Helm havia falecido aquela tarde. O Hot Tuna aproveitou e prestou sua homenagem.

O segundo dia trouxe um sol maravilhoso, dia perfeito para curtir música e a natureza exuberante do local. Tudo extremamente bem organizado, sem filas, sem gritaria ou empurra-empurra. Dois guitarristas fizeram os primeiros shows “a não se perder” do dia: Matt Schofield e Buddy Guy. Schofield é uma das maiores revelações do blues britânico da atualidade, e mostrou isso em sua apresentação. Já Buddy Guy encantou como sempre, com seu carisma e malandragem. A garotada adorou e considerou o show de Buddy um dos melhores que já rolaram no festival.

Mickey Hart fez show eclético, bem percussivo e tribal. Soou exótico, como vem soando em sua carreira solo de pesquisador rítmico. Claro que agradou aos “hipongas” de plantão. A Tedeschi-Trucks Band veio na sequência, com aquela competência e feeling de sempre. “Midnight in Harlem”, “Bound for Glory”, “Ball and Chain” e “Nobody’s Free” foram algumas das canções executas na agradável tarde de sol e calor. Grandes surpresas apareceram no set, como as versões para “Darlin’ Be Home Soon” de John Sebastian e “That Did It” de Bobby Bland. Como o Wanee é um festival famoso por abrigar a “família Allman Brothers”, Trucks estava mais que em casa. Aproveitou para improvisar bastante numa longa faixa instrumental, bem free-jazz. O final foi com “Lord Protect My Child” (outra homenagem a Levon Helm) e “Rollin’ and Tumblin’”.

Terminado o show comecei a me preparar para a primeira apresentação do Furthur, que para quem não sabe, é uma banda formada por Bob Weir e Phil Lesh, que leva adiante o bastão do Grateful Dead.

Nem é preciso dizer que o Wanee foi invadido por milhares e milhares de deadheads, o que deu um clima totalmente incrível ao evento. Parecia que estávamos nos anos 60, curtindo uma tarde de sol em algum Human Be-In em São Francisco. Peace and love, devotos de Jerry Garcia e marijuana por todo lado. A indefectível batida de “Not Fade Way” abriu o show, e todo mundo entrou no clima. “Brown Eyed Woman”, “Ripple”, “Fire On The Mountain”, “King Solomon’s Marbles” e “Turn On Your Lovelight” foram os destaques. O encerramento foi com “Touch of Grey”, a faixa que trouxe o Dead de volta em 1987 e o single de maior sucesso deles.

Tentar descrever o que o Grateful Dead representa para o público norte-americano é besteira. Sendo algo indescritível, só você indo mesmo e conferindo in-loco a experiência como um todo pra sacar.

O Dumpstaphunk de Ivan Neville colocou todo mundo para dançar com seus dois baixistas num palco secundário, e logo depois tudo já estava pronto para o primeiro show do Allman Brothers Band no palco principal do Wanee. Detalhe: tanto o ABB como o Furthur fizeram duas apresentações, uma na sexta e outra no sábado.

Assegurei meu lugar bem próximo ao palco, mais para o lado esquerdo, onde estava posicionado o Hammond de Gregg Allman.

Algo parecia não estar correndo bem. O grupo subiu ao palco com mais de uma hora de atraso, algo totalmente atípico em se tratando de um show nos EUA. O pressentimento se tornou realidade quando Gregg apareceu andando com dificuldade, apoiando-se num roadie. Sentou, acenou para a plateia, mas parecia desconfortável, com cara de que estava sentindo muita dor.

O show começou com a dobradinha “Don’t Want You No More”/”It’s Not My Cross To Bear”. Quando Gregg começou a cantar, sua voz soava fraca, sem potência alguma. Pensei em ser algo relacionado com seu transplante de fígado, mas um senhor ao meu lado, fã old school do ABB, me explicou que Gregg estava sofrendo com uma hérnia de disco.

A próxima foi “Midnight Rider”, cantada por todos, e “Blue Sky”, essa uma surpresa, pois o grupo não vinha apresentando com frequência material de autoria de Dickey Betts. Como este ano eles estão comemorando o “Year of the Peach”, ou seja, os 40 anos do lançamento de Eat A Peach, “Blue Sky” foi obrigatória, e executada com perfeição.

Ficou claro que Gregg não conseguiria fazer o show inteiro. Coube a Warren Haynes segurar a onda, cantando e regendo a banda em alguns momentos cruciais, como fez magistralmente em “Worried Down With the Blues”. Em “Stand Back”, outra de Eat A Peach, Gregg fez os vocais, mas para dar uma força nos teclados, Bruce Katz, Kofi Burbridge e Danny Louis (Gov’t Mule) subiam ao palco constantemente.

As próximas três músicas da noite foram dedicadas a Levon Helm e contaram com canjas de Susan Tedeschi, do pessoal da Tedeschi-Trucks Band, e de Bob Weir. “It Makes No Difference” da The Band foi a primeira, seguida de “Blind Willie McTell”, de Bob Dylan, faixa essa que Levon adorava, e que costumava tocar na época da The Band. “The Weight” não poderia faltar, e contou com os vocais de Bob Weir. Foi o momento mais emocionante de todo o festival.

Gregg voltou para cantar a psicodélica “Dreams”, obrigatória em todos os shows do ABB desde 1969. “In Memory of Elizabeth Reed” foi longa, exploratória, repleta de improvisos; terminando de forma apropriada um show teoricamente problemático. A encore foi com “No One To Run With”.

O terceiro dia começou com muitas nuvens e vento forte. Uma boa sacada do Wanee foi criar o Traveling Stage, que é um pequeno palco móvel, que vai sendo levado por toda a área do festival, com o pessoal indo atrás e curtindo os shows. Nessa edição do Wanee o maior destaque do Traveling Stage foi o Planet Of The Abts, projeto do baterista do Gov’t Mule, Matt Abts. Na banda estão também o baixista do Mule, Jorgen Carlsson, e o guitarrista T-Bone Andersson. Quem escutou o CD do projeto sabe que os caras não estão de brincadeira.

Na hora do almoço os ânimos começaram a esquentar com a Jaimoe’s Jasssz Band, seguidos do Trigger Hippy, um grupo que conta com o ex-Black Crowes Steve Gorman na bateria, a cantora Joan Osborne, o guitarrista Jackie Greene e o baixista Nick Govrik. O grupo se esforçou bastante, fizeram um show ok, mas nada muito além disso.

Nuvens carregadas rondavam o Spirit of the Suwannee Music Park, enquanto a expectativa crescia, pois a próxima atração seria o Gov’t Mule, eles que andam “de molho” ultimamente, apresentando-se esporadicamente, já que Warren anda bem ocupado promovendo seu último álbum como solista.

O show começou com o reggae de “Unring The Bell”, seguido da pesada “Bad Little Doggie”, com Haynes saudando todos os presentes. A chuva despencou de vez, mas ninguém arredou pé. A próxima foi “Inside Outside Woman Blues”, seguida de “How Many More Years” e citações a “Higher Ground” de Stevie Wonder. O show estava incrível, mas a chuva parecia incomodar os músicos. Chovia muito no palco, que era aberto nas laterais e também na parte traseira. Warren elogiou os fãs, que estavam aguentando bravamente a tempestade. Falou sobre Levon Helm e introduziu “The Shape I’m In” da The Band. No meio do tema, a chuva apertou ainda mais. Os músicos do Mule se olharam, puxaram uma frase de encerramento da música e saíram do palco, com os roadies cobrindo todos os amplificadores e a bateria com plásticos.

Aí foi um verdadeiro salve-se quem puder. Alguns procuraram abrigo, mas não adiantava correr, a chuva era torrencial e não havia como se proteger. Fiquei parado, ao lado de outros malucos, esperando a chuva acalmar e a banda voltar, o que não aconteceu. Quando os roadies começaram a desmontar o palco veio a frustração – o show não tinha sido apenas interrompido, tinha sido aniquilado por São Pedro. Claro, a segurança da banda é importante, riscos de choques elétricos são comuns nessas ocasiões, mas acho que os fãs que ali permaneceram mereciam uma satisfação, ou algum pronunciamento por parte da banda, e/ou da organização do evento. O show acabou e ninguém falou nada, ficou tudo por isso mesmo.

O jeito foi seguir para o palco menor (que era totalmente coberto), onde Charles Bradley estava começando a sua apresentação. Outro show memorável, assim como aquele que eu havia assistido dias antes no Tampa Bay Blues Festival. O mais legal é que o público era 80% de garotada, tipo aqueles que não estavam nem aí com a chuva. Esbanjando emoção, Bradley terminou o show descendo do palco e abraçando o pessoal, agradecendo pela oportunidade de estar ali fazendo música e apresentando faixas de seu primeiro e único disco até agora, No Time for Dreaming.

De volta ao palco principal, e com a chuva dando uma trégua, o Furthur voltou para outro show que agradou em cheio aos milhares de deadheads presentes. Começaram com “Playin’ in the Band”, emendada em “China Cat Sunflower”, “Estimated Prophet” e “Ramble on Rose”. “Sugar Magnolia” foi recebida com euforia, assim como “Help on the Way”, “Slipknot!” e “Viola Lee Blues”. Uma falha da organização foi não incluir telões num festival deste porte, com milhares e milhares de pessoas. Para assistir aos shows era preciso uma boa dose de disposição para guardar lugar na frente do palco.

O Allman Brothers Band começou sua segunda apresentação no Wanee deste ano com “Jessica”. “Come and Go Blues” veio a seguir, com Gregg mostrando ainda sinais de cansaço e sofrimento. Ele realmente não estava bem e sua performance foi bastante afetada, uma pena. O grande Luther Dickinson (do North Mississippi Allstars) é chamado ao palco e começa uma longa e furiosa versão para “I Walk On Guilded Splinters” de Dr. John. Dickinson saiu muito aplaudido e Haynes não perdeu tempo e puxou “The Sky Is Crying”, que foi seguida de “Hot ‘Lanta”, que inclui uma citação a “All Along The Watchtower” de Dylan. A pesada “Rocking Horse”, do Gov’t Mule, foi a próxima.

Sobe ao palco então Jimmy Hall, do Wet Willie. Ao lado do ABB ele cantou “She Caught The Katy” e “Statesboro Blues”, onde inclusive mostrou que é um gaitista de primeira. Hall continua com muito pique e disposição. Sua voz também está em dia e o corôa parecia estar curtindo muito aquela jam.

Warren assume novamente a frente para apresentar “Into The Mystic”, de Van Morrison. Depois de “You Don’t Love Me”, tivemos a maratona sonora de “Mountain Jam”, outro tema de Eat A Peach que marcou época. As bateras de Jaimoe e Butch Trucks, somadas à percussão de Marc Quiñones foram o ponto alto ao lado de Derek Trucks, soando profético com seu slide e sua inspiração em Coltrane. Jimmy Hall voltou para participar de “Smokestack Lightning”, que encerrou o set.
No bis, tivemos Gregg se esforçando para cantar “Needle And The Damage Done” de Neil Young e depois “Southbound”.

Para quem ainda tinha forças, e não se incomodava de andar com roupa molhada e tênis encharcado pela chuva, o palco secundário trouxe o North Mississippi Allstars, que encerrou com muita energia e propriedade a edição deste ano do Wanee Music Festival.

jul
30

(Douglass Theatre, Macon, Geórgia – 18/4)

por Bento Araujo

Macon é terra dos Allmans. Nada como almoçar no H&H Restaurant, visitar a Big House (um incrível museu dedicado ao grupo), e o Rose Hill Cemetery, onde estão sepultados Duane Allman, Berry Oakley e Elizabeth Reed. Outros marcos da cidade são o prédio da Capricorn Records e o Douglass Theatre, um simpático e antigo teatro onde caras como James Brown, Little Richard e Otis Redding começaram suas carreiras.

Jaimoe, baterista do Allman Brothers Band, não tocava no Douglass Theatre desde 1968, quando lá se apresentou com Duane e Berry, num projeto antes mesmo do ABB existir. A noite era de celebração e nostalgia. Jaimoe sendo tratado como uma espécie de herói local pelos presentes.

A Jaimoe’s Jassz Band lançou recentemente seu primeiro disco, Renaissance Man, que ao que indica passou completamente batido. Uma pena, pois o álbum é excelente, e serviu de base para essa apresentação repleta de alma. O grupo é também excelente, dosando criatividade e improvisos.

Jaimoe parece estar fazendo o que realmente gosta e esse foi sem dúvida um dos melhores shows de toda a pZ Trip 2012. O guitarrista/vocalista Junior Mack impressionou, executando suas próprias e tocantes composições e também clássicos como “Rainy Night In Georgia”, que evidentemente soou muito especial, não só por eu estar lá, mas por estar chovendo de verdade naquela noite. Na banda estão também feras como Bruce Katz, Dave Stoltz e Reggie Pittman. Terminado o show, Jaimoe desceu do palco para tirar fotos e conversar com os presentes.

Digamos que foi uma apresentação surpreendente.

jul
30

(Georgia Theatre, Athens, Geórgia – 17/4)

por Bento Araujo

Batizado como “the hardest working man in the showbusiness” depois de James Brown, Haynes não para um minuto. Você pode assistir hoje o cara com sua banda, amanhã com o Allman Brothes, no outro dia com a banda de Phil Lesh, e depois com o Gov’t Mule. A disposição do guitarrista, de 52 anos de idade, é incrível.

Aconchegante, com excelente acústica, e de tamanho moderado, o Georgia Theatre foi o lugar ideal para assistir a nova banda de Warren em ação. Cheguei cedo, e fiquei praticamente encostado no palco, bem na frente do guitarrista, com os ouvidos na altura de seus pequenos amplificadores postados no chão. A banda que o acompanha é um caso à parte, com o baterista Terence Higgins (Dirty Dozen Brass Band), o baixista Ron Johnson, a vocalista Alecia Chakour, o tecladista Nigel Hall (Lettuce, Chapter 2 e figura carimbada na Royal Family Records e na cena das jam bands), e Ron Holloway no sax, ele que além de sua carreira solo, já tocou, gravou, e fez jams com Susan Tedeschi, Dizzy Gillespie, Gil Scott-Heron, Allman Brothers, Gov’t Mule, etc.

Haynes está em tour pelos EUA promovendo seu “álbum soul”, Man in Motion, lançado no ano passado. Exatamente nessa noite, o guitarrista estava lançando o CD duplo/DVD Live at The Moody Theater, devidamente adquirido por este que vos escreve na saída do show. O show no Georgia Theatre foi parecido com o registrado neste DVD, com exceção de algumas alterações no repertório.
As músicas de Man in Motion ganham muita força ao vivo. Ficam mais fortes e livres, com muitos improvisos de Warren e sua banda. A estrada vem fazendo muito bem ao grupo, que une na medida inspiração e performance.

“Everyday Will Be Like A Holiday”, “Beautifully Broken”, “Hattiesburg Hustle”, “River’s Gonna Rise”, “Tear Me Down”, “Sick of My Shadow” e outras fizeram a galera dançar e também prestar atenção nos solos cheios de alma de Haynes.
Homenagens a Hendrix e Sly Stone também surgiram, com Nigel Hall literalmente encarnando este último em certa altura da noite. No intervalo, bato um bom papo com alguns fãs de Warren e de Allman Brothers Band. Falo que sou do Brasil e os caras vão espalhando a notícia, logo algumas pessoas vem em minha direção e me cumprimentam pelo fato de eu ter vindo de tão longe para ver “o” cara. Engraçado.

Canjas de Craig Sorrels, Ike Stubblefield e Benji Shanks temperaram a noite, que terminou com “Soulshine”, “32/20 Blues” e “Fire on the Bayou” dos Meters.

jul
30

(St. Petersburg, Flórida – 15/4)

por Bento Araujo

Esse festival acontece anualmente na cidade de Saint Petersburg, Flórida, localizada a poucos quilômetros da cidade de Tampa. Saint Petersburg é uma espécie de paraíso, com belas praias, museus, ótimos restaurantes, etc.

O festival acontece à beira mar, então você assiste um show, e nos intervalos pode pegar uma cerveja, sentar de frente pro mar e ficar contemplando o barulho das gaivotas ou o passeio de alguns golfinhos.

Nesse dia, assisti uma banda nova bem interessante, Trampled Underfoot, que não era um cover de Led Zeppelin, mas sim um grupo de blues-rock com uma baixista/vocalista que manda muito bem. Outros nomes que se apresentaram: Eugene “Hideaway” Bridges, Jimmy Thackery e Delbert Mcclinton.

O destaque do dia foi Charles Bradley, a mais nova estrela do selo Daptone Records, que lançou sua estreia no ano passado, aos 62 anos de idade. Bradley é um showman, canta pra caramba, dança, agita o público e demonstra uma humildade emocionante. Sua banda é muito competente, todo mundo apostando mais em bom gosto do que em “exibição”, o que no soul é essencial. O ponto alto foi quando Bradley atacou no theremin, tudo por cima de uma base funk poderosa. No repertório, sons como “The World (Is Going Up In Flames)”, “Heartaches And Pain”, “Golden Rule”, “Why Is It So Hard”, “No Time for Dreaming” e a cover para “Heart of Gold” de Neil Young.

jul
30

(Tampa Bay Times Forum, Tampa, Flórida – 14/4)
(Veterans Memorial Arena, Jacksonville, Flórida – 16/4)

por Bento Araujo

Cara, isso aqui foi um sonho realizado. Em janeiro de 1983, primeira e única vez que a banda se apresentou aqui no Brasil, eu tinha acabado de completar seis anos de idade. Um ano depois, com os sucessos dos vídeos de “Jump”, “Panama” e “Hot for Teacher” nos programas de clips da época, conheci o Van Halen, e desde então acompanho a banda, sempre comprando os LPs e rezando para os caras voltarem ao Brasil.

Fui perdendo as esperanças, então coloquei na cabeça que caso quisesse assistir ao grupo ao vivo, teria que viajar para os EUA.

Quando David Lee Roth voltou à banda, comecei a pensar em organizar essa viagem. Nas tours de 2007 e 2008 acabei não indo, mas neste ano, com o lançamento do fulminante A Different Kind of Truth (primeiro disco com DLR em 27 anos!) e o anuciamento da respectiva tour, não tive escolha.

Em se tratando de sonho, optei é claro pelo ingresso VIP disponibilizado no site do grupo, que dá direito a você garantir sua poltrona na frente do palco e mais outras regalias, como um tour pelo backstage, uma pre-party com comes e bebes, camiseta, bag, laminates, palhetas e um VIP pass. Você chega ao local cinco horas antes do show começar, e tem início o “esquenta”.

Logo de cara, o responsável pelo pre-party nos alertou, dizendo que tinha uma boa e uma má notícia. A má era que o backstage tour havia sido cancelado. A boa era, que ao invés dele, teríamos direito a assistir, com total exclusividade, ao soundcheck do grupo!

O primeiro baque foi adentrar ao Tampa Bay Times Forum, uma arena de hóquei gigantesca, daquele tipo que ainda não temos aqui no Brasil, também utilizada para grandes shows, com capacidade para 22 mil pessoas.

Entrei pela parte superior, e a arena estava completamente vazia. No palco, o Van Halen passava o som com “Unchained”. Todos os fãs que adquiriram o VIP foram descendo até a “pista”, onde as cadeiras já estavam todas posicionadas.

Fomos em direção ao palco, e fiquei parado na grade, na frente do todo poderoso, Eddie Van Halen, é claro. Ele sorriu fez sinal de “jóia” e continuou tocando e fazendo os backings vocals. Terminada a música ele pediu pra gente sentar e o grupo passou “Running With the Devil” e “Tattoo”. Fotos não eram permitidas, caso alguém sacasse o celular ou alguma câmera, todos seriam colocados pra fora. Isso foi algo que os organizadores deixaram bem claro desde o início. O lance era arquivar aquilo tudo em algum canto da massa cinzenta, já completamente abalada pelos sons vindos diretamente da parede de amplificadores de EVH e algumas boas doses de Jack Daniel’s.

O guitarrista chegou à frente do palco e perguntou o que a gente preferia ouvir: “Romeo Delight” ou “The Full Bug”. A escolha foi unânime, e “Romeo Delight” foi a próxima do soundcheck. “She’s the Woman” e “Light Up The Sky” foram as próximas, sendo que essa última eles ainda não executaram nos shows dessa tour.

O show foi uma avalanche sonora. No rosto dos integrantes do Van Halen aquele sorriso tradicional de orelha à orelha, o mesmo estampado em cada um dos rostos das 22 mil pessoas presentes.

“Unchained” foi a primeira, com o riff de EVH colocando a casa abaixo. Improvisos na metade da canção demonstraram que o grupo está mais solto que nunca, parecendo curtir cada momento do show. “Runnin’ With the Devil” é a próxima. Wolfgang parece incorporado totalmente ao grupo. Claro que os vocais de apoio de Michael Anthony fazem falta, mas é só. Nas quatro cordas o moleque segura a onda, fazendo, e bem, apenas o necessário, assim como Anthony fazia.
“She’s the Woman” foi a primeira do disco novo da noite, seguida de “Romeo Delight” e “Tattoo”, o hit do VH atualmente pelos EUA. Todo mundo cantou junto.
“Everybody Wants Some!!” trouxe a batida tribal poderosa de Alex Van Halen e Eddie saltitando e sorrindo por todo o palco como nos bons tempos. DLR surgiu com seus braços erguidos e aquele sorriso no rosto. Depois de anos decadente, tocando num circuito caidão com sua banda, é ótimo ver DLR brilhando novamente numa grande arena, local de onde ele nunca deveria ter saído. Showman por natureza, DLR até arrisca alguns pulos e golpes de artes marciais, mas com total prudência. Trocou as acrobacias de outrora por passos de dança divertidíssimos, com influência funk e de dançarinos de programas de TV dos anos 60. No tablado, um mini-palco especial só pra ele, que com uma espécie de pantufa, desliza sobre o piso, repleto de talco para o vocalista se deleitar.
“Somebody Get Me a Doctor” mostrou que o peso do grupo continua em dia e foi seguida de outra porrada do novo trabalho, “China Town”. “Hear About It Later” pintou com os tradicionais efeitos de EVH, pena ela ter sido ao lado de “Unchained” as duas únicas faixas de Fair Warning executadas nessa noite. Faltou pelo menos “Mean Street”, isso é fato.

“Pretty Woman”, de Roy Orbison, veio muito a calhar, pois atiçou pra valer a ala feminina da plateia, que não era pequena, muito menos tímida, se é que você me entende. Aliás timidez é algo que não entra no show do VH, o segurança barra logo na entrada. Pena que a banda não executou a intro criada por eles para “Pretty Woman”, batizada como “Intruder” no álbum Diver Down.

O solo de bateria de Alex Van Halen foi a próxima atração, recheado com bases pré-gravadas no melhor estilo salsa. Ele que é um dos bateras mais subestimados do rock, mostrou que está em forma, assim como DLR e EVH. Depois tivemos “You Really Got Me” dos Kinks e “The Trouble With Never” do novo álbum, que abriu caminho para um dos maiores hits da primeira fase da banda, “Dance the Night Away”. EVH executando o simples solo com perfeição foi nota 10. “I’ll Wait”, com sua pegada AOR oitentista, fez todo mundo cantar junto. “Hot for Teacher” era uma das canções mais aguardadas e surgiu furiosa, com os bumbos quádruplos de Alex e os solos furiosos de Eddie. Boogie infernal, tocado com velocidade ainda maior do que a registrada no álbum 1984. Sem tempo para respirar, o Van Halen deu o golpe de misericórdia em qualquer fã das antigas ao executar, na sequência, três faixas do talvez melhor trabalho do grupo, Van Halen II. Foram elas: “Women In Love”, “Outta Love Again” e “Beautiful Girls”. Pronto, o ingresso já estava mais do que pago.

“Ice Cream Man” foi outro caso à parte. DLR vem para o palco com seu violão. Enquanto faz uma base acústica, conta um pouco sobre seus cachorros. No telão, imagens do vocalista brincando com “o melhor amigo do homem” dão um tom humanista ao puro entretenimento que é um show do Van Halen.

“Panama” foi a próxima, sempre obrigatória, assim como o solo individual de Eddie Van Halen. Durante quase dez minutos, todos os milhares presentes pareciam compartilhar de uma mesma devoção. O único barulho em toda a arena vem da captação das seis cordas daquele cara no palco. O show ganha ares de sessão de descarrego. Todos querem se limpar das lamúrias de suas vidas através dos licks imortais daquele que é um dos maiores nomes da história do instrumento. “Cathedral”, “Eruption”, trechos da história do rock e da guitarra sendo executados ali na sua cara, como se fosse a coisa mais fácil e descompromissada do mundo.

Depois do batismo guitarrístico, Eddie puxa a intro de “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love”, e finalmente presencio a pura festa rock ‘n’ roll que é um show do Van Halen. Eles terminam o show e o delírio é coletivo. Eddie sobe ao praticável da bateria, e dá um “selinho” em seu brother, para depois abraçar carinhosamente o filho. Tudo em família. Dave se junta ao clã dos VH e saúda o público. Para o bis a banda volta com “Jump”, com direito a chuva de papel picado e DLR agitando uma imensa bandeira quadriculada, aquele que aparece no vídeo de “Tattoo”.

Dois dias depois, ainda atordoado pela avalanche, segui rumo ao norte em sentido a Jacksonville. O intuito? Pegar o segundo show do Van Halen da viagem. O quê? Viajar milhares de quilômetros para um único show dos caras? No way…
O show aconteceu no Veterans Memorial Arena, com capacidade para 15 mil pessoas. Novamente casa lotada. Detalhe: o Van Halen passou por quatro cidades da Flórida, tocando para uma média de 15 mil pessoas por show. É como uma banda vir para São Paulo e se apresentar na capital, Campinas, Santos e Ribeirão Preto, por exemplo. Incrível.

Repertório idêntico, energia também. Impressionante como apenas dois dias depois da batalha em Tampa os caras estavam novinhos em folha. Outra festa completa. Pra contar para os netos.

Os shows foram abertos pelo Kool and the Gang, ou pelos menos pelo o que sobrou deles. DLR que convidou o grupo para o posto, alegando que eles, assim como o VH, simbolizam a trilha sonora oficial de festas por toda a América, ou seja, o som ideal para se curtir num sábado a noite. Era noite de segunda-feira em Jacksonville, pobre Kool e sua gangue… Já para o Van Halen, e para o falecido e inesquecível John Belushi, toda noite é uma noite de sábado.

jul
30

(Parker Playhouse, Fort Lauderdale, Flórida – 13/4)

por Bento Araujo

Noite agradabilíssima de sexta-feira em Fort Lauderdale. Calor, plateia animada, e uma bela casa de show davam indícios de que o show, o primeiro da pZ trip 2012, seria matador.

Curto bastante os álbuns do TOP dos anos 70, principalmente as linhas de baixo do grande Francis “Rocco” Prestia. Garanti meu ingresso na terceira fileira, do lado do palco onde Prestia atuaria. A minha vista era a seguinte: pano de fundo com a capa do álbum Back to Oakland, atrás de um extenso praticável onde estavam, da esquerda para a direita, o baterista David Garibaldi (outro monstro de seu instrumento), Rocco, o guitarrista Jerry Cortez e o tecladista Roger Smith. Na linha de frente, a metaleira furiosa da banda, com os integrantes originais Emilio Castillo e Stephen “Doc” Kupka, e o vocalista Larry Braggs.

O show começou morno, mas foi esquentando. Braggs é um privilegiado. Seu alcance vocal é incrível. Sua afinação, perfeita. “Soul Vaccination”, “Down to the Nightclub”, “Just Enough (And Too Much)”, e a versão deles para “Me and Mrs. Jones” de Kenny Gamble e Leon Huff (famosa na voz de Billy Paul) demonstraram o que é o TOP ao vivo. Grooves encorpados, perfeccionismo, metais aos montes e uma cozinha impecável.

Os pontos altos da performance vieram na sequência; um medley em homenagem a James Brown, com “Diggin’ on James Brown” / “It’s a New Day” / “Mother Popcorn” / “There it is” / “I Got The Feelin’” e mais as obrigatórias “So Very Hard to Go” e “What Is Hip?”, essa última emendada com “Soul Power”, outra de James Brown.

Até então confesso que estava encantando com a exímia performance dos caras, principalmente com a de Francis Rocco Prestia, entortando tudo com seus graves. No bis eles voltam com “You’re Still a Young Man” e “I Like Your Style”. Eis que então, no meio dessa última, Prestia vira de costas para o público, coloca uma mão na cintura e outra numa garrafa de água. Enquanto ele sorvia tal liquido, o som de contrabaixo continuava saindo do PA. Por alguns segundos, “escaniei” o palco em resolução máxima. Seria o tecladista fazendo algo com seus pés? Algum outro baixista convidado havia subido ao palco sem ser anunciado? Nada disso. Foi frustante, mas constatei que Prestia tem um “baixo que toca sozinho”. Por cima de uma base pré-gravada ele adiciona algumas frases. Claro que tudo foi por água abaixo, afinal de contas o cara estava ali enganando todo mundo, usando playback na cara dura. E o pior, nem pra disfarçar. Deu vontade de ir até a bilheteria pedir meu dinheiro de volta. Um amigo, que é músico, assistia àquilo comigo. Por alguns instantes ficamos nos olhando, indignados, mas ao nosso lado a galera parecia nem se dar conta do embuste.

E você pensava que somente a Madonna, a Britney Spears e o ZZ Top faziam isso né?

jul
30

As aventuras do editor da pZ pelos EUA

por Bento Araujo

Quem nos acompanha pelo Twitter, Facebook e Instagram sabe muito bem o que aconteceu durante os meses de abril e maio no circuito norte-americano de shows. A pZ caiu na estrada e apresentou em primeira mão uma cobertura quase em tempo real de shows e festivais pelo sul dos Estados Unidos da América.

Foram 30 dias, 4.000 kilômetros rodados, cruzando sete estados diferentes e dezenas de cidades. Quatro grandes festivais, shows individuais, estúdios, lojas de discos, igrejas, museus, cemitérios e locais sagrados para o rock, jazz, blues, country e soul. Passamos por tudo isso e voltamos pra contar.

Nesta primeira parte de nosso especial, as resenhas dos shows e dos festivais. Na próxima edição, o Record Store Day, as lojas de discos, a encruzilhada, Graceland, o estúdio da Sun Records, a Highway 61, o museu da Stax, o Grand Ole Opry, uma visita ao túmulo de Duane Allman, a Third Man Records de Jack White e uma missa com o reverendo Al Green!

abr
10

Em 2009 você acompanhou as nossas aventuras pelo Reino Unido, onde cobrimos locais e shows históricos, tudo devidamente registrado na pZ25.

Em 2010 partimos para os EUA, onde vivenciamos o furor do Record Store Day em Nova Iorque e o Jazz & Heritage Festival em New Orleans, além de muitos e muitos shows, tudo registrado na pZ30.

Depois de uma breve pausa no ano passado, este ano temos o prazer de anunciar a cobertura de shows e festivais novamente pelo sul dos Estados Unidos.

Na próxima edição e nos próximos posts você confere tudo sobre a mais nova pZ Trip, que passará por 12 cidades, em seis estados sulistas. Vamos cobrir três mega-festivais: Wannee (Flórida), Jazz & Heritage Festival (New Orleans) e o Beale Street Music Festival (Memphis). Além de resenhar shows de bandas e artistas que tocarão nesses festivais, como Allman Brothers Band, Beach Boys, Furthur, Al Green, Jerry Lee Lewis, Hot Tuna, Johnny Winter, Gov’t Mule e outros, vamos também trazer textos sobre shows individuais de bandas como Van Halen, Warren Haynes Band, J.J. Grey & Mofro e outras.

Este ano, excepcionalmente, não abrimos vagas em nossa excursão, mas prepare-se para viajar conosco em 2013. Estamos deixando tudo redondo para a pZ Trip decolar no próximo ano e já neste segundo semestre vamos divulgar os nossos pacotes, portanto fique atento!

Aproveite então para se programar e acompanhar tudo pelas redes sociais da pZ, via twitter e facebook, aqui pelo blog da pZ Trips e também pelo nosso podcast semanal.



fev
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Você esperou um ano inteiro, mas agora chegou o momento de arrumar as malas e ir beber na sagrada fonte do rock, blues e jazz da melhor qualidade. A pZ Trips está de volta e dessa vez em dose dupla.

Bento Araújo levará os leitores da pZ novamente para o New Orleans Jazz Festival, que acontece na cidade de New Orleans, entre os dias 29 de abril e 8 de maio de 2011. Serão sete dias de festival, divididos em dois finais de semana.

Para a edição deste ano estão confirmados nomes como Robert Plant & The Band Of Joy, Gregg Allman Band, Jeff Beck, Wilco, Bon Jovi, Sonny Rollins, Arlo Guthrie, Tom Jones, Ahmad Jamal, Dr. John, Robert Randolph, Maceo Parker, Kid Rock, Ron Carter, Robert Cray, The Strokes, Arcade Fire, Sonny Landreth, Charlie Musselwhite, Jimmy Buffett, Lauryn Hill, Willie Nelson, Neville Brothers e muitos outros, que tocarão em nada menos que 12 palcos. São oito horas de música por dia, sem contar as muitas atrações imperdíveis da própria cidade de New Orleans, berço sagrado na música norteamericana. São bares, shows extras, lojas de discos e boa música 24 horas por dia. Para saber como foi a pZ Trip do ano passado, confira a matéria na edição #30 da pZ, e leia nossos posts mais abaixo…

Além do Jazz Fest, a pZ Trips está organizando uma outra viagem para esse primeiro semestre de 2011, com destino ao famoso Wanee Music Festival, que acontece de 14 a 16 de abril em Live Oak, ao norte da Flórida, bem no meio de um grande parque florestal e no coração do southern rock norteamericano, próximo de Jacksonville (cidade do Lynyrd Skynyrd) e de Macon (cidade do Allman Brothers Band, na Georgia). São três dias de som e camping, com muita música e natureza pra curtir.

O cast desse ano do Wanee Music Festival conta com The Allman Brothers Band, Robert Plant & The Band Of Joy, Warren Haynes Band, Derek Trucks & Susan Tedeschi Band, Steve Miller Band, Hot Tuna, Taj Mahal, Sharon Jones & The Dap Kings, Mike Gordon, Widespread Panic, North Mississippi Allstars, Wanda Jackson, Lotus, 7 Walkers (banda de Bill Krautzmann do Grateful Dead e George Porter Jr. dos Meters), Dirty Dozen Brass Band, Jaimoe’s Jasssz Band, Oteil Burbridge and The Lee Boys, Devon’s Allman Honeytribe e muitos outros.

Bento Araújo, editor da pZ e organizador da pZ Trips está empolgado: “Nossa viagem ao New Orleans Jazz Fest do ano passado foi um sucesso! Foi demais levar alguns leitores da pZ pra curtir um dos mais legais, tradicionais e importantes festivais de música do mundo, que acontece há 42 anos. Além disso, fizemos uma verdadeira maratona musical pela cidade, visitando lojas de discos, bares, casas noturnas e assistindo muitos shows extras ali na beira do Rio Mississippi. A interação com o pessoal foi total, todo mundo manjava muito de música e nossos gostos eram bem parecidos. Gravamos até dois podcasts direto de lá, contando tudo sobre a viagem.”

Além do New Orleans Jazz Festival, Bento também comenta sobre a novidade oferecida esse ano pela pZ Trips: “Além do Jazz Fest estamos indo também para o Wanee Music Festival, onde além de curtir 12 horas de música por dia, vamos acampar e aproveitar a natureza ao som de bandas como Allman Brothers e muitas outras. Então a festa está garantida; pode ir arrumando as malas e se prepare para uma experiência musical que vai mudar a sua vida!”

Não perca a chance de assistir as bandas dos seus sonhos no exterior, ao lado de quem entende e respira música. Vale lembrar que ambos os eventos são super família, ou seja, se for de seu interesse você pode levar sua família inteira pra curtir os festivais.

A poeira Zine te oferece toda estrutura e segurança necessária para você aproveitar ao máximo esses eventos. Você não precisa se preocupar com passagens, conexões, hospedagens, ingressos, translados e tudo mais. Está tudo incluído no nosso pacote. Se preocupe somente em arrumar suas malas… E não esqueça o protetor solar!

Para saber mais sobre esses nossos pacotes de viagem, entre em contato conosco pelo e-mail contato@poeirazine.com.br

ATENÇÃO: As atrações musicais e as datas estão sujeitas a alteração/cancelamento pela organização dos eventos. É de suma importância que tanto o seu passaporte, como o seu visto de entrada para os EUA, estejam em dia!

Para ver fotos da pZ Trips 2010 em New Orleans, clique AQUI

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Foi divulgado na semana passada o cast deste ano do New Orleans Jazz Festival, que acontece na cidade de New Orleans (USA), entre os dias 29 de abril e 8 de maio de 2011. Serão sete dias de festival, divididos em dois finais de semana.

Para a edição deste ano estão confirmados nomes como:

Robert Plant & The Band Of Joy
Gregg Allman Band
Jeff Beck
Wilco
Bon Jovi
Sonny Rollins
Arlo Guthrie
Tom Jones
Ahmad Jamal
Dr. John
Robert Randolph
Maceo Parker
Kid Rock
Ron Carter
Robert Cray
The Strokes
Arcade Fire
Sonny Landreth
Charlie Musselwhite
John Legend and The Roots
Jimmy Buffett
The Decemberists
Lauryn Hill
Willie Nelson
The Neville Brothers
e muitos outros*, que tocarão em nada menos que 12 palcos. São oito horas de música por dia!

A poeira Zine vai levar você para mais essa edição do Jazz Fest!

Para saber mais detalhes sobre o nosso pacote de viagem, entre em contato conosco pelo e-mail contato@poeirazine.com.br

* As atrações musicais e as datas estão sujeitas a alteração/cancelamento pela organização do evento.